Grã Bretanha
O aumento do parasitismo financeiro e do desemprego
Perante o estancamento da economia o governo aumenta os repasses de recursos públicos para a Citi de Londres, um dos principais centros especuladores em escala mundial. O desemprego bate recordes históricos
16 de agosto de 2012
O BoE (Banco da Inglaterra) revisou à baixa o índice de crescimento econômico do mês de maio, de 0,8% para 0%.
Perante a crescente desaceleração industrial, o governo conservador, com o apoio do partido Trabalhista, tem direcionado as políticas públicas para favorecer ainda mais a especulação financeira que só se sustenta pela dependência parasitária dos recursos públicos. A dívida da Citi de Londres, que é um dos principais centros financeiros, em escala mundial supera os 200% do PIB e continua aumentando.
No início do mês de junho, o governo continuou com o programa de compras de bônus públicos que estão nas mãos dos bancos. Com £ 50 bilhões adicionais, que deverão ser aumentadas, o BoE totalizará a posse de 375 bilhões, a terceira parte do volume total de bônus emitidos pelo governo. Desta maneira, o governo injeta recursos públicos no sistema financeiro que enfrenta sérias dificuldades para conseguir atingir os 9% de “ativos” próprios a partir de 2013 de acordo com os acordos Basiléia III e da União Europeia.
A imprensa imperialista tem tentado criar um clima no sentido de que o problema da economia é a deflação e a falta de liquidez, que a inflação está baixa e que, por esses motivos, a saída para promover a saída da recessão seria injetar mais recursos públicos no sistema financeiro parasitário. Se bem a inflação está em 2,4% (dados oficiais) na Grã Bretanha, as tendências não são à queda acelerada, apesar da economia estar paralisada. Os altos preços dos alimentos, impactados pelas secas nos EUA e na Europa, assim com os altos preços da energia, junto às emissões de papel moeda sem lastro produtivo são fatores que aumentam as pressões inflacionárias.
O acirramento das disputas interimperialistas pelo controle da especulação financeira
Conforme a crise capitalista mundial tem se aprofundado, as principais potências têm direcionado as políticas para aumentar a participação no mercado financeiro que é controlado pelo imperialismo norte-americano com o imperialismo britânico a reboque. Recentemente, as contradições entre essas duas potências têm aumentado.
As multas aplicadas pelo governo dos EUA a vários bancos britânicos faz parte de uma estratégia direcionada por Wall Street. Não por coincidência, o Barclays foi multado em US$ 360 milhões, por ter manipulado a taxa Líbor, o HSBC em algo acima de US$ 600 milhões, por lavagem de dinheiro do tráfego mexicano, e, agora, o Standard Chartered por US$ 340 milhões, por ter realizado 60.000 transações financeiras com o governo do Irã, avaliadas em US$ 250 bilhões. Esses tipos de operações não são a exceção à regra, mas a própria regra praticada pelo sistema financeiro imperialista. As multas são irrisórias comparadas aos lucros obtidos (para comprova-lo, basta calcular 2% de taxas sobre os volumes envolvidos).
A pesar das agências reguladoras estarem sucateadas e a regulamentação em se ser praticamente inexistente, Wall Street impôs, em maio de 2011, a nomeação de Benjamin Lawsky, pelo governador de Nova Iorque, à frente de uma nova agência encarregada de supervisionar as atividades de 4.400 instituições financeiras que movimentavam em conjunto US$ 6,2 trilhões.
A burguesia imperialista britânica reagiu imediatamente. Até os setores de esquerda, como o laborista John Mann declarou que existe uma política anti-britânica com o objetivo de reforçar o predomínio de Nova Iorque como capital financeira mundial. Declarações muito similares foram feitas pelo prefeito de Londres, Boris Johnson. E, de fato, os objetivos eram exatamente esses, devido às fortes perdas, das quais o sistema financeiro norte-americano nunca conseguiu se recuperar, após a bancarrota do Lehman Brothers em 2008.
A multa aplicada ao Standard Chartered, pela metade do valor inicial, representa um acordo entre as duas potências imperialistas.
Enquanto o parasitismo financeiro dispara, o desemprego atinge níveis históricos
O desemprego atinge mais de 2,56 milhões de pessoas de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas – 8% da força de trabalho, mas que deverá aumentar, pois muitos empregos temporários abertos por conta das Olimpíadas serão fechados.
Mais de 1,59 milhões de trabalhadores recebem o seguro desemprego.
Dos quase 30 milhões de trabalhadores empregados, 21,4 milhões o são em período integral e pouco mais de 8 milhões o são em período parcial. Desta maneira, segundo os próprios dados oficiais, a taxa de emprego oficial é de 71% e, portanto, o desemprego real é de, aproximadamente, 29% da população ativa, o pior número desde que começaram a ser feitas as estatísticas em 1992.
Os empregados públicos alcançam 5,9 milhões; 39 mil foram demitidos neste ano e os cortes somaram mais de 400 mil nos próximos três anos.
O acelerado aumento do desemprego demonstra que a recuperação econômica em cima da especulação financeira é uma ilusão. O verdadeiro gerador de empregos, a indústria, está sucateado e decadente.
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