Por Lilian Milena, Do Brasilianas.org
A principal surpresa nessas eleições, entre as capitais de maior destaque, foi São Paulo, onde o candidato do PRB, Celso Russomanno, que chegou a liderar as pesquisas de intensão de votos com 35% terminou com 21% dos votos válidos, classificado em terceiro lugar, no primeiro turno.
Durante o programa Brasilianas.org, realizado agora de noite, na TV Brasil, o professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), Luiz Fernando Abrucio, destacou que em apenas duas semanas Russomanno caiu 14 pontos percentuais, permitindo que os candidatos do PSDB e PT, José Serra e Fernando Haddad, respectivamente, voltassem a polarizar o segundo turno das eleições paulistanas.
O motivo da ascensão de Celso Russomanno, no inicio das campanhas, foi a imagem desgastada, tanto de Serra quando do próprio Partido dos Trabalhadores. Abrucio lembrou que os demais postulantes à prefeitura demoraram muito para iniciar uma estratégia para reverter a situação. A abertura aconteceu por erro do próprio Russomanno, quando anunciou uma política para transportes públicos na cidade que cobraria valores diferenciados, dependendo da distância do percurso entre a periferia e o centro de São Paulo. O mais incisivo foi Gabriel Chalita (candidato do PMDB) com a campanha onde pedia para os paulistanos tomarem cuidado com “o grande aventureiro”.
“Logo depois que começou a sofrer os ataques em relação ao bilhete único, Celso Russomanno se escondeu por dois dias em casa; por dois dias não fez campanha. Isso mostra que, tanto a mídia como nós, cientistas políticos, não tínhamos dimensão da fragilidade de sua campanha”, destacou Abrucio.
Para Aldo Fornazieri, diretor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), quem decidiu o segundo turno das eleições em São Paulo foram “as forças das ruas”.
“Numa conjuntura de indecisos, como foi o caso da capital, quem leva a eleição é quem tem mais força social, e os dois partidos que mantinham, inclusive, um conjunto de vereadores mais compactos para puxar o eleitorado pelas questões sociais foram PT e PSDB”, ponderou.
Por falar em indecisos, a soma de votos brancos e nulos em toda a capital foi de 12,78%. Ainda, segundo Abrucio, se contabilizado esse total com o número do eleitorado que se absteve em São Paulo, o percentual final de paulistanos que não escolheram nenhum prefeito foi de 28%.
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