4 de junho de 2026

FBI investiga as operações do JPMorgan

De Opera Mundi

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FBI investiga prejuízo de US$2 bi em operações de risco do JPMorgan

Para presidente do Federal Reserve, caso pode levar a reforma do sistema financeiro dos EUA

O FBI (Polícia Federal dos EUA) instaurou nesta terça-feira (15/05) um inquérito para investigar a suposta distorção dos cálculos de operações de alto risco pelo banco de investimentos JPMorgan Chase & Co. Após anunciar prejuízo de dois bilhões de dólares, a corporação foi acusada pelo Federal Reserve de fraudar a metodologia de seus investimentos em derivativos, isto é, contratos futuros de compra e venda de ativos.

Na última quinta-feira (10/05), a cúpula do banco de investimentos já havia se reunido no Estado da Flórida para prestar contas a acionistas sobre o rombo da instituição. Nessa mesma semana, a Comissão de Segurança e Câmbio do Federal Reserve inauguraria uma investigação sobre os supostos procedimentos irregulares de contabilidade empregados pela companhia.

No início de abril, Jamie Dimon, chefe do Departamento de Investimentos do JPMorgan, já tentava acalmar as suspeitas levantadas pela imprensa norte-americana sobre os prejuízos de sua empresa, alegando que tudo não passava de “uma tempestade num copo d’água”. Durante o encontro anual de acionistas, contudo, o tom de suas revelações foi mais sóbrio e o executivo confessou que o banco cometeu “erros escandalosos” sob sua administração.

A investigação do FBI pretende examinar as mudanças adotadas pelo JPMorgan nos cálculos de suas operações com derivativos, contratos futuros de alta volatilidade. Existe a suspeita de que essas alterações maquilaram os elevados riscos característicos desse tipo de aplicação financeira.

Agência Efe

 

Ação Disciplinar

Durante o encontro na Flórida, Dimon recebeu o apoio dos acionistas do JPMorgan, que votaram em favor da manutenção das atribuições pelas quais o executivo já é responsável. Ele aproveitou a oportunidade para garantir aos sócios que reforçará as ações disciplinares sobre os responsáveis pelo prejuízo. Em entrevista coletiva, após a reunião, ele disse que o banco “tomará as decisões certas, que incluirão, muito provavelmente, restituições” aos seus sócios.

Nesta segunda-feira (14/05), o JPMorgan confirmou a demissão da diretora de investimentos Ina Drew. Em comunicado, Dimon partiu em defesa da executiva, alegando que, apesar das recentes perdas na divisão de investimentos, “Ina prestou enorme contribuição à companhia e não deveria se envergonhar do ocorrido”.

Dennis Hong, diretor da Altimeter Capital, uma das maiores corretoras dos EUA, conversou com o portal norte-americano Huffington Post e disse que todas essas suspeitas afetam sua “opinião sobre toda a indústria financeira”. Responsável pelo gerenciamento de 250 milhões em fundos de clientes, considera o caso extremamente “chocante, porque o JPMorgan é conhecido como um dos bancos mais conservadores em termos da administração de seus negócios de risco”.

Reforma financeira

Em um evento patrocinado pela Peterson Foundation, instituição que pleiteia reformas fiscais nos EUA, o secretário do Tesouro do país, Timothy Geithner, disse que os prejuízos provocados pela suposta ingerência do JPMorgan reforçam a necessidade de uma profunda modificação do sistema financeiro norte-americano.

“Eu penso que a falha na administração de ativos de risco representa um caso muito poderoso em favor de uma reforma financeira”, disse. Analisando o que seria um contexto crucial para esse tipo de mudança macroeconômica, propôs que todos se questionassem se “essas falhas de instituições privadas colocam em risco a economia mais ampla, o sistema financeiro ou os contribuintes do país”.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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