De blog O Mundo Em Movimento
Parte do desconto do IPI ficou nas concessionárias
Joel Leite
O expressivo desempenho de vendas de carros e comerciais leves este mês ocorre muito mais por uma questão subjetiva, já que a queda real de preço não foi dos 10% previstos pelo governo quando isentou o IPI para carros 1.0 e reduziu o imposto pela metade para carros até 2.0. Estudo AutoInforme/Molicardivulgado na semana passada mostrou que o Preço de Verdade do carro zero, isto é, o preço realmente praticado no mercado, teve uma queda de 2,6% em maio, uma variação grande considerando as variações mensais nos últimos 17 meses, que não passaram de frações (veja gráfico), mas pequena diante da expectativa gerada com a redução do IPI.
Da mesma forma que ocorreu na crise de 2008, o governo agiu rapidamente para debelar a crise. Portanto não somente os preços baixos que levou o consumidor às compras, mas também a confiança no governo. Até porque, considerando o universo de quase 50 marcas e centenas de modelos do mercado brasileiro, apenas uma pequena parcela de carros teve a redução prevista de 10% no preço praticado.
Há duas razões, complementares, para explicar essa distorção.
1) As montadoras baixaram o preço oficial do carro, (preço de tabela), o que não significa que o preço praticado tenha caído na mesma proporção. Em muitos casos, o carro já estava sendo vendido com desconto, portanto, o preço real não caiu 10%, mas menos. Mesmo assim, tem muito carro com descontos até maiores do que os 10% previstos. (veja o quadro dos carros que mais caíram de preço no mês).
2) As concessionárias não repassaram todo o desconto para o consumidor; ficaram com parte dele. Ao admitir tal prática, um representante do setor explicou que as concessionárias aproveitaram para “recompor os lucros”:
“As concessionárias estavam trabalhando no sufoco, com uma margem de vendas muito apertada. Com o desconto do IPI elas puderam recompor essa margem”.
Gráfico da evolução do PV de Jan/2011 a Mai/2012
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