3 de junho de 2026

O massacre de índios na Comissão da Verdade

De Roldão Arruda / Blogs Estadão

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Comissão da Verdade poderá investigar massacre de índios ocorrido no período da ditadura militar

A Comissão Nacional da Verdade estuda a possibilidade de investigar casos de possíveis massacres de grupos indígenas cometidos por agentes de Estado, no período da ditadura militar. Proposta nessa direção foi apresentada aos integrantes da comissão, que se encontram em São Paulo, nesta terça-feira, 12. Ela é defendida por um grupo de organizações não governamentais voltadas para a defesa dos direitos humanos.

Até agora a comissão focaliza sua atividade nos casos de mortos e desaparecidos políticos. Não está descartada, porém, a possibilidade de tratar de outras violações de direitos humanos cometidas no período do regime militar.

A questão dos possíveis massacres de grupos indígenas no âmbito da chamada justiça de transição vem sendo debatida há quase um ano. No dia 9 de maio, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados realizou, por iniciativa da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), uma audiência pública para tratar do caso dos waimiri-atroari que vivem no Estado do Amazonas. Um dos participantes, Egydio Schwade, ex-indigenista do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), contou que, em 1968, as obras da Rodovia BR 174, entre Manaus e Boas Vista, causaram a invasão do território Kinã, pertencente àquele povo, resultando na morte da maior parte da população.

Segundo levantamento apresentado por Schwade, entre 1972 e 1975 a população teria sido reduzida de 3 mil pessoas para menos de mil. Em 1981 restavam apenas 354 índios. “O massacre dos waimiri-atroari aconteceu por etapas e envolveu diferentes órgãos do regime militar”, disse o ex-indigenista, que faz parte do grupo empenhado em incluir a questão nas investigações Comissão da Verdade.

“Os índios waimiri-atroari são desaparecidos políticos, como os demais que desapareceram no rio Araguaia”, afirmou Schwade (foto) em recente entrevista ao site do Instituto Humanitas Unisinos.

A Comissão de Direitos Humanos decidiu naquele encontro, em maio, que iria procurar órgãos federais para levantar mais informações. Agora o assunto está sendo levado à Comissão da Verdade.

Nos últimos anos a população dos waimiri atroari voltou a crescer. Em 2003 eles festejaram o nascimento do milésimo índio. Na festa, o então presidente da Funai, antropólogo Mércio Pereira, disse que a volta por cima daquele povo era uma vitória do Brasil. Ele continua tratando do assunto no blog que mantém na Internet.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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