O futuro do sexo
Regina Navarro Lins e Flávio Braga
O futuro do sexo exigirá mais capacidade
de nos livrarmos do passado do que
de nos acostumarmos com o novo presente.
Afinal, seremos mais livres para dar vazão a nossas fantasias e teremos plenas possibilidades de viver sem culpas. A maioria dos seres humanos já sentiu vontade de viver uma relação ligeira com alguém que lhe agradou, e isso não só devido a fatores físicos. Os mais variados aspectos podem provocar o desejo, mas somos historicamente limitados pela idéia de exclusividade.
No início dos anos 80 uma pesquisa nos Estados Unidos indicou que 54% das mulheres e 72% dos homens, todos casados, tiveram relações extraconjugais. Pode ser que atualmente nem haja mais essa diferença entre os sexos. Já se passaram mais de vinte anos, o que acentua a mudança de comportamento, além do fato de que os homens tendem a se vangloriar quando se relacionam fora do casamento e as mulheres, a ser mais discretas.
Num futuro próximo, casais podem estar ligados por questões afetivas, profissionais ou mesmo familiares, sem que isso impeça que sua vida amorosa se multiplique com outros parceiros. Viver junto será uma decisão que vai se ligar muito mais a aspectos práticos.
As pessoas podem vir a ter relações estáveis com várias pessoas ao mesmo tempo, escolhendo-os pelas afinidades. Talvez uma para ir ao cinema e teatro, outra para conversar, outra para viajar, a parceria especial para o sexo, e assim por diante. A idéia de que um parceiro único deva satisfazer todos os aspectos da vida pode se tornar coisa do passado.
Texto tirado de O Livro de Ouro do Sexo (Ediouro)
A FABRICAÇÃO DO ORGASMO
A diretora Liz Canner investiga a trajetória de indústrias farmacêuticas na corrida para produzir um remédio contra a disfunção sexual feminina, o que se espera que seja o primeiro “Viagra” para mulheres. Mas, o que promete uma atividade sexual mais intensa para mulheres garante bilhões de dólares para empresários do ramo.
Tudo começa quando Liz aceita um emprego editando vídeos publicitários para uma empresa farmacêutica, que produz o remédio para mulheres e tenta ganhar aprovação do órgão responsável do governo americano. Com o tempo, a diretora descobre que o empregador quer apenas ganhar dinheiro às custas do público feminino, distorcendo conceitos como saúde, doença e até mesmo orgasmo.
O documentário traz depoimentos de médicos e cientistas resistentes à ideia de que a falta de satisfação sexual deve ser tratada à base de remédios. A condição da maioria das mulheres, na opinião dos especialistas, se deve a questões culturais: problemas de relacionamento, abuso sexual, educação sexual insuficiente e estresse.
Ao longo do filme, são mostrados personagens que juram ter a chave para o bom orgasmo feminino. Um médico na Carolina do Norte, por exemplo, testa o “Orgasmatron” — um eletrodo injetado na espinha, ativado por um botão. Uma produtora de equipamentos médicos lança uma espécie de cirurgia plástica a laser na vagina, para que as mulheres se sintam rejuvenescidas. Muitos destes tratamentos mostrados podem causar efeitos perigosos, como mutilação, câncer e até mesmo demência.
A diretora, no entanto, também encontra profissionais comprometidos com a conquista saudável do prazer erótico feminino: o dono de um sex shop e um professor do departamento médico da Universidade de Harvard. Para eles, a chave para a realização sexual inclui transformações não apenas na rotina sexual das pessoas, mas no funcionamento da sociedade.
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