Por Marco Antonio L.
Do Opera Mundi
Austrália gastou US$ 24 milhões para ter assento no Conselho de Segurança da ONU
Dinheiro foi usado em viagens, recepções e programas de ajuda humanitária
A vaga conquistada pela Austrália no Conselho de Segurança das Nações Unidas parece ter custado mais caro do que a dos demais países eleitos pela Assembleia Geral nesta quinta-feira (18/10). Conforme noticiou a imprensa local momentos após o resultado da votação, o governo australiano já desembolsou, desde 2008, pelo menos 24 milhões de dólares para atingir esse objetivo, em ajudas humanitárias para países africanos e em viagens e recepções diplomáticas.
Na saída da sede da ONU, Bob Carr, o chanceler do governo de Julia Gillard, disse que “é sempre bom ver a Austrália vencer, e essa é uma grande, suculenta e decisiva vitória”. Ele avalia que “o custo desses esforços valeu cada centavo”, já que, a seu ver, “agregou à boa reputação da Austrália perante os olhos do mundo”.Carr alega que os 24 milhões de dólares foram mobilizados pelo Programa Nacional de Visitas Especiais, que organizou a viagem de pelo menos cem diplomatas estrangeiros à Austrália. Segundo ele, “esses são os futuros chanceleres de outros países” e, “em um período de dez anos, chanceleres de metade do mundo já terão visitado a Austrália”.
No que diz respeito a programas de ajuda humanitária, a Austrália desembolsou mais de três bilhões de dólares desde 2008, ano em que o antecessor de Julia Gillard, o também trabalhista Kevin Rudd, inaugurou a campanha do país pelo assento rotativo. Foram diversas as linhas de crédito disponibilizadas especialmente para a África, continente onde a diplomacia de Canberra tentava angariar os votos de ao menos 53 nações.
Em 2009, o governo australiano bancou 18 dias de viagem do governador geral Quentin Bryce pela África. Entre hospedagem, alimentação, presentes e transportes, foram desembolsados 700 mil dólares. Em outra ocasião, 23 embaixadores de países do Oceano Pacífico, do Caribe e também da África foram à Austrália bancados pelos anfitriões.
Também durante o governo de Rudd, representantes australianos nas Nações Unidas voaram para Canberra em primeira classe, com direito a um jantar aéreo regado a vinho.
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