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A escola do Rio André Araújo |
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A Ideologia do Plano Real exposta em novo lançamento da Editora Alfa Omega |
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Entrevista com o Autor Pergunta: Seu livro A Escola do Rio – Fundamentos políticos da nova economia brasileira trata de economia ou de política? Pergunta: Nessa visão, exposta no seu livro, o Plano Real foi uma operação essencialmente técnica ou uma manobra política? André Araújo: Foi a aplicação na realidade brasileira de uma subideologia, gestada nos anos 40 e 50, que via o Brasil como país subordinado a um sistema maior, construído a partir do fim da Segunda Guerra, percepção que por sua vez está enraizada no liberalismo clássico da Escola inglesa. Por essa concepção, o Brasil não deveria procurar ser uma potência industrial porque sua vocação seria essencialmente agrícola e mineral. Essa posição não é nova, governou o Brasil desde o descobrimentoaté a Revolução de 30. Foi Vargas quem implantou uma outra visão de país, criando as bases da indústria e do nacionalismo econômico que construíram o Brasil moderno. Sem essa mudança de rumos, o PIB brasileiro seria hoje muito menor e nosso país seria uma grande Guatemala, vivendo da lavoura e da exportação de alguns minérios. |
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André Araujo: Meu livro tenta traçar uma linha ideológica coerente entre essa visão de um Brasil semicolonial, agropastoril, que existiu até Vargas, e a Escola do Rio, herdeira dessa idéia de um Brasil inteiramente dominado pelo capital estrangeiro, justificada pela crença de que somos um povo de incapazes, que necessitamos da direção vinda de fora. Os idealizadores desse Brasil hoje se aglutinam na PUC-Rio e na Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas. Getúlio Vargas que por ironia da história empresta seu nome para o desmonte de sua era. Esse grupo de pensamento coerente e ideológico concebeu, aplicou e opera hoje o plano de estabilização monetária, base do atual governo social-democrata. Pergunta: Quer dizer que o Plano Real não é um moderno processo de estabilização e gestão econômica? André Araujo: É também isso, mas suas bases teóricas vêm de longe, têm raízes mais profundas na história do pensamento econômico brasileiro. O debate ideológico sobre qual deveria ser o grande rumo da economia brasileira nasceu nas décadas de 30 e 40, com duas grandes correntes antagônicas. Eugênio Gudin, o fundador dos estudos econômicos no Brasil, o patrono dos economistas brasileiros, sempre defendeu intransigentemente a total abertura da economia brasileira, tanto ao investimento como à importação. Seus fiéis seguidores governam hoje o país e estão aplicando seus ensinamentos. Pergunta: E por que o nome a “Escola do Rio” é dado a essa corrente de pensamento econômico? André Araujo: Porque é no Rio que – desde a vinda da corte portuguesa ao Brasil e desde a abertura dos portos, na verdade, à importação inglesa e não a todos os países como se ensina tolamente nos livros didáticos – se centra uma visão desse Brasil enfeudado e vassalo do exterior. O grande perdedor no confronto entre uma idéia de Brasil industrial e outra idéia de um país atrelado a um sistema subordinado é São Paulo. Não é por acaso que em São Paulo os efeitos do plano de estabilização mais se fazem sentir, com o desmantelamento de seu parque industrial, construído na era Vargas. Pergunta: Por que as grandes universidades paulistas não entraram nesse debate, em defesa dos interesses do Estado e do povo de São Paulo? André Araujo: São Paulo tem grandes escolas de economia, mas nenhuma lidera uma forma ideológica e coerente de pensamento econômico, com exceção talvez da Unicamp, hoje a fortaleza do pensamento econômico estruturalista antagônico ao neoliberalismo radical da Escola do Rio. No Rio também existem focos de resistência ao neoliberalismo radical, como o Instituto de Economia Industrial da UERJ, mas não mostram influência na política econômica atual, apesar de seus valorosos pensadores. A Escola do Rio trata do “neoliberalismo radical”. O que significa esse termo? André Araujo: O neoliberalismo radical traduz uma visão exacerbada e quase alucinada do neoliberalismo, indo além do que o próprio país central do sistema pratica. Os Estados Unidos, por exemplo, não são um país escancarado às importações. Ao contrário, brigam como leões, com instrumentos tarifários e não-tarifários, contra as importações que os prejudiquem. Conseguiram paralisar nossa exportação de suco de laranja com uma sobretaxa absurda e irremovível. Do mesmo modo, não são tão liberais no controle de sua economia. As hidrelétricas americanas são estatais e não se cogita de sua privatização, porque são consideradas estratégicas (assim como no Canadá). O que é privado é a energia termelétrica, construída por capitais particulares. Nós estamos vendendo tudo, estratégico ou não, e vendendo mal e para os financistas estrangeiros que, ao fim desse processo, controlarão todos os serviços públicos, telefonia, Embratel, ferrovias, saneamento e provavelmente a Petrobrás e o Banco do Brasil, com o sistema bancário já em avançada desnacionalização. Há um desfecho para o plano de estabilização previsto em A Escola do Rio. Pergunta: Como é esse desfecho? André Araújo: Não se trata aqui de opinião subjetiva. Uma escola hoje esquecida de pensamento econômico, a Escola Histórica alemã, vê os processos econômicos como determinados pela histórica e pela política. Por essa ótica, o desfecho do Plano Real será um novo e custos processo de ajuste para redirecionar a economia para dentro, única forma de gerar emprego e crescimento. O capital estrangeiro e principalmente o capital volátil que financia hoje o Brasil nunca será o eixo de um grande país, como a história dos países já demonstrou. No áspero mundo das relações internacionais, ninguém ajuda ninguém e cada um deve prover seu futuro, principalmente os grandes países estratégicos que não precisam depender de capatazes de fora. O Plano Real é portanto um desvio histórico do caminho nacional e o Brasil deverá voltar ao leito natural de seu caminho independente. O tempo dos processos históricos é imprevisível, mas podemos intuir suas tendências e é isso que o livro procura demonstrar. Pergunta: Podemos dizer que A Escola do Rio é uma obra sobre a atual economia brasileira? André Araújo: Não. O livro enfoca a história do pensamento econômico brasileiro e uma ideologia que é fruto da corrente desse pensamento que hoje dirige a economia e, por via de conseqüência, a política de governo no Brasil. |
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Sobre a Autor Foi também presidente da EMPLASA – Empresa Metropolitana de Planejamento da Grande São Paulo SA, a primeira entidade pública de planejamento de grandes centros urbanos do país, fundada em 1975, para organizar o crescimento dos 39 municípios que compõem a Grande São Paulo. Formou-se em Direito, em 1968, pela Universidade Mackenzie. E fez pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas – EASESP. Atualmente é diretor executivo do CELE – Centro de Estudos da Livre Empresa -, entidade que pesquisa as instituições sindicais e associativas, de caráter patronal no Brasil. Em 1994, foi coordenador-geral da Primeira Conferência Internacional de Centros Empresariais, realizada em Brasília, que contou com a participação de 16 entidades desse gênero das três Américas. Os marxistas no poder – a esquerda chega ao Planalto (Editora Centro de Estudos da Livre Empresa) é o seu primeiro livro. São também suas obras:O Brasil dos patriotas – caminhos da potência emergente (Editora Centro de Estudos da Livre Empresa) e Mercados soberanos – globalismo, poder e nação (Editora Alfa-Omega). Quarta capa É como resultado de um processo que, nesta obra, André Araújo analisa o Plano Real. Processo este iniciado nos anos 40/50 e sempre desenvlvido com a idéia de que o Brasil, por não ter condições de se tornar uma potência industrial, deve manter-se subordinado a um sistema maior, isto é, ao capital estrangeiro. “Os planos de estabilização, por definição, só atacam o efeito final e não as causas. São truques contábeis que visam ajeitar as contas da economia mas não a economia. E sendo mágicas contábeis e não a economia verdadeira, acabam fracassando, pois o truque do mágico acaba sendo descoberto e ninguém mais parga para ver suas mágicas”. Este é o terceiro livro de André Araujo. Os dois primeiros – Os marxistas no poder – a esquerda chega ao Planalto – foram lançados pelo CELE – Centro de Estudos da Livre Empresa. O quarto livro Mercados soberanos – globalismo, poder e nação – também pela Alfa-Omega brindou os leitores com análises bastante enriquecedoras. A Escola do Rio reafirma a proposta da Editora Alfa-Omega que é a de divulgar o pensamento crítico brasileiro. Tábua geral da matéria Parte I 1. O pensamento econômico na escola histórica alemã, 19 2. Raízes do globalismo, 22 3. A ideologia neoliberal rumo à conquista do poder, 28 4. Um mundo estagnado, 31 5. Os planos de estabilidade por meio da história econômica, 35 6. O atual pensamento econômico norte-americano: globalismo e Escola Clássica, 38 7. A economia política como parte das ciências humanas versus o economics americano, 42 8. As duas grandes correntes do pensamento econômico brasileiro, 47 9. A faculdade de economia da USP, 51 10. O globalismo e seu contexto social, 55 11. Os sistemas imperiais e o colaboracionismo, 60 12. A arqueologia do Plano Real, 63 13. O futuro do globalismo, 75 Parte II Parte III Parte IV Parte V |
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