4 de junho de 2026

Os motivos das aéreas sobrevoam a incompetência?

Além dos Boeing novinhos, Gol usou de outras artimanhas no início das atividades para reduzir os custos operacionais: de um lado, a instituição dos sistemas eletrônicos de reserva e check-in, mais ágil e sem a necessidade da emissão dos antigos bilhetes de passagem impressos em várias vias; de outro a eliminação dos lanches quentes nos aviões, trocados pelas barrinhas de ceral e/ou pacotinhos de snacks.

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A grande economia no caso não estava no custo de um sanduiche de queijo quente. Estava na retirada dos fornos elétricos das copas de serviço (“galleys”) dos aviões e na redução da necessidade de ressuprimento (já que as comidas não eram perecíveis). A retirada dos fornos eliminou peso e liberou espaço, permitindo a colocação de assentos adicionais nos aviões. O abastecimento de barras de cereal e snacks era feito de uma só vez para vários vôos, o que diminuia o tempo no solo e aumentava a taxa de utilização da aeronave. Ganhava-se um ou até dois vôos a mais no dia.

De uns meses para cá, o serviço de bordo passou a ser cobrado, você paga até por um copo d’água. De novo, a principal economia não são os 50 ou 60 centavos do copinho de água mineral. A idéia é reduzir a demanda por serviço de bordo, o que permite diminuir o número de comissários(as) por avião.

Mas para mim é um mistério o fato dessas companhias darem prejuízos bilionários. Antigamente, punham a culpa no governo, que tabelava as passagens (na Justiça ainda correm processos bilionários sobre esse assunto). Na última década tivemos um mercado com preços completamente liberados, oligopolizado entre duas ou três grandes companhias concorrentes. As agências reguladoras foram colocadas a serviço dessas empresas e o volume de passageiros quase dobrou entre 2000 e 2011.

Mesmo assim, TAM e GOL acumulam prejuízos ano após ano, e as empresas pequenas não são muito diferentes. Que nome damos a isso? Incompetência setorial?

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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