4 de junho de 2026

Térmicas a gás não competem com eólicas, diz Foster

Do Jornal da Energia

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Petrobras diz que é impossível térmicas a gás competirem com eólicas

Presidente da estatal afirma que vai continuar a investir em usinas e fornecimento, mas ressalta que setor elétrico não é uma prioridade

Por Luciano Costa

Crédito: Petrobras
Graça sugere leilões por fonte e matriz equilibrada

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou nesta quarta-feira (25/4), ao participar de audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara, que a empresa continuará a investir em térmicas a gás e no fornecimento do insumo a outras usinas. Mas destacou que não está fácil garantir a expansão no setor na conjuntura atual dos leilões de energia realizados pelo governo.

“Temos a projeção de praticamente dobrar os megawatts que nós temos como gerador ou como supridor do gás para novas térmicas. Isso é o que está previsto no nosso Plano de Negócios. Mas isso não depende só da Petrobras”, apontou a executiva. Para isso, é preciso que o governo marque leilões e que a empresa consiga sair vitoriosa.

“Nosso gás está a 300 quilômetros da costa e a sete quilômetros de profundidade. Esse gás não consegue competir com a energia vinda de fonte eólica. Então, nessa situação, quando a EPE faz um leilão para disputar ao menor preço – gás contra eólicas, biomassa e outras – é impossível competir com eólicas a R$95 por MWh”, reclamou Graça.

A executiva da Petrobras também adotou um tom crítico e disse que “eólica não firma a segurança energética de um país” e que “o mais tecnicamente correto é separar os leiloes de acordo com suas especifidades”, com as fontes concorrendo entre si. “A matriz energética tem que ser equilibrada”.

Segundo Graça, a atuação da Petrobras no setor elétrico “é algo que é marginal, não é a melhor aplicação (dos recursos da empresa)”. Ela explicou que diversas térmicas da empresa dão prejuízo, enquanto outras conseguem ficar no azul e que, por isso, o que justificou o investimento foi a expansão da malha de gasodutos . “No conjunto do negócio, gás e energia, eu não tenhgo prejuízo”, minimizou.

Questionada sobre a atuação da estatal em outras fontes de energia, Graça negou a possiblidade de aportes em usinas a carvão e hídricas. E lembrou que a companhia tem 140MW em parques eólicos, mas que não deve investir mais na fonte – ao menos no atual nível de preços. “Não vou entrar num leilão para ganhar (contratos com venda de energia) a R$97 por MWh. É inviável, depois não consigo construir”.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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