Espanha
O “resgate” conseguirá conter a crise capitalista na Espanha?
Uma semana após o “resgate”, os juros sobre os títulos públicos (10 anos) alcançaram o pior índice desde a formação da zona do euro. A produção industrial e o consumo continuam em queda livre
15 de junho de 2012
A propaganda imperialista tenta apresentar que os governos burgueses estariam, supostamente, sob o controle da situação. Nada mais longe da realidade.
O epicentro da crise da zona do euro migrou da Grécia para o sistema financeiro espanhol e agora, com a transferência da dívida dos bancos para o estado espanhol o processo de bancarrota da Espanha como um todo entrou num ritmo ainda mais acelerado e irreversível.
O resultado do relatório das consultorias contratadas pelo governo, Olivier Wyman e Roland Berger, por imposição da UE (União Europeia), será conhecido nas próximas semanas. O déficit medido deverá, provavelmente, ser superior aos € 100 bilhões, pois a análise está sendo feita em cima dos balanços de 2011 e a previsão de que o PIB encolherá em 5% entre 2012 e 2013 e a inadimplência disparará em todos os segmentos.
A crise capitalista na Espanha deverá continuar se aprofundando e os € 100 bilhões cairão num saco sem fundo que está muito distante de conseguir manter a capitalização dos bancos mesmo durante este ano.
A economia da Espanha está paralisada. A previsão oficial de crescimento para este ano é de -1,7%.
O Banco da Espanha estima que haja no mercado quase € 200 bilhões em títulos podres e outros € 150 bilhões que deverão tornar-se podres conforme a crise continuar avançando. Outros estudos mostram que os títulos podres ultrapassam os € 600 bilhões, ou mais de 50% do PIB.
O ministro de Economia, Luis de Guindos, chegou a prognosticar que “nos próximos dias” que se seguiram ao “resgate”, iria ver-se uma “pressão menor sobre a dívida espanhola”. O que tem se visto é exatamente o efeito contrário. Na primeira semana após o “resgate”, a taxa de juros sobre os títulos com vencimentos a dez anos alcançou 6,834%, o pior índice da história desde a formação da zona do euro.
A agência qualificadora de riscos Moody’s, seguindo o recente rebaixamento feito pela Fitch, rebaixou a qualificação da dívida pública da Espanha em três degraus de A3 para Baa3, ficando assim à beira do status lixo. Após o rebaixamento, os títulos com vencimentos a 10 anos atingiram um novo recorde – 6,998% e 550 pontos básicos.
O estado espanhol terá que rolar € 45 bilhões no segundo semestre deste ano pagando altíssimas taxas de juros e com um orçamento estatal que enfrenta a disparada do déficit.
O spread sobre os títulos alemães subiu para os 537 pontos e os CDS (credit default swaps), derivativos financeiros de apostas em cima das taxas de juros, dispararam para perto dos recordes históricos. Os bancos estão falidos e totalmente dependentes dos recursos públicos. As perspectivas são de piora da crise em todos os segmentos e de ainda maior disparada das taxas de juros, do endividamento público e privado e do déficit público.
A acelerada contração da economia da Espanha
A desaceleração industrial continua avançando a passos largos. O IPI (Índice de Produção Industrial), divulgado pelo INE (Instituto Nacional de Estatísticas), mostrou uma contração de 8,3% no mês de abril, na comparação com o mesmo mês de 2010, tornando-se o pior mês desde outubro de 2009. O mês de abril foi ainda pior que o mês de março quando caiu 7,5%, acumulou oito meses consecutivos à baixa e evidenciou a tendência à crescente piora. A produção de bens de consumo duráveis e máquinas e equipamentos caíram 15% na comparação interanual. A fabricação de veículos, que destina 80% da produção às exportações, e até então um dos pilares da economia espanhola, junto com o turismo, despencou em 21%.
As vendas no varejo, assim como o índice de confiança dos consumidores, apresenta tendência à queda. O próprio ministro de Economia, Luis de Guindos, prevê a continuidade da contração do PIB em 0,3% adicionais no segundo trimestre deste ano.
De acordo com o Banco de Espanha, a riqueza das famílias foi reduzida em 4,12% em 2011.
A taxa de desemprego (oficial) supera os 24,3%, entre os jovens, até os 25 anos, supera os 51%, e a expectativa para este ano é que alcance os 25% apesar das estatísticas oficiais não considerarem os desempregados a longo prazo (mais de seis meses) nem os emigrantes que tiveram que abandonar o País por falta de emprego.
A tendência ao aprofundamento da crise da produção industrial, principal geradora de empregos, não é exclusividade da Espanha. A queda média na zona do euro foi de 0,8% no mês de abril na comparação com o mês anterior. A profundidade da crise capitalista fica ainda mais evidente considerando que a contração industrial na Alemanha foi de 2%, que as exportações representam 40% do PIB e que 60% delas têm como destino a UE.
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