4 de junho de 2026

Os desequilíbrios entre os países da zona do euro

Do Estadão

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Visões hipóteticas do euro

Paul Krugman

Por meio do The Irish Economy, um novo documento do FMI examina como, exatamente, enormes desequilíbrios correntes surgiram dentro da Europa, com a Alemanha contabilizando grandes superávits e os GIPSI (grupo formado por Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) registrando grandes déficits.

O jornal mostra que houve de fato imensos fluxos de capital do centro da Europa para a periferia, sendo que na Espanha eles adquiriram a forma de empréstimos para bancos, possivelmente por outros bancos:


A surpreendente conclusão do documento no jornal é que grande parte do aumento desses desequilíbrios se deu em razão de transações com nações fora da zona do euro. A Alemanha aumentou drasticamente as exportações para a Ásia e Europa do Leste, que importam muitos produtos manufaturados duráveis dos alemães. Por outro lado, a Europa meridional observou um forte aumento nas importações de países onde os salários são baixos.

O informe leva a duas questões: em primeiro lugar, o que isso diz sobre as causas dos desequilíbrios do euro? Segundo, o que diz sobre o ajustamento agora exigido?

Quanto à primeira questão, devemos dizer que fatores externos, e não os fluxos de capital do centro para a periferia foram responsáveis por esses enormes desequilíbrios? Não acredito. Se a Espanha não tivesse recebido essas injeções de capital não teria tido um boom econômico, na verdade teria enfraquecido devido às importações crescentes da Ásia e seus salários teriam aumentado menos do que na Alemanha, não mais. (E naturalmente se ainda tivesse sua própria moeda, esta sofreria uma depreciação). Assim, num sentido macroeconômico, acho que você ainda diria que o excesso de confiança engendrado pelo euro provocou os desequilíbrios dentro da Europa.

No caso da segunda questão, devemos afirmar que a desvalorização interna é menos urgente porque os fatores externos ajudaram a provocar os desequilíbrios originais? Pelo contrário, a desvalorização interna se tornou ainda mais necessária – e o porte da variação de salários relativos maior – para o euro sobreviver. Pense nisto: se mudanças seculares nos padrões de comércio são, num sentido aproximado, responsáveis e em parte, pelo déficit comercial da Espanha e os superávits acumulados pela Alemanha desde 1999, isso indica que mesmo que você consiga que os salários relativos retornem aos níveis de 1999, a Espanha ainda registrará um déficit e a Alemanha um superávit – de modo que é preciso ir além desse ponto.

Um tema para reflexão – e para mais pessimismo quanto ao euro.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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