3 de junho de 2026

O carnaval do Supremo, por Arnaldo Carrilho

Por Arnaldo Carrilho

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comentário ao post “O STF e a sociedade-espetáculo

Meu caro Luís Nassif

há quanto tempo!…Como vai?

Deixei meu “tranquilo” Posto nortecoreano e eis que me vejo aposentado (por idade: sou contra essa compulsória, enquanto houver saúde psicofísica e disposição para o trabalho do servidor público), morador de Brasília (ó céus!) por um par de anos mais, antes de regressar ao meu Rio de Janeiro. Enquanto isso, já à procura de um emprego, fuço diferentes eventos ligados aos meus interesses, como Oriente Médio e Ásia do Leste, além do sempiterno cinema, veja só.

Adorei seu texto (abaixo). Além do costumeiro nível de excelência, atinge o nervo de um problema que eu não conhecia: à exceção de uns dois (não chegam a três) Juízes, jamais poderia eu ter imaginado que o nível de nossa Corte Suprema chegara à escala tão miseravelmente baixa. Quanto horror! E essa “dramaturgia otorrinolaringológica” chega aos narizes de todos, escandalizando antes olhos e ouvidos, ressecando bocas e atrapalhando epílogos digestivos.

Em relação ao Ayres Britto, que, como bom nordestino, deveria dar-se ao respeito, o sergipano interpretava muito mal o seu papel – aliás, quase toda(os) -, conquanto já à beira do pijama houvesse citado Kandinsky(!), niente di meno, em frase que nada tinha a ver com o julgamento. Será que o russo abandonou Weimar, Dessau e Berlim porque não mais aguentava sentar-se na poltrona Wassily, que Marcel Breuer lhe desenhara? Ou pressentia que ia ser mal interpretado, décadas depois, a mais de 10 mil km de distância?

Ou será porque teria sonhado que um pensamento seu, 80 anos depois, seria arrotado assim, mais caipira que sertanejamente, sem eira nem beira, numa Corte em que Altos Juízes são tratados de Ministros (de que Pastas ou Chancelarias)? Quanto aos outros – como é ridículo o tal Fux! -, não param de citar frases da common law ianque, na qual o federal se mistura com o estadual, formando uma confusão inextricável? Eles se esquecem de que o Direito brasileiro tem por base as Ordenações Manuelinas, Felipinas, os Direitos Napoleônicos (normas cíveis) e Fascistas (Código Penal e Consolidação do Trabalho).

Nós somos mestiços, sulamericanos e do Terceiro Munso, como eles o demonstram, não só na tonalidade de suas epidermes, mas no seus modos e pretensões. O que há de anglo-saxão ali, nem de raspão!

Muito feio esse julgamento televisado, feio, incomodante e disturbante, seja pelo tema, seja pela programação imbecil da emissora, em seus canais aberto e por assinatura. Uma TV que, apesar de inferiorizar a língua pátria, desobedecendo tempos e modos verbais, escolha de palavras e prolação correta de vocábulos e expressões, não mais conseguiu eleger um(a) Presidente(a) da República, como em 1989(*). Teme, como Satã a Cruz, uma eventual consequência do que pode acontecer, abaixo do Rio da Prata, com a Clarín e assemelhada(o)s.

Abraços do
Arnaldo C.

(*) Antes, claro, não precisava eleger ninguem, durante 29 anos, primeiro porque não tinha essa idade; segundo, nasceu na ditadura, em 1965, por concessão obtida, graças a pressões empresarial-governamentais estadunidenses, junto ao regime de exceção do marechal Castello-Branco.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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