4 de junho de 2026

Cerca de 10 mil mineiros em greve marcham pela África do Sul


Segundo a Lonmin - terceira maior produtora mundial de platina -, apenas 6,3% dos seus trabalhadores de turno haviam aparecido para trabalhar nesta segunda-feira
Foto: REUTERS/Siphiwe Sibeko

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MARIKANA, África do Sul — Cerca de 10 mil mineiros sul-africanos em greve marcharam de uma mina da Lonmin para outra nesta segunda-feira, ameaçando matar quem furasse a greve, enquanto outra paralisação afetava a Gold Fields, quarta maior mineradora de ouro do mundo. As negociações salariais para acabar com a greve na Lonmin, que já dura um mês e causou a morte de 40 pessoas, não começaram conforme previsto. Manifestantes com paus e facões ameaçavam matar quem furasse greve.

Um mediador independente disse que só poderia participar do processo se os trabalhadores voltassem ao trabalho até o prazo desta segunda-feira, mas a grande maioria não retornou. Segundo a Lonmin – terceira maior produtora mundial de platina -, 6,3% dos seus trabalhadores de turno haviam aparecido para trabalhar nesta segunda-feira, em comparação com 2% na sexta-feira. Os problemas trabalhistas, alimentados em parte pelas gritantes disparidades de renda na África do Sul, vêm se espalhando do cinturão de platina para o setor de ouro, deixando os investidores nervosos.

A coluna de grevistas em marcha, que aumentou ao longo do dia, encheu uma estrada de duas pistas e se estendia por mais de um quilômetro, vigiada por uma escolta fortemente armada da polícia de choque. Muitos manifestantes estavam armados com paus, lanças e facões, aos gritos de“os homens brancos estão tremendo!” e “os policiais que nos atiraram estão tremendo!”.

– Estamos procurando gente trabalhando. Se encontrarmos, temos que matá-los – disse Umpho, um perfurador de rocha de 23 anos de idade que não quis dar seu sobrenome, empunhando uma vara.

A crescente agitação trabalhista na maior economia da África, que também é o maior produtor mundial de platina, está desafiando a alegação do partido governista Congresso Nacional Africano de ser um defensor dos interesses dos trabalhadores, ao mesmo tempo que tenta promover um crescimento estável. Nesta segunda-feira completa-se um mês que 3 mil trabalhadores da mina de platina em Marikana abandonaram seus postos de trabalho para exigir melhotias de suas condições laborais e aumento dos salários. Desde então, sucessivos protestos e confrontos entre os trabalhadores e forças de segurança levaram a morte de pelo menos 40 mineiros, dois guardas e dois policiais. O pior incidente aconteceu em 16 de agosto, quando 34 mineiros foram mortos por policiais de Marikana.

Na semana passada, a Gold Fields resolveu uma greve ilegal de 12 mil trabalhadores em sua mina KDC Leste, que começou porque membros da União Nacional dos Mineiros (NUM) disseram que o sindicato não estava defendendo seus interesses. Nesta segunda-feira, a empresa divulgou outra paralisação ilegal, desta vez em sua operação KDC Oeste, onde 15 mil baixaram as ferramentas, fechando a produção.

A Gold Fields disse que as razões para a última greve não estavam claras, mas a intimidação estava sendo usada para manter os trabalhadores fora do trabalho.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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