4 de junho de 2026

Pe. José Maurício Nunes Garcia, compositor sacro e profano

Nassif, a partir de pequisa aqui no blog, pegando um recorte aqui e outro lá, bem como vídeos postados pelos comentaristas, elaborei este post sobre Nunes Garcia, compositor sacro e profano do período colonial. Ele vestiu a batina para exercer sua vocação musical, sua arte. Não sei pq esse trecho me lembrou do,…ah, deixa prá lá….rsss

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” Beijo a mão que me condena
A ser sempre desgraçado
Obedeço ao meu destino
Respeito o poder do fado
Que eu ame tanto
Sem ser amado
Sou infeliz
Sou desgraçado ”


Ficheiro:JoséMNunesGarcia.jpg


“Compositor Brasileiro: José Maurício Nunes Garcia (1767 – 1830)

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 ” Se não me amas, não me digas a verdade”
Um mulato, descendente de escravos, foi o maior compositor erudito brasileiro do século 18 e, talvez, o maior compositor sacro das Américas em seu tempo.

O padre José Maurício Nunes Garcia, autor de mais de 400 obras, viveu no Rio entre 1767 e 1830. Com a chegada da família real em 1808, D. João VI, impressionado com o padre, o nomeia mestre da Capela Real.

Uma de suas principais obras é a Missa de Santa Cecília, comparável a peças do austríaco Joseph Haydn (1732-1809). Mas também enveredou por temas profanos, na música e na vida.

Compôs modinhas como Beijo a mão que me condena e Marília, se não me amas não me digas a verdade. Teve por companheira Severiana Rosa de Castro, que lhe deu seis filhos. Um deles, José Maurício Nunes Garcia Jr., foi médico e compositor de lundus e modinhas.

 

http://almanaquebrasil.com.br/personalidades-musica/5209-qse-nao-me-amas-nao-me-digas-a-verdadeq.html

Nasceu no Rio de Janeiro (1767). É considerado por muitos o mais importante compo­sitor brasileiro do Período Colonial, bem como o mais importante compositor não europeu de sua época. 

Sua ordenação como sacerdote, aos 25 anos de idade, que muitos biógrafos atribuem menos à vocação, do que por razões de possibilidade de ascensão social e econômica, foi o caminho direto para a sua carreira musical. Além de poucas aulas de música teve seu aprendizado baseado no estudo de partituras dos mestres europeus como Haydn e, em menor escala, Mozart. Teve destacada atuação como professor de música, sendo um pioneiro do ensino público e gratuito de música no Brasil, tendo sido ainda autor de um compêndio de música e um método de pianoforte. No ano de 1798 foi nomeado mestre-de-capela da Catedral e Sé do Rio de Janeiro, com responsabilidades de compositor, regente e organista, além de organizar as cerimônias religiosas realizadas na Sé. Faleceu em 1830 e é patrono da cadeira nº5 da Academia Brasileira de Música. Documentos comprovam uma produção superior a 400 obras, na maioria sacras. Sua obra prima é a Missa de Réquiem, de 1816, composta para as exéquias de Dª. Maria I, e sua última obra é a Missa de Santa Cecília, de 1826. (Ficha Youtube)

Postado pelo comentarista Oplutão(Sérgio de Brito):

O padre José Maurício Nunes Garcia (Rio de Janeiro22 de setembro de 1767 – 18 de abril de 1830) foi um compositor brasileiro de música sacra que viveu a transição   entre o Brasil Colônia e o Brasil Império. É considerado um dos maiores compositores dasAméricas de seu tempo.

Nunes Garcia era um religioso, mas conhecedor das ideias iluministas, compositor, regente, virtuose do órgão e do cravo, professor renomado, autor de modinhas e, por fim, mestre-de-capela da  da cidade (posto mais importante para um músico no Brasil Colônia).

De origem humilde, sua história está entrelaçada a fatos marcantes da história brasileira. No começo do século XIX, o músico mulato atinge estatura intelectual e herda um legado precioso de compositores, mulatos-livres que alcançaram prestígio com a música, como Francisco Gomes da RochaMarcos Coelho NetoIgnácio Parreiras Neves eJosé Joaquim Emérico Lobo de Mesquita

No final do século XVII torna-se aluno do poeta e bacharel Silva Alvarenga, um dos fundadores da Sociedade Literária, difusora das ideias do Iluminismo

É assim que José Maurício busca o único caminho para o exercício da profissão de músico à época: tornar-se padre.

José Maurício era filho de Apolinário Nunes Garcia e Victória Maria da Cruz. Ele, da Ilha de Paquetá, filho de escrava. Ela, também filha de uma escrava da Guiné, que veio para o Rio de Janeiro acompanhando seu “senhor”. Aí se conheceram – ambos “pardos forros” – como se chamavam os filhos livres de escravos -, e casaram-se na Igreja de Santa Rita de Cássia. Desde cedo revela-se talentoso para a música. Aos 16 anos compõe sua primeira obra, uma antífona para a Catedral e Sé do Rio de Janeiro: Tota pulcra es Maria (1783).

Sua trajetória, entretanto, não foi tranquila. O músico nasceu na Rua da Vala, caminho para o Valolongo – mercado de escravos do Rio de Janeiro (1767). Aos seis anos perde o pai e passa a ser criado pela mãe com a ajuda de uma tia. As duas mulheres,lavadeiras, percebem o interesse do menino para a música e trabalham em dobro para custear as aulas particulares com o professor Salvador José de Almeida Faria, músicomineiro que trazia na bagagem toda a tradição clássica setecentista.

Em 1792, o neto de escravos é ordenado padre e, em 1798, torna-se mestre-de-capelada  Catedral do Rio de Janeiro.

Como mestre-de-capela, Padre José Maurício Nunes Garcia compunha novas obras e dirigia os músicos e cantores nas cerimônias da Sé, além de atuar ele mesmo comoorganista.

Em 1808, a chegada da Família Real Portuguesa, além de transformar a cidade do Rio de Janeiro, influi diretamente na vida do compositor. A cidade passa a ser a sede administrativa da corte: ganha a Biblioteca Nacional, a Imprensa Régia, o Jardim Botânico, a Academia de Belas Artes e o Museu Nacional e, o mais importante para o Nunes Garcia, a Capela Real que passa a receber músicos de toda a Europa.

Príncipe-Regente D. João VI, grande admirador de música, nomeia o padre José Maurício mestre da Capela Real, recém-criada nos moldes da que existia na corte lisboetae formada por músicos locais e europeus. A Capela Real funcionava na Igreja do Carmoda cidade, que passou a ser também a catedral.

O período entre 1808 e 1811 é o mais produtivo de Nunes Garcia, durante o qual ele compõe cerca de setenta obras. Em 1809, D. João VI condecora-o com o Hábito da Ordem de Cristo, sinal da grande estima que tinha pelo músico. Não escapou porém do preconceito de alguns membros da corte, que se referiam à sua cor de pele como um “defeito visível”.

Em 1811 chega à corte Marcos Portugal, o compositor português mais célebre do seu tempo, que tinha suas obras apresentadas por toda a Europa de então. A fama do recém-chegado leva D. João VI a pôr Marcos Portugal à frente da Capela Real, substituindo Nunes Garcia. O brasileiro continua, porém, a ser custeado pelo governo e a compor esporadicamente novas obras para a Capela Real.

Em 1816 dirige na Igreja da Ordem Terceira do Carmo um Requiem, de sua autoria, em homenagem à rainha portuguesa D. Maria I, morta naquele ano no Rio. Em 1816 chega à corte o compositor austríaco Sigismund Neukomm, que estabelece uma grande amizade com o brasileiro. Mais tarde Nunes Garcia dirige as estreias brasileiras doRequiem de Mozart (1819) e de A Criação de Haydn (1821).

O empobrecimento da vida cultural após o retorno de D. João VI a Portugal e a crise financeira depois da Independência do Brasil (1822) causaram uma diminuição da atividade de Nunes Garcia, agravada pelas más condições de saúde do compositor. Em 1826 compôs sua última obra, a Missa de Santa Cecília, para a irmandade de mesmo nome. Morreu em 18 de abril de 1830. Apesar de ser padre, teve cinco filhos, dos quais reconheceu um.

O padre José Maurício floresceu numa época crítica para a história brasileira. O Rio de Janeiro, pouco antes da chegada da corte portuguesa, culturalmente em nada se distinguia dos demais grandes centros nacionais – SalvadorRecifeMinas GeraisSão Paulo. A presença real no Rio mudou esta situação radicalmente e de improviso, atraindo todas as atenções e passando a ser o centro de irradiação de estéticas novas, nomeadamente o neoclassicismo, com o abandono da tradição barroca que até então continuava a exercer grande influência em todo país. É certo que esta tradição ancestral não feneceu imediatamente, mas, dali em diante, o patrocínio oficial à vertente neoclássica foi o golpe mortal nela infligido, e do Rio irradiou-se uma visão diferente que aos poucos dominaria em todo o território, em particular pela atuação da Missão Francesa e de outros artistas que chegaram da Europa.

José Maurício tinha luzes surpreendentes para alguém de sua origem e condição social. Pobre, mulato, perdendo o pai cedo e sendo educado com grande dificuldade, até hoje não se sabe exatamente como conseguiu adquirir a cultura que seus primeiros biógrafos reiteradamente alegam ter-lhe pertencido. Seu progresso na Igreja foi muito rápido, a ponto de ser dispensado de formalidades e pré-requisitos, onde a ascendência de sangue escravo era um estorvo considerável para uma carreira eclesiástica e mesmo mundana bem sucedida naquela sociedade escravocrata e preconceituosa. Mais tarde foi indicado Pregador Régio da Capela Real, e o bispo seu superior declarou que ele era um dos mais ilustrados sacerdotes de sua diocese.

Antes do período cortesão suas composições se ressentem da escassez de recursos humanos e técnicos do ambiente, a diversas peças suas traem a indisponibilidade de instrumentistas, forçando-o a adotar soluções fora da ortodoxia como acompanhamentos reduzidos ao órgão, ou às madeiras. Durante bom tempo as aulas de teoria e prática musical que ministrava tinham de ser realizadas apenas com a viola de arame, não podendo contar sequer com um cravo ou pianoforte.

Indicado Mestre de Capela da corte, e seu arquivista, teve acesso à importantebiblioteca musical da Casa de Bragança que Dom João VItrouxe consigo, contribuindo para sua instrução geral, para uma maior variedade de gêneros musicais trabalhados e para o conhecimento da obra de grandes mestres europeus como Mozart e Haydn. Os muitos músicos e cantores altamente qualificados contratados pelo rei em sua chegada, que formaram uma orquestra considerada por todos os conhecedores e os viajantes estrangeiros como uma das melhores do mundo em seu tempo, possibilitaram que aprofundasse sua técnica de instrumentação e escrita vocal.

Os seis filhos que teve com Severiana Rosa de Castro eram um fato embaraçoso para um padre que subira a uma alta posição, e isso possivelmente contribui para o gradualostracismo a que foi submetido a partir da chegada ao Rio de Marcos Portugal, celebrado operista português neoclássico que logo caiu nas graças da nobreza. O estilo vocal profusamente ornamentado derivado da ópera napolitana que passou a ser privilegiado na corte, mais sua inapetência para a música profana, foram outras pedras de tropeço para o padre tímido e ingênuo que desenvolvia um estilo direto e de melodismo simples e sincero que ainda tinha raízes plantadas na tradição rococó, e logo sua música caiu de moda. Suas tentativas de adaptação ao gosto vigente foram uma violência que exerceu contra si mesmo e sua música, em busca da aprovação do monarca que admirava, e as composições que escreveu depois da chegada de Marcos Portugal já não possuem o fervor religioso espontâneo e tocante que mostram suas obras anteriores, como a série de motetos a capella das Matinas de Finados, de 1809, intensamente expressivos, embora tenham evidenciado sensíveis avanços técnicos que possibilitaram a criação de obras de grande envergadura como a Missa de Santa Cecília, de 1826.

Seu declínio se acentuou com a partida de Dom João e com o vazio que isso produziu na cena musical carioca. Seu sucessor Dom Pedro I, apesar de amante da música e simpático ao padre, não pôde manter a pensão do compositor, e ele teve de fechar sua escola. Um de seus filhos, escrevendo sobre o pai nesta fase de obscurecimento, fala de sua frustração, de um envelhecimento precoce e de doenças crônicas que perturbaram sua produção e paz de espírito.

A apreciação contemporânea o considera o maior compositor brasileiro de seu tempo, mas critica suas concessões aos modismos que não encontravam eco verdadeiro em sua natureza, e certa contenção excessiva em sua escrita, que nunca mostra rasgos mais audazes ou experimentalismos. Sua produção conhecida chega a cerca de 240 obras, muitas delas redescobertas ou restauradas em meados do século XX por Cleofe Person de Mattos, musicóloga que teve papel fundamental na revalorização da música do período colonial brasileiro. Hoje em dia suas composições voltaram às salas de concertos e recitais em igrejas, já tendo diversas delas gravadas e publicadas.

Principais obras:

  • Música dramática: Le Due gemelleCoro para o entremês (1808); O Triunfo da América (1809); Ulisséia (1809).
  • Música orquestral: Sinfonia fúnebre (1790); Sinfonia tempestade.
  • Modinhas: Beijo a mão que me condenaNo momento da partida.
  • Música instrumental: Doze divertimentos (1817).
  • Música sacra: Tota pulchra es Maria (1783); Ecce sacerdos (1798); Bendito e louvado seja (1814 e 1815); Christus factus est (1798?); Miserere para Quarta-feira de trevas (1798); Libera me (1799); Missa de Réquiem(1799); Ofício de defuntos (1799); Judas mercator (1809); Matinas da ressurreição (1809?); Missa de Requiem (1809); Missa de Réquiem (1816);Missa de Santa Cecília (1826)
 

As músicas dos vídeos abaixo relacionados:

1-  Modinha: Beijo a Mão Que Me Condena

2- Réquim. Escrito para a rainha D. Maria I

3- KYRIE (da missa de requiem, 1816)

4- Sinfonia Fúnebre. Por Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, sob a regência de  Rubens Ricciardi.

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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