4 de junho de 2026

Os aumentos dos preços para os turistas em Londres

Do R7

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Ingleses aprenderam (tarde demais) que não vale a pena esfolar turistas

Marco Antonio Araujo

Londres já nos deixou uma lição de casa. Se o Brasil pretende que a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 sejam um sucesso, é bom baixar a bola dos nossos empresários, principalmente os do setor turístico, conhecidos por sua ganância olímpica.

Os ingleses esperavam receber 300 mil visitantes para o megavento esportivo. Segundo o jornal Financial Times, conseguiram atrair apenas um terço disso, 100 mil turistas. Comerciantes, gerentes de hotel e produtores estão lamentavelmente surpresos.

Para o setor teatral, um dos mais vibrantes do mundo, a decepção é ainda maior. A estimativa chocante é de queda de 30% na venda de ingressos. O mesmo acontece com os museus, cujas visitas têm sido inferior ao que se costuma registrar normalmente nesse período do ano.

Tudo bem que programas culturais não sejam o foco de quem está na cidade para participar da maior festa do planeta. Mas alguns estádios com lotação apenas sofrível ajudam a constatar que os ingleses pesaram a mão na hora de esfolar seus visitantes.

A rede hoteleira também teve que rever suas projeções otimistas. De última hora, muitos hotéis foram obrigados a baixar seus preços em cerca de 25%. E, mesmo assim, a lotação sofreu uma queda de 20% em comparação com junho do ano passado. Cacetada.

A explicação para esse duro golpe é uma só: a turma jogou pesado na hora de reajustar os preços à espera de uma invasão que não se concretizou. Em busca de lucros abusivos, perderam dinheiro. Bem feito.

O recado está dado. O Brasil tem uma rede hoteleira precária, mas que não titubeia em explorar gringos desavisados. Nossos restaurantes podem até oferecer uma gastronomia de ponta, mas a um custo obsceno até para padrões europeus.

O governo tem que, desde já, orientar nossos capitalistas para o risco do olho gordo. Por ocasião da Rio+20, os estrangeiros ficaram escandalizados com os preços praticados por toda a nossa rede de serviços. Serviu como ensaio.  Com certeza, quem passou por aqui não ficou com uma boa impressão. Isso sem entrar no mérito da qualidade do que oferecemos.

Levando em conta os gastos irresponsáveis que já estamos presenciando por aqui, com anos de antecedência, corremos o risco de atingir a proeza de um retumbante prejuízo lá na frente. É muito mais agradável e barato assistir a todos esses jogos pela TV. Londres não deixou nenhuma dúvida sobre isso.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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