Do UOL
Pesquisa do IBGE mostra que Goiânia é referência nacional em infraestrutura urbana
Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio
Um estudo inédito do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado nesta sexta-feira (25), mostra que Goiânia é a capital brasileira com os melhores índices de infraestrutura urbana no entorno dos domicílios consultados para o Censo Demográfico 2010.
Por outro lado, Belém aparece na última colocação dos rankings de seis dos oito critérios utilizados pelo instituto –quase metade dos domicílios avaliados na capital paraense possuem esgoto a céu aberto na sua respectiva face de quadra situados –um dos lados de um quarteirão–, por exemplo.
Entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes, Goiânia é a que apresenta maiores incidências de iluminação pública (99,6%), identificação e sinalização de ruas e avenidas (94,1%), presença de meio-fio/guia (77%) e arborização (89,5%).
De acordo com a pesquisadora Maria Luísa Castello Branco, coordenadora do setor de Geografia do IBGE, Goiânia tem uma excelente infraestrutura urbana pelo fato de a cidade “ter sido projetada para ser uma capital estadual”.
Em segundo lugar, surge Belo Horizonte, que lidera rankings de outras duas características classificadas pelo IBGE como “desejáveis”: pavimentação (98,2%) e calçada (94%).
Já o Rio de Janeiro ocupa o primeiro lugar quando o assunto é a quantidade e a distribuição geográfica de bueiros/bocas de lobo, com 84,6%. Porto Alegre, por sua vez, tem 23,3% de quarteirões adaptados para cadeirantes –18,6% acima da média em todo o país.
Goiânia também é a principal referência nacional nos rankings de menor incidência de lixo acumulado nas ruas (2,6%) e de esgoto a céu aberto (apenas 0,5%; a média nacional é de 11%) no entorno dos domicílios que participaram do Censo 2010.
Em relação a essas duas características, categorizadas pelo IBGE como “indesejáveis”, a capital do Estado do Pará estabeleceu os principais resultados negativos: 10,4% (lixo acumulado nas ruas) e incríveis 44,5% (esgoto a céu aberto).
No total, Belém é a pior classificada em oito dos dez rankings estabelecidos pelo instituto na pesquisa sobre infraestrutura urbana no entorno dos domicílios.
As únicas categorias nas quais a capital paraense não se destaca negativamente são “rampa para cadeirantes”, onde aparece na 10ª posição entre 15 cidades com mais de 1 milhão de habitantes, e incidência de bueiros/bocas de lobo, onde surge na sétima posição.
Segundo a técnica de geografia Daléa Antunes, que participou da análise dos dados coletados, a situação em Belém pode ser classificada como “preocupante”, já que os gargalos referentes aos equipamentos urbanos estão diretamente associados com a “vida cotidiana da cidade”.
“Essa pesquisa leva em consideração o dia-a-dia das pessoas, no sentido de analisar como a vida dos cidadãos é prejudicada pela estrutura no entorno dos domicílios. Mas devemos ressaltar que não são características fixas. Uma chuva mais forte, por exemplo, pode espalhar um foco de esgoto a céu aberto, que ganha uma dimensão geográfica maior. Trata-se de um material fluido, uma variável que deve ser observada”, explicou.
O estudo
DOMICÍLIOS PESQUISADOS
-
3.365.859
EM SP
-
1.883.636
NO RJ
-
732.868
EM BH
-
420.227
EM GOIÂNIA
-
362.981
EM BELÉM
De acordo com o IBGE, o volume “Características urbanísticas do entorno dos domicílios”, um dos segmentos do Censo Demográfico 2010, tem o objetivo de quantificar e especificar a infraestrutura urbana no país, com destaque para aspectos como circulação e meio ambiente.
As informações foram levantadas em praticamente todas as áreas urbanas brasileiras. “Os dados apresentados são estratégicos para a elaboração de políticas públicas, principalmente no nível municipal, servindo de referência para a introdução de novos modelos de gestão do território”, avalia a presidente do IBGE, Wasmália Bivar.
Em 2010, 84,4% da população brasileira –que foi estimada em 190.732.694 pessoas, segundo dados do Censo 2010– ocupavam as áreas urbanas. Os pesquisadores utilizaram como recorte espacial as faces de quadra (quarteirões) no entorno de 96,9% dos domicílios brasileiros.
A meta seria refletir “as condições de circulação nas vias públicas, a infraestrutura urbana disponível e o ambiente onde vivia esta população”, de acordo com o instituto.

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