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Economia 
Por quê a inflação aumenta enquanto a economia está paralisada?

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Vários índices, apesar de serem manipulados, apontam inflação acima de 7%, muito acima da meta oficial de 4,5%, enquanto a economia está paralisada há quase um ano. As políticas do governo do PT conduzem à estagflação 

14 de agosto de 2012

 

As pressões inflacionárias continuam disparadas no Brasil. Os índices oficiais e semi-oficiais mostram a clara tendência ao aumento da inflação apesar da manipulação estatística processada a partir de vários mecanismos, principalmente, mediante a atribuição de pesos menores aos produtos de amplo consumo popular e à diluição dos principais produtos consumidos pelas trabalhadores pobres, que compõem a grande maioria da população, em cestas mais amplas com produtos consumidos pela classe média.

IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), superou os 5,2%, voltando a subir pela primeira vez desde o mês de outubro de 2011, e 0,43% somente no mês de julho, cinco vezes mais dos 0,08% registrados em junho, o que levou a taxa acumulada a distanciar-se, de maneira acelerada, da meta oficial de 4,5% estabelecida para o ano.

A inflação medida pelo IPP (Índice de Preços ao Produtor), que mede a alta de preços na indústria de transformação, foi de 1,13% em junho e 1,69% em maio, acumulando alta de 4,53% no ano e de 6,66% nos últimos 12 meses. Enquanto isso, a indústria de transformação continua em queda livre.

Os índices medidos pela FGV e o Dieese também mostram a alta da inflação

IPG-DI (Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna), calculado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), acelerou em julho e fechou com alta de 1,52%. Em junho, tinha ficado em 0,69%. A taxa acumulada do IGP-DI é usada como referência para corrigir as dívidas dos estados com o governo federal e o aumento da pressão inflacionária deste índice é um dos fatores que está por trás da recente liberação de recursos para os estados pelo BNDES.

O indicador acumula variação de 5,16% no ano e de 7,31% em 12 meses. Dos três indicadores principais compõem o IGP-DI, o IPA-DI, que representa o atacado e é fortemente influenciado pelos preços agrícolas, subiu 2,13% em julho, após ter registrado alta de 0,89% em junho. O IPC-DI, que apura a alta dos preços no varejo, aumentou 0,22% em julho, ante alta de 0,11% em junho.  O INCC-DI, que registra a variação de preços na construção, teve alta de 0,67% em julho.

O IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), que é usado para reajustar os preços da energia elétrica e os aluguéis, por exemplo, teve alta de 1,34% em julho, acelerando 0,66% em relação ao mês de junho e -0,12% na comparação com o mesmo mês do ano passado. O acumulado, nos últimos 12 meses, passou de 5,14% para 6,99%, a maior variação percentual desde junho de 2008.

De acordo com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o ICV (Índice do Custo de Vida) apontou que a inflação na cidade de São Paulo dobrou no mês de julho e atingiu 0,42% na comparação com 0,23% de junho. No acumulado dos últimos 12 meses, o aumento foi de 6,37%, mas, nos primeiros sete meses deste ano, foi de 3,86%, o que mostra a tendência a fechar acima dos 7% neste ano. O grupo Alimentação teve um aumento de 1,11% e contribuiu sozinho com 0,33% do ICV.

Por quê a inflação continua aumentando no Brasil?

O aumento da inflação no Brasil tem dois componentes principais – o aumento dos preços dos produtos de alto consumo popular, devido, fundamentalmente, à escalada da especulação financeira, provocada pelo aprofundamento da crise capitalista mundial, e ao aumento dos repasses de recursos públicos para os capitalistas. A isto somou-se, nas últimas semanas, os efeitos das piores secas registradas nas últimas décadas nos EUA e na Europa. A influência do aumento dos preços atrelados aos mercados futuros de commodities, e, principalmente, de energia, acontece em condições em que a economia encontra-se estagnada há, praticamente, um ano. A pesquisa semanal Focus do BC (Banco Central) continua rebaixando a expectativa de crescimento do PIB para este ano – encontra-se em 1,81%, mas deve continuar em que da livre, pois o crescimento nos últimos três trimestres está em torno a 0%, apesar de toda a propaganda demagógica do governo e a burguesia.

O governo do PT já implementou 10 pacotes de “incentivo” econômico, mas os efeitos tem sido pífios, para não dizer nulos, pois o objetivo não é promover reformas estruturais que consigam eliminar, ou mesmo reduzir, as amarras imperialistas parasitárias. O objetivo é manter o repasse de recursos para os setores capitalistas mais parasitários a qualquer custo. No entanto, os efeitos para a economia real têm sido quase nulos, o que continua aumentando o desemprego.

O BNDES e o BC são instrumentos de repasse de recursos públicos para os capitalistas

BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) continua liberando, com mãos fartas, recursos para continuar garantindo as taxas de lucro dos capitalistas. No momento em que está liberando uma nova linha de crédito de R$ 20 bilhões aos governos estaduais (o Proinveste), negocia com o Tesouro Nacional um novo repasse de recursos públicos superior a R$ 10 bilhões. Com este objetivo o Tesouro Nacional emite títulos federais que são adicionados à dívida pública e que o governo não contabiliza sob a desculpa de que são recursos repassados para outros organismos do estado, apesar de seguirem os mesmos procedimentos das demais emissões – rendem juros, são amortizados e são resgatados. Somente para o setor de etanol fora repassados em torno de R$ 30 bilhões desde 2008.

Desde o pico da produção industrial, que aconteceu no mês de maio de 2011, ela encolheu mais de 5,5%. O setor de bens de capital caiu 12%, somente no primeiro semestre deste ano, enquanto a produção de bens duráveis caiu 9,4%.

O BC tem comprado US$ 11,1 bilhões no mercado à vista e US$ 7 bi no mercado futuro, desde o mês de fevereiro, com o objetivo de facilitar uma certa desvalorização do real e assim ajudar a indústria, com o corte das taxas de juros e a compra de dólares. O dólar passou de menos de R$ 1,70, em fevereiro, para R$ 2,05, mas os custos com as importações aumentam e as exportações continuam estancadas, devido à queda da demanda mundial, e a inflação não para de subir. O aumento dos custos do governo para promover o repasse de recursos para manter de pé os lucros dos capitalistas, assim como o aumento dos preços dos alimentos, que, na maioria, estão atrelados aos mercados futuros especulativos de commodities, estão provocando estragos na estabilidade monetária.

As políticas do governo do PT conduzem à hiperinflação

As desculpas do governo continuam focadas em fatores sazonais. A greve dos caminhoneiros, o excesso de frio em Goiás que provocou o aumento do tomate em mais de 50% e a seca nos EUA teriam sido os responsáveis pelo aumento do preços da cenoura em 17,81%, do alho em 12,27%, o pão francês em 1,78% e do óleo de soja em 1,02%.

O aumento dos combustíveis tem sido provocado pelos altos custos das exportações de etanol e dos derivados do petróleo que pesam fortemente na balança comercial. Por trás estão o parasitismo do setor sucroalcooleiro, que não consegue atender a demanda doméstica, e os baixos investimentos da Petrobras no setor de refino por estar focada nas exportações de óleo cru por meio das bolsas de mercadorias futuras especulativas.

O IPA (Índice de Preços no Atacado) industrial deverá acelerar devido aos aumentos do preço do diesel. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) poderá diminuir caso as tarifas de energia elétrica forem reduzidas, mas, neste caso, o custo será assimilado pelo governo, aumentando a dívida pública, que por sua vez aumentará as pressões inflacionárias.

As políticas do governo do PT conduzem ao aumento da inflação. A manutenção dos serviços de pagamentos da dívida pública e os vários mecanismos de repasse de recursos para os capitalistas conduzem inevitavelmente à disparada do endividamento público. A cobertura dos crescentes déficits públicos por meio de capitais especulativos encontra-se fortemente comprometida devido ao aumento da aversão ao risco pelos capitais imperialistas, provocado pelo aprofundamento da crise capitalista mundial. A “saída” para a crise, isto é a manutenção da principal política do governo, que é o repasse de recursos para os capitalistas, é a monetização da crescente dívida, que está sendo operacionalizada por meio dos programas de isenções tributárias e os crescentes repasses de recursos públicos pelo BNDES. Mas a criação de dinheiro a partir do nada conduz, inevitavelmente, à disparada da inflação, o que, por falta de alternativas, leva à estagflação (hiperinflação com recessão, ou depressão, econômica). O governo tenta aumentar o arrocho salarial e reduzir ao máximo os aumentos salariais para os trabalhadores de vários setores. Amplos setores do funcionalismos encontram-se em greve há várias semanas e a situação ameaça alastrar-se a setores essenciais como os Correios e os petroleiros. O aumento do choque entre o governo do PT e os trabalhadores é inevitável no próximo período.

Redação

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