Lais Belussi,
Minha querida sobrinha “bananinha”, você já esta grandinha e já faz parte de uma nova geração, geração mais moça, de onde se espera mais força e vitalidade, como diz Mário de Andrade, mas para mim será sempre a pequena criança, como eu chamava e ainda chamo todas as crianças, “Bananinhas”.
“Os homens aos 18 não sabem nem como se diz bom dia a uma mulher”, mas aos dezoito anos uma moça é uma mulher.
Nelson Rodrigues, o “anjo pornográfico”, também diz, “Todo amor é eterno. E se acabou, não era amor”. Ou como nos lembra o poeta e pensador, Paul Valéry, “Só amamos aquilo que criamos”.
A música diz, “é preciso saber viver”, como desvendar esse segredo? Vivendo e aprendendo no dia-a-dia da vida, como diz o homem que inventou o ser humano que somos hoje, segundo Harold Bloom, William Shakespeare:
“A vida é uma peça de teatro que não nos permite ensaios, por isso, cante, dance, ria, viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos. Não perca tempo, a vida passa num piscar de olhos. Aproveite cada segundo que passa, pois o tempo infelizmente não volta.”
Seja lá o que o seu projeto de vida deseja ‘arquitetar’ em sua jornada, uma boa e bela maneira de fazer, uma leitura do mundo, que antecede a leitura da palavra, é pelos caminhos da cultura dos povos, da poesia, da música, das artes, da literatura,…, etc, pois é pela palavra que nós comunicamos com os amigos e com o mundo, mas 80% da comunicação não esta na palavra dita, mas no corpo todo que se comunica em milhões de expressões.
Augusto Boal, o teatrólogo diz, “reflexões errantes sobre o pensamento do ponto de vista estético e não científico”,…, “atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma”.
Essas minhas palavras, que são um mosaico de idéias, não valem nada diante da sabedoria de vida de suas avós, Iraci Conti Bosso e Maria Belussi, que são do tempo da sabedoria da oralidade, como o filósofo Sócrates, há dois mil e quinhentos anos. O tempo do mundo e o tempo das pessoas podem ser, e frequentemente são, muito diferentes.
Esse livro sobre Mário de Andrade, “o poeta na política, paixão e compromisso”, nosso grande modernista, uma raro paulista que pensou o Brasil, que participou do movimento modernista de 1922 e da “Constelação Capanema” (Gustavo Capanema) nos anos 30, como, Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Heitor Villa-Lobos, Caros Drummond de Andrade, José Lins do Rego, Gilberto Freyre, Candido Portinari, Anísio Teixeira, Graciliano Ramos, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral . “Esses nomes estão associados a políticas que marcaram os campos da arquitetura moderna, do patrimônio histórico e artístico nacional, da literatura, da pintura e das artes plásticas no país.”
Esse meu presente de aniversário e formatura, penso que este livro para você é a “Viajem da Descoberta do Brasil”, como a viajem organizada por Mário de Andrade na Semana Santa de 1924, pelas cidades barrocas e históricas de Minas Gerais, com Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade e Blaise Cendrars.
Mas do que arquitetura, é a história arquitetada por uma geração de poetas, artistas e intelectuais brasileiros, que mudou o Brasil e projetou o Brasil no mundo.
Boa degustação,
Beijos, parabéns e Fé-licidades.
Tio Wardo
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