4 de junho de 2026

O ‘peixe’ dos gráficos das pesquisas de voto em São Paulo

Do Estadão

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Pesquisa eleitoral revela peixe raro em São Paulo

José Roberto de Toledo

Celso Russomanno (PRB) saiu de baixo e subiu, cruzou a trajetória de José Serra (PSDB), liderou sozinho durante 40 dias e começou a cair rapidamente. O tucano fez o caminho inverso e agora os dois se encontram de novo, mas em sentidos opostos. Pelo caminho, deixaram desenhado um peixe raro no gráfico das pesquisas eleitorais. Agora o peixe está fechando a boca.

É comum um candidato partir do alto, liderar durante um tempo e cair no final. São os casos de Humberto Costa (PT) no Recife e de Moroni Torgan (DEM) em Fortaleza. Também é frequente um candidato sair do nada e terminar na frente. Vide Geraldo Júlio (PSB) no Recife ou Luiza Erundina (então no PT) em São Paulo em 1988. Mas é incomum um candidato sair de baixo, crescer, liderar isolado por semanas e acabar despencando.

Houve a vida, paixão e morte eleitoral de Ciro Gomes (PSB) na eleição presidencial de 2002. Ele cresceu rapidamente entre julho e agosto, ultrapassou Serra na segunda colocação, mas destemperou-se em entrevista a uma rádio, despencou e acabou em quarto lugar. Mesmo assim, Ciro nunca chegou a liderar as pesquisas. O caso de Russomanno vai render muita pesquisa acadêmica e “papers” em congressos de opinião pública.

É possível atribuir o fenômeno a um conjunto de fatores, mas se nenhum deles é suficiente para explicá-lo sozinho, uma condição foi absolutamente necessária. Sem ela não haveria RUssomanno: o desejo de boa parte do eleitorado de que haja uma renovação das disputas eleitorais, uma alternativa à polarização PT-PSDB. Não é por acaso que Gabriel Chalita (PMDB) tem acolhido boa parte dos eleitores que emigraram de Russomanno.

Com a suspensão da propaganda na TV e no rádio, a campanha eleitoral acabou na prática. Sem o debate da Rede Globo, de agora até a eleição só haverá a inércia captada pelas mais recentes pesquisas de intenção de voto. E ela é cruel com Russomanno. A projeção das tendências de Ibope e Datafolha antecipa uma provável ultrapassagem de Russomanno por Serra e um empate técnico entre ele e Haddad no segundo lugar.

Pode ser que antes disso o candidato do PRB bata em um piso invisível e contenha sua queda livre, mas esse será um fato novo, do qual não há sinal em nenhuma pesquisa ou tracking. O cenário projetado pelas pesquisas é que o peixe feche a boca e a disputa pela segunda vaga no segundo turno seja entre Haddad e Russomanno. Isso se Chalita não acelerar e entrar no bolo. Se a tendência se confirmar, o peixe raro pode morrer na praia.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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