Da Prensa Latina
Semana difícil para o governo francês
(Prensa Latina) A popularidade do governo francês registrou esta semana uma queda gradativa, devido à persistência da crise econômica, do aumento do desemprego e das incoerências dentro do Executivo. Um questionário realizado pelo instituto TNS Sofres revela que o índice de aceitação do presidente François Hollande caiu para 36 por cento, o nível mais baixo em três décadas obtido por um chefe de Estado em seu primeiro semestre.
No caso do premiê, Jean-Marc Ayrault, o apoio a seu gerenciamento é de apenas 34 por cento.
Essa queda do nível de confiança deve-se, em primeiro lugar, às contínuas demissões e ao aumento do desemprego, explica o diretor geral do instituto, Edouard Lecerf.
Segundo as mais recentes estatísticas oficiais, a cifra total de pessoas sem trabalho ultrapassa 3 milhões 57 mil 900, o que significa 10,1 por cento da população em idade ativa.
Outra razão da baixa aceitação popular é a incoerência entre os ministros, a falta de clareza de seu discurso e no governo, opina o analista.
Esta semana, Ayrault iniciou uma forte polêmica quando admitiu a possibilidade de abrir o debate sobre a duração da jornada de trabalho de 35 horas, considerada aqui como uma das principais conquistas do movimento sindical.
Diante da forte rejeição provocada por suas declarações, o próprio premiê assegurou, mais tarde, que seu governo não ampliará a jornada de trabalho, porque essa, disse, não é a causa das principais dificuldades da economia nacional.
O exercício do poder hoje em dia é muito difícil, admitiu o presidente François Hollande em uma entrevista concedida à imprensa, onde abordou os problemas enfrentados neste período, entre eles a crise na zona do euro.
Tanto Hollande como Ayrault têm insistido também na herança deixada ao governo do Partido Socialista (PS) pela administração anterior de Nicolás Sarkozy, da conservadora União por um Movimento Popular.
A respeito, o senador do PS André Vallini disse que o presidente deveria fixar um novo rumo porque o argumento do legado de Sarkozy já não é suficiente para tranquilizar a sociedade.
No final da semana, uma das medidas que provocou uma forte rejeição foi a decisão do governo de prender e extraditar para a Espanha a francesa Aurore Martin, membro do partido basco Batasuna.
Martin é acusada de militar nessa organização política, a qual é clandestina na Espanha, mas cujo funcionamento é legal na França.
A decisão foi repudiada tanto por políticos de esquerda como de direita, e inclusive três parlamentares do governamental PS condenaram a decisão tomada pelo ministro do Interior, Manuel Valls, de cumprir uma ordem europeia que não tinha sido aplicada por seu antecessor, Claude Guéant.
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