Crise do capitalismo
Uma crise financeira?
Trata-se da crise de um sistema social esgotado, do qual o sistema financeiro é o principal componente, devido ao alto grau de parasitismo que distancia, cada vez mais, os capitalistas da economia real

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28 de setembro de 2012
Considerar a crise capitalista mundial como uma crise financeira, conforme é feito pela imprensa e os ideólogos burgueses, tem como objetivo passar a ideia de que se trata de um problema relacionado com os bancos, minimizar a verdadeira magnitude do problema, restringi-la a apenas um dos aspectos. Nada poderia estar mais longe da realidade. Todos os setores da economia e da sociedade capitalista estão envolvidos na pior crise da história.
Ao mesmo tempo, não se trata de uma crise criada, formatada e muito menos controlada pelos especuladores de Wall Street ou da Citi de Londres.
A possibilidade da burguesia escapar ou conter essa crise é nula. O melhor que pode fazer, é o que já está fazendo, empurra-la para a frente.
Trata-se de um crise do sistema capitalista como um todo, do qual o sistema financeiro é o principal componente, devido ao alto grau de parasitismo que distancia, cada vez mais, os capitalistas da economia real.
A origem da crise capitalista atual
A bancarrota de 1929, abriu um ciclo de crise em alta escala, que jogou a economia norte-americana numa depressão da qual somente se recuperou, parcialmente, em 1939-1940, com o aumento dos investimentos públicos, a formação do complexo militar industrial e a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
A crise de 1929 tem na origem a própria formação dos monopólios imperialistas nas três últimas décadas do século XIX, que acirrou a luta pela disputa do mercado mundial e conduziu à Primeira Guerra Mundial (1914-1918).
Nos anos de 1930, o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, tentou conter a crise por meio de vários programas, inclusive a contratação de empregados públicos em massa, a maioria deles muito parecidos com os que Obama tem colocado em prática. Mas todos eles fracassaram, da mesma maneira que têm fracassado nos últimos cinco anos. O programa WPA (Works Progress Administration), implementado em 1935, tinha contratado 3,4 milhões de pessoas até 1936, inclusive todos os artistas que estavam desempregados, o que levou a um verdadeiro florescimento da cultura antes em locais remotos dos EUA. O aumento do desemprego em 1938 e 1939, e a entrada dos EUA na Guerra em 1940 levaram ao cancelamento do WPA.
Os chamados “anos dourados” do capitalismo começaram com o Plano Marshall em 1948, se mantiveram com enormes gastos públicos e foram enterrados definitivamente em 1974, com a crise mundial do petróleo.
As políticas neoliberais implementadas a partir da década de 1980 tinham como objetivo diminuir a pressão sobre as finanças públicas, conter a crise aberta em 1974 e viabilizar os lucros dos capitalistas que estavam em queda devido à atuação das próprias leis do capitalismo. Esses objetivos foram atingidos, de maneira parcial, por meio da incorporação de milhões de novos trabalhadores que, na maioria, ganhavam salários de apenas US$ 30 por mês.
A crise capitalista atual, cuja origem oficial é colocada no mês de dezembro de 2007, confirma o esgotamento das políticas neoliberais, que representaram a última grande alternativa de contenção. Na época, existiam sete milhões de desempregados (dados oficiais) nos EUA. Em 2009, o número duplicou. Considerando os desempregados não contabilizados, como os “desencorajados” (há mais de dois anos sem emprego) e os que têm trabalhos em tempo parcial, mas que gostariam de tê-los em tempo integral, o número dispara para, pelo menos, 18% segundo o próprio BLS (Escritório de Estatísticas de Trabalho). O número de processo judiciais contra pessoas que não conseguiam pagar as mensalidades dos imóveis passou para mais de 300 mil por mês.
A crise de 1974
Durante os anos 1930, houve deflação, os preços caíram, o que provocou que o poder de compra se mantivesse, apesar da profundidade da crise e dos altos níveis de desemprego.
O poder de compra começou a cair de maneira acelerada nos anos de 1970, principalmente, após o presidente Richard Nixon ter acabado com o lastro em ouro do dólar, em 1971, pois não mais o governo conseguia sustenta-lo.
Os trabalhadores passaram a trabalhar um número de horas maior para compensar a perda do poder de compra. O dobro do número de mulheres entrou no mercado de trabalho, de 40% do total para 80%, em parte devido aos movimentos de libertação feminina, mas também para complementar a renda familiar.
A taxa de poupança interna despencou. Os EUA passaram a tomar dinheiro emprestado do exterior por meio, principalmente, de crescentes emissões de títulos públicos.
O percentual de endividamento das famílias passou de 25% a 35% dos ingressos para mais de 120%. Aproximadamente 20% dos ingressos mensais passaram a ser destinados ao pagamento de dívidas.
Entre a década de 1920 e 1970 os salários aumentaram, mas a produtividade do trabalho também tinha aumentado.
A partir da década de 1970, os capitalistas têm registrado os maiores lucros da história. A produtividade continuou aumentando, alavancada pela introdução da computação em larga escala, enquanto um número enorme de trabalhadores perdiam os empregos. A migração de enormes setores industriais, dos países desenvolvidos, levou ao sucateamento do setor manufatureiro nesses países. Hoje, pelo menos 60% dos produtos que a China exporta para os EUA são produzidos por multinacionais norte-americanas.
A queda dos salários dos trabalhadores norte-americanos foi compensada pela disparada do crédito, que provocou o endividamento e a disparada da inadimplência.
O neoliberalismo: o canto do cisne capitalista
A burguesia imperialista começou a estruturar a saída para a crise capitalista de 1974, da qual nunca conseguiu se recuperar, a partir da palavra de ordem levantada, em 1979, pelo então secretario de Estado dos EUA, Henry Kissinger: era necessário impor os interesses do imperialismo no mundo a qualquer custo. Desta maneira, nasceram a lei de propriedade intelectual, os direitos autorais, a OMC (Organização Mundial do Comércio), as privatizações a preço de banana, a superexploração dos trabalhadores, os ataques contra o movimento operário mundial em cima dos salários dos semiescravos asiáticos que permitiam vender produtos baratos no mundo todo e controlar a inflação.
Essas políticas, foram a última grande tentativa do capitalismo de salvar-se da bancarrota. Nunca mais terá a possibilidade de incluir no mercado capitalista mundial, com salários baixíssimos, os bilhões de trabalhadores chineses, indianos, russos e os da Europa Oriental.
A primeira comprovação do esgotamento dessas políticas aconteceu no início da década passada com a crise das bolsas, que tinham se tornado o foco da especulação financeira. A Nasdaq (bolsa de valores de empresas de tecnologia) caiu de 5.000 pontos para os menos de 3.000 atuais. Enormes volumes de capitais migraram para a especulação imobiliária nos EUA e demais países imperialistas; até para Dubai migraram, inicialmente, US$ 60 bilhões.
Os títulos hipotecários passaram a ser comercializados em cestas de derivativos, com vários mecanismos de apostas e contra-apostas, que converteram o mundo num casino financeiro. Esse castelo de cartas colapsou com a bancarrota do banco norte-americano Lehman Brothers e da maior asseguradora do mundo, a AIG em 2008.
As políticas que têm sido implementadas nos últimos cinco anos representam a repetição das anteriores, mas com algumas peculiaridades que tornam a situação atual muito mais explosiva que a anterior. O estado burguês aumentou o papel a tal grau que passou a garantir o funcionamento integral do capitalismo, inclusive de setores que antes de 2007 estavam nas mãos de particulares: os lucros do sistema financeiro, as hipotecas, os resgates dos capitalistas falidos, os lucros de todos os capitalistas. Os recursos provêm dos impostos, da tomada de empréstimos (no caso dos EUA, são tomados do exterior, pois o endividamento privado norte-americano está no gargalo) e, em escala cada vez maior, da criação de dinheiro do ar, por meio da impressão de moeda sem lastro produtivo.
O altíssimo grau de estatização do sistema capitalista e de socialização da crise reflete o crescimento da estrutura da sociedade socialista dentro das entranhas da sociedade atual, o que significa que o socialismo não é uma mera tendência, como é preconizado pela maioria da intelectualidade pequeno-burguesa, mas uma necessidade histórica, ao qual conduzem, inevitavelmente, as leis da evolução da sociedade, que independem das ideias brilhantes de tal ou qual intelectual, que, no melhor dos casos, refletem essas leis.
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