3 de junho de 2026

Gilmar politiza debate sobre Gurgel

Por Marco Antonio L.

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Gilmar Mendes vê conexão entre mensalão e ataques a Gurgel
10 de maio de 2012 • 15h48 • atualizado às 15h51

Gustavo Gantois – Direto de Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes defendeu nesta quinta-feira o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, diante das acusações de parlamentares de que ele demorou a investigar as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o senador Demóstenes Torres (sem partido-MS). Para o ministro, por trás das acusações sobre Gurgel há pessoas interessadas em misturar o caso com o julgamento do mensalão, previsto para ocorrer ainda neste semestre.

“Eu tenho a impressão que sim (tentativa de relacionar o caso com o julgamento do mensalão). É como pescador em águas turvas. Há pessoas interessadas em misturar as coisas”, disse Mendes, ao chegar à sessão de hoje do Supremo.

O ministro também afirmou que não concorda com o pedido de alguns parlamentares para que Gurgel seja convocado para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. “Claro que não deve. Evidente que não. Há uma excitação generalizada em torno disso”, disse Mendes.

Gurgel ficou na mira dos deputados e senadores após o depoimento do delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques, responsável pelas investigações da Operação Vegas, na última terça-feira. Ao responder a perguntas dos parlamentares em sessão secreta da CPI, o delegado disse, segundo relataram integrantes da comissão, que o inquérito da Operação Vegas foi entregue em 15 de setembro de 2009 sem que o procurador-geral tivesse tomado providências.

O delegado afirmou que, após a entrega dos documentos, ele se reuniu com a subprocuradora-geral da República, Claudia Sampaio, que lhe explicou, falando em nome de Gurgel, que a procuradoria não tinha encontrado elementos para processar o senador e os outros dois deputados. Sampaio é mulher de Gurgel.

Como procurador-geral, Gurgel é responsável pela acusação dos 38 réus do processo do mensalão, escândalo deflagrado em 2005, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que parlamentares teriam recebido dinheiro em troca de apoio político.

Na quarta-feira, durante intervalo da sessão do Supremo, Gurgel atribuiu as críticas ao “medo do julgamento do mensalão”. “O que nós temos são críticas de pessoas que estão morrendo de medo do julgamento do mensalão. São pessoas que, na verdade, aparentemente, estão muito pouco preocupadas com a questão do desvio de recursos e a corrupção. São desvios de foco que eu classificaria, no mínimo, como curiosos”, disse.

Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o PSOL representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir ouros políticos, agentes públicos e empresas.

Após a publicação de suspeitas de que a construtora Delta, maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos, faça parte do esquema de Cachoeira, a empresa anunciou a demissão de um funcionário e uma auditoria. O vazamento das conversas apontam encontros de Cachoeira também com os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás. Em 19 de abril, o Congresso criou a CPI mista do Cachoeira.

Terra

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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