4 de junho de 2026

Rede de metrô do país pode ser duplicada até 2018

Por Assis Ribeiro

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Rede de metrô pode ser duplicada até 2018

Rodrigo Burgarelli e Ocimara Balmant, No Estado de S. Paulo

Engarrafados: Piora da mobilidade urbana, em especial pelo aumento do número de carros, desperta autoridades, que prometem mais 253 km de linhas

Em 1863, no auge da Revolução Industrial, Londres ganhou sua primeira linha de metrô. Nossa vizinha Buenos Aires inaugurou a sua em 1913, ainda antes da I Guerra Mundial. Já São Paulo, a primeira cidade do Brasil a ter metrô, passou a oferecer essa opção aos seus habitantes apenas em 1974 – mais de um século depois da capital inglesa. A demora foi grande, mas as capitais brasileiras agora querem tirar um atraso de décadas em poucos anos. Caso todos os projetos prometidos saiam do papel, o total da rede de metrô do país deverá dobrar até 2018.

Atualmente, sete capitais no país têm rede de metrô em funcionamento: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte e Teresina. Juntas, elas compõem uma rede de 276,4 quilômetros de trilhos – menos que cidades como Nova York (337 km) e Tóquio (328 km), e apenas um pouco mais do que a Cidade do México (225 km). Até mesmo Xangai, cidade chinesa que inaugurou sua primeira linha apenas em 1995, tem mais quilômetros de metrô do que todas as redes brasileiras somadas: 424 km.

As autoridades nacionais, porém, prometem uma reviravolta nesse quadro. O principal motivo apontado por especialistas é o estrangulamento do tráfego e da mobilidade urbana nas grandes e médias cidades. O aumento na frota nacional de automóveis nos últimos anos, impulsionado pela expansão da renda e da classe C, criou engarrafamentos em locais que nunca haviam tido tal problema – e os agravou nas capitais que já sofriam com o excesso de veículos há algumas décadas.

Os gargalos impulsionaram novos investimentos municipais, estaduais e federais em mobilidade urbana, que demoraram anos para sair. Agora, a promessa é que 253,5 km de metrô sejam construídos até 2018, o que elevaria a malha brasileira para cerca de 530 km. Os moradores de três cidades que até hoje não têm metrô já deverão ter recebido suas primeiras linhas até lá. São elas: Curitiba, Fortaleza e Salvador.

Em SP, ampliação com ajuda do setor privado

A capital baiana é talvez o caso mais drástico de problemas de investimentos. As obras da primeira linha de metrô da cidade começaram em 1997. Quinze anos depois, entretanto, a rede ainda não funciona, por causa de erros na execução do projeto e da falta de verbas para solucioná-los. Com cerca de R$ 3,5 bilhões em novos investimentos, a expectativa é que Salvador já tenha 36 km de linhas em operação entre 2014 e 2015.

Já Curitiba, onde o sistema de ônibus em via segregada virou modelo regional de transporte, a piora no trânsito levou a cidade a optar pelo metrô, que deve ser inaugurado em 2016. Fortaleza já tem um pequeno trecho em testes, e sua operação comercial deve começar ano que vem.

A maior ampliação, porém, deve acontecer em São Paulo, onde 126 km deverão estar prontos até 2018, segundo promessa do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O número contempla também os polêmicos monotrilhos. Só até 2015, estão previstos investimentos de R$ 45 bilhões, tanto do governo como da iniciativa privada, por meio de parcerias público-privadas (PPPs), modelo de financiamento que está se tornando popular.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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