4 de junho de 2026

Interesse das empreiteiras causa preocupação nas entidades d

A entrada das grandes empreiteiras na área de defesa e a estratégia definida pelo governo para fortalecer o setor tem gerado dúvidas entre as entidades do setor. O diretor do departamento de Indústria de Defesa da Fiesp (Comdefesa), Jairo Cândido, disse que essas empresas, apoiadas nas tecnologias das suas parceiras internacionais, têm fôlego financeiro, mas precisam definir suas vocações, porque do contrário estarão apenas explorando oportunidades de negócios, colocando em risco os objetivos de capacitação e fortalecimento da indústria brasileira de defesa.

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Segundo Cândido, de todas as empresas que decidiram explorar negócios na área de defesa, motivadas inicialmente pelo programa de reequipamento das Forças Armadas, apenas duas possuem base industrial no país: Embraer e Odebrecht, que adquiriu o controle da Mectron, fabricante de mísseis e de sistemas eletrônicos.

“Tem que haver uma regra para essas empresas entrarem e isso ainda não está claro. Os grandes grupos são bem vindos, mas precisam definir um nicho e instalar uma indústria correspondente no país”, ressaltou. As vantagens tributárias e condições especiais para a compra e desenvolvimento de produtos de defesa no país oferecidas pela Lei 12.958, criada em março, segundo Cândido, só deveriam beneficiar as empresas que efetivamente se comprometerem em desenvolver conhecimento no Brasil.

Para o presidente da Abimde (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), Carlos Frederico Queiroz de Aguiar, a intenção do governo ao trazer as empreiteiras foi aliar a fortaleza econômica de grandes empresas nacionais ao “expertise” tecnológico de companhias brasileiras de menor porte na área de defesa e segurança, para interagir com grandes estrangeiras que agreguem as tecnologias necessárias aos projetos em curso.

“Esse modelo, se bem gerido, poderá fortalecer a capacidade nacional de absorção e desenvolvimento de tecnologias críticas no país”, afirmou. O executivo lembra, no entanto, a importância de um fluxo contínuo de recursos ao longo de todo o cronograma dos programas para que não haja aumento dos custos e a evasão de recursos humanos. As empresas, na sua opinião, também não devem ter como meta apenas o mercado brasileiro, pois a demanda interna não será capaz de sustentar os altos custos de investimentos das empresas do setor.

Segundo Aguiar, a indústria de defesa brasileira tem potencial para exportar mais de US$ 7 bilhões nos próximos vinte anos. Já as vendas para o mercado interno foram estimadas em US$ 4,4 bilhões.

A Akaer, empresa especializada no desenvolvimento de aeroestruturas e em gestão de projetos para os setores aeroespacial e de defesa, é um exemplo do movimento que grandes grupos internacionais do setor tem feito para se estabelecer no mercado nacional. “Temos sido constantemente abordados por esse grupos e, mais recentemente, recebemos uma oferta do grupo francês Safran de comprar 80% do capital da Akaer, mas decidimos manter o controle da companhia, porque somos uma empresa estratégica para o governo brasileiro”, afirmou o presidente da empresa, Cesar Augusto da Silva. Atualmente, segundo ele, 75% do faturamento da Akaer vem da área de defesa.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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