3 de junho de 2026

Dilma ataca ACM Neto em Salvador

Em Salvador, Dilma ataca ACM Neto e diz que Pelegrino joga em seu time

Do Último Segundo/IG

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A presidenta da República, Dilma Rousseff, iniciou seus compromissos eleitorais no segundo turno ao subir no palanque do candidato do PT a prefeito de Salvador, Nélson Pelegrino, nesta sexta-feira (19), no complexo de Cajazeiras, no subúrbio da capital baiana. Segundo a Polícia Militar, 6 a 8 mil pessoas compareceram ao comício da presidenta.

Em alusão à baixa estatura do adversário do PT, ACM Neto (DEM), que mede 1,67, a presidenta disse que Salvador não “pode ter um governinho, um governo pequenininho. Nós temos que ter um grande governo”. Pelegrino, a quem Dilma disse ser companheira “de coração, cabeça e alma”, tem 1,90. 

Em seu discurso de 17 minutos e meio, no qual algumas vezes chamou o bairro de Cazajeiras – “tem horas que eu fico tatibitati, mas é de emoção por estar com vocês”, justificou –, ela, com adesivo do PT no lado esquerdo do peito, alfinetou o DEM, ao lembrar que o partido de ACM Neto foi ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra as cotas raciais. De acordo com o censo 2010, 80% dos 2,7 milhões de moradores de Salvador são negros ou mestiços.

Presidenta Dilma vai a Salvador para apoiar o candidato Nélson Pelegrino

“Tem gente que entrou na Justiça para acabar com a lei das cotas, que chama o bolsa-família de bolsa-esmola, que acha um absurdo o governo subsidiar construção de casas para as pessoas que não têm moradia [referência ao programa do governo federal “Minha casa, minha vida”], que não podíamos e nem devíamos abrir as escolas particulares ao povo, como mais de um milhão de pessoas no Prouni”, disse a presidenta, criticando a legenda de ACM Neto.

De acordo com Dilma, “é obrigação” a Vitória do PT na capital baiana. “Falta uma semana e dois dias [para votação]. Nós temos a obrigação de ganhar essa eleição”, afirmou Dilma. De acordo com ela, Pelegrino é o “jogador” de seu time, endossando a expressão “time de Lula”, fartamente utilizada na campanha petista. 
Debate: Candidatos trocam farpas na televisão

“Quando eu falo de time, eu digo que são pessoas capazes de mudar coisas. Quando, no governo federal, eu, junto com Jaques Wagner [governador baiano, do PT], conseguimos melhorar a situação do Brasil e, aqui no caso, a da Bahia, nós somos que nem um time que marca gol. E o Pelegrino é um jogador e nós precisamos dele”.

Dilma ainda afirmou que seu governo é ‘do bem” não discrimina nem persegue ninguém, mas o candidato que está ao seu lado é Pelegrino.

A presidenta chegou a tropeçar em alguns momentos de sua fala. Em um determinado momento, referiu-se a quem estava à sua esquerda. “O meu time é o do vice-governador Otto Alencar, do Mário Kertész [candidato do PMDB no primeiro turno] e do companheiro…” e esperou o deputado estadual Deraldo Damasceno (PSL) soprar o seu próprio nome para concluir “… companheiro Damasceno”. Minutos mais tarde, ao saudar os candidatos derrotados no primeiro turno e que agora apoiam o petista, citou Kertész, Rogério Tadeu da Luz (PRTB) e se esqueceu do nome de Márcio Marinho (PRB), sendo lembrada pelas pessoas que estavam no palanque

Já o governador da Bahia, Jaques Wagner, desdenhou da pesquisa do Ibope divulgada nesta sexta, na qual ACM Neto lidera com 47% das intenções de voto. Pelegrino está com 39% . O governador lembrou de erros cometidos pelo instituto no Estado e que fez uma pesquisa na qual constata que o petista está cinco pontos à frente do DEM.

O governador fez referência ao ultimo capítulo da novela “Avenida Brasil”, da Rede Globo, para criticar seus oponentes.

“Vocês sabem quem matou o Max [personagem do folhetim]? Eu também não sei. Mas eu sei quem vai salvar Salvador: é 13”. Wagner também disse que “quem não cuidou em 40 anos não é agora que vai cuidar”, em uma referência ao carlismo, corrente política hegemônica na política baiana por décadas, e liderada pelo avô de ACM Neto.

Pelegrino, por sua vez, prometeu uma série de melhorias para Cajazeiras como a chegada do metrô, a construção de avenidas, a instalação de UPAs e melhorias nos postos de saúde, e uma escola técnica federal, entre outras ações.


Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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