
Jornal GGN – Helena Nader, professora da Unifesp, anunciou que deixará a presidência da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) depois de receber críticas por defender um posicionamento neutro da entidade em relação ao governo interino de Michel Temer.
Em ato realizado em Salvador contra a fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, Nader foi criticad e a SBPC foram criticadas pelo professor de química da UFPE, Antonio Carlos Pavão. “Aqui a unanimidade é fora Temer. Estou ouvindo coisas que eu não gostaria de ouvir da SBPC. A SBPC está em cima do muro. Negociou com golpistas, fez reunião com golpistas”, disse o professor. Logo depois, Nader disse que entregaria o cargo e saiu do palco.
Entidades como SBPC e a ABC (Academia Brasileira de Ciências) se posicionaram contra a fusão dos ministérios desde o seu anúncio. O ato em Salvador também pedia a recuperação do orçamento especificamente para Ciência e Tecnologia, que caiu de R$ 9,4 bilhões em 2013 para R$ 4,3 bilhões atualmente.
Para o professor da UFPE, as reuniões do ministro do MCTIC, Gilberto Kassab, com Nader e outros representantes da comunidade acadêmica são uma forma de legimitar o governo interino. “É uma ilusão achar que esse governo vai atender nossas reivindicações”, disse Pavão.
Da Folha
Após críticas, presidente de entidade científica anuncia que entregará cargo
GABRIEL ALVES
Após ser chamada de “pelega” por uma pessoa da plateia em ato contra a fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, a presidente da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), Helena Nader, disse que entregará seu cargo ao conselho da entidade.
O ato fez parte da reunião anual da SBPC, que acontece em Porto Seguro (BA).
Além de protestar contra a fusão, anunciada em maio pelo presidente interino Michel Temer (PDMB), a iniciativa da SBPC pedia a recuperação do orçamento da pasta especificamente para Ciência, Tecnologia e Inovação. Em 2013, ele era de R$ 9,4 bilhões; hoje, é de R$ 4,3 bilhões.
Após Nader, que também é professora de biologia molecular da Unifesp, defender o posicionamento da SBPC de não ser a favor nem contra o governo Temer, o professor de química teórica da UFPE, Antonio Carlos Pavão, pediu o microfone e fez críticas dirigidas a ela:
“Fora Temer e seu bando! Aqui a unanimidade é fora Temer! Estou ouvindo coisas que eu não gostaria de ouvir da SBPC. A SBPC está em cima do muro. Negociou com golpistas, fez reunião com golpistas”, disse ele, referindo-se aos encontros dos quais participaram o ministro do MCTIC, Gilberto Kassab, Helena e outros representantes da comunidade acadêmica.
Depois da fala de Pavão, alguém da plateia gritou “pelega”. Neste momento, Nader pega o microfone, diz que entrega seu cargo e sai do palco.
Diversas entidades científicas, incluindo a SBPC e a ABC (Academia Brasileira de Ciências), se posicionaram contra a fusão dos ministérios desde o seu anúncio, alegando que a perda de um status independente poderia enfraquecer a pasta e obliterar a necessidade de se investir na pesquisa no país. Os órgãos também fizeram reuniões com Kassab.
O ministro tem promovido encontros e feito visitas para azeitar relações com pesquisadores e acadêmicos, mas também tem ouvido manifestações contrárias à fusão
QUESTÃO POLÍTICA
Para Pavão, as reuniões seriam uma forma de legitimar tanto o ministro quanto o governo que o escolheu. “É uma ilusão achar que esse governo [Temer] vai atender nossas reivindicações, esse governo é golpista”, disse à Folha.
“No ato, houve várias manifestações em relação a diferentes posições, inclusive político-partidárias. Até que, de forma agressiva e não democrática, me acusaram de pelega, de chapa-branca e uma série de coisas. Amanhã estou entregando ao conselho da SBPC meu cargo porque não concordo com isso. Não estou aqui em um trabalho pro bono para ser agredida”, disse Helena Nader à reportagem.
Ela afirmou ainda que está sendo injustiçada. “Fui colocada como pró-Temer quando nunca me posicionei nem pró-Dilma nem pró-Temer. Eu tenho a minha posição, mas a SBPC, não. Por isso que a SBPC, de forma sábia, não tomou posição. Não que ela não acredite na política e na política partidária, mas ela representa um todo. Não posso opinar em favor de um grupo ou de outro”, diz.
“A SBPC só sobreviveu 68 anos por causa disso: a gente conseguia discutir, brigar. Hoje não tem mais isso. O que eu espero de verdade é que esses conflitos parem de existir, ainda mais no meio acadêmico.”
Já Pavão diz: “Considerando toda sua história de luta política, a SBPC não poderia ficar com a posição indefinida em relação ao que eu e vários outros colegas classificamos de golpe. Eles alegam que não é unanimidade [ser contra o governo Temer], mas a sociedade só decide coisas por unanimidade?”
Para o professor, acreditar que a melhor estratégia é negociar com Kassab “seria uma ilusão ou ingenuidade, pra não dizer uma adesão ao golpe. De cara, o governo já funde os ministérios: é um sinal de desprezo pela Ciência e pela Tecnologia.
“Todos sabemos do valor da Helena, mas essa decisão [de se posicionar a favor ou contra o governo interino] não deveria ficar restrita à diretoria, mas sim ser definida na assembleia da SBPC.”
Veja abaixo vídeo do ato:
rdmaestri
7 de julho de 2016 2:55 pmNo mundo acadêmico o individualismo nas posições fazem as …
No mundo acadêmico o individualismo nas posições fazem as lideranças esquecerem que elas estão representando um grupo e não a sua vontade. Devido a isto surgem conflitos deste tipo.
Maria Rita
7 de julho de 2016 3:35 pmIgnorar conflitos num momento
Ignorar conflitos num momento crucial como esse é de uma ingenuidade santa. E na universidade, para que as inúmeras vozes sejam manifestadas, é preciso polêmica e debate. Unanimidade é a última coisa que se espera. A frase de Nader “O que eu espero de verdade é que esses conflitos parem de existir, ainda mais no meio acadêmico.”, é digna de Pollyana.
Egomet Leao
7 de julho de 2016 3:41 pmOs acadêmicos de todo o País
Os acadêmicos de todo o País não só podem como devem se posicionar politicamente – poucos são tão capazes como eles para determinar o que é melhor para o País.
E, se em reunião de classe se chega à convicção pela maioria deste ou daquele perfil de classe, eles não só podem como devem se expressar livremente com suas opiniões e, em maioria esmagadora, devem entoar sua posição firme como desejo de classe.
É bem mais correto e lógico do que bater panelas no anonimato e no recolhimento do anonimato.
Wagner F. S.
7 de julho de 2016 3:58 pmHelena Nader tem um ego do
Helena Nader tem um ego do tamanho do mundo e não quer ficar mal com governo nenhum, pois tem interesses pessoais. Lembrando que o Raupp, ex-ministro do Lula e da Dilma, tem grande influência no SBPC e é PMDB desde criancinha (foi diretor do Instituto Politécnico no governo Moreira Franco no final dos 80).
Marco Vitis
7 de julho de 2016 4:29 pmNão existe neutralidade
Os acadêmicos sabem que estão negociando com criminosos, bandidos, ladrões do dinheiro público.
E golpistas contra o Estado Democrático de Direito.
Não venham com essa conversa mole de neutralidade. Não existe neutralidade neste momento da vida política brasileira.
observador1
7 de julho de 2016 5:47 pmSBPC: Estado de Direito ou Estado de Direita?
Nassif, a assessoria de comunicação da SBPC distribuiu a seguinte nota hoje cedo:
“O conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) reuniu-se nesta manhã (7∕7), em caráter extraordinário, e decidiu repudiar com veemência as agressões verbais sofridas por sua presidente, Helena Nader, durante ato público realizado ontem na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), campus Porto Seguro, onde está sendo realizada a 68ª Reunião Anual da SBPC. O ato foi convocado pela própria entidade que luta pela manutenção do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e pela recomposição do orçamento da área de CT&I.
Em consequência às agressões sofridas, Nader colocou publicamente o cargo à disposição do conselho que, na reunião desta manhã, apelou pela sua permanência frente à entidade. Todos os membros do conselho reafirmaram apoio integral à gestão de Nader que vem sendo marcada por uma luta cotidiana pela preservação da área de CT&I.
Em nota de desagravo que será lida hoje à noite, na Assembleia Geral dos sócios da SBPC, os conselheiros da entidade afirmam que “manifestações de caráter violento que visam desqualificar pessoas, e não debater ideias, são incompatíveis com a missão da SBPC e o estado democrático de direito”. Também “recusaram o pedido de renúncia ao cargo da Presidente e após apelo unânime de cada um dos presentes, Helena Nader aceitou prosseguir no exercício do mandato”.
Assessoria de Comunicação – SBPC”.
Ou seja, a entidade continua em crise, como o próprio pedido de demissão de Helena Nader o confirma, uma vez que reagiu ao contraditório de forma intempestiva, ao invés de aproveitá-lo para demonstrar a maturidade e serenidade da sociedade diante das crises – atitude responsável pelo seu êxito durante os chamados “anos de chumbo”da ditadura militar. Além disso, jamais o colegiado que a dirige poderia reagir às críticas tomando partido claramente, ao sacramentar o momento atual como “estado democrático de direito” e não de estado de exceção jurídico-midiático de direita, como os fatos o demonstram. É lamentável que se confunda o desalento e a ansiedade de seus associados com o momento atual com “manifestações de caráter violento”, pois estas últimas quem assumiu foi um governante interino ou temporário, que não respeitou o programa de governo que foi submetido ao voto popular e foi por este consagrado durante as eleições presidenciais de 1998/2002/2006 e 2014, tanto por um operário que participou de suas reuniões anuais durante a ditadura como por uma ex-secretária de C&T pelo Rio Grande do Sul, ambos empenhados no fortalecimento da ciência brasileira. Ao extinguir o ministério de C&T criado há 31 anos e incorporá-lo à pasta das Comunicações, o substituto de Dilma afrontou a própria história da redemocratização, já que sua criação em 1985 foi em decorrência do papel da SBPC como organização não-governamental que abrigou as forças de resistência ao arbítrio e lutou pelo restabelecimento da democracia e das eleições diretas no país. Infelizmente, a fase áurea da SBPC terminou com a eleição de seu antigo conselheiro, FHC, quando sua sede foi transferida de SP para o RJ, de onde retornou há pouco tempo, depois de duas décadas de invisibilidade, sendo esta sexagésima oitava reunião anual o momento em que ela volta a representar o foro em que o princípio do contraditório ganha força diante de circunstâncias adversas ao mesmo na vida nacional, com o partidarismo que assola o Judiciário e a conivência da mídia golpista dando respaldo à corrupção operada pelo Legislativo mais infenso à democracia de nossa história. Por tudo isto, vida longa à SBPC, desde que não confunda mais Direito com direita!