4 de junho de 2026

O século 21 e a agricultura nacional

Coluna Econômica – 07/06/2007

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Uma das palestras mais interessante no Summit do Ethanol foi a de Alexandre Mendonça de Barros, da FGV-SP, mostrando as novas características da agricultura brasileira, especialmente a flexibilidade para enfrentar os diversos riscos da atividade.

Quando se olha o mapa agrícola nos Estados Unidos, existem o cinturão do milho, do algodão, com nítida concentração de culturas em cada um deles.

No caso brasileiro, a necessidade acabou levando a um modelo mais flexível, para poder enfrentar os riscos da atividade no país.

***

Essa integração agricultura-pecuária permitiu ao país sair de um rebanho de 150 milhões de cabeças em 1990 para 207 milhões em 2005, concomitantemente com expansão da área agrícola. No Paraná, por exemplo. cresce a área agrícola e não cai a produção pecuária.

Recentemente, de especialistas internacionais, Alexandre ouviu o prognóstico de que o século 21 será o da agricultura brasileira, e em cima de pasto. Nos Estados Unidos seria impossível a rotação entre culturas de milho e soja com pecuária porque o frio interrompe o processo biológico.

É esse modelo que permite aos estudiosos brasileiros eliminar a possibilidade de conflito entre alimento e energia. O novo modelo agrícola será de pasto com benefícios energéticos, e todos os gastos energéticos sendo supridos pelo próprio sistema.

Hoje em dia, em áreas de cana de açúcar já se exporta uma produção de 2,7 milhões de toneladas de carne vermelha, mais do que a Austrália produz de carne, mais do que a soma de exportações da Austrália, Argentina e Estados Unidos.

Se sobre o preço do grão, o Brasil é competitivo. Se cai o preço, usa-se a produção para completar a engorda do boi.

***

Nesse modelo, a área agrícola de São Paulo tenderá a crescer. 20% da área de cana é reformada anualmente, permitindo plantar, de forma associada, soja e amendoim. A ponto de São Paulo ser o maior produtor de amendoim do país.

Tudo isso visa compensar a ausência de redes de proteção do setor. Segundo Alexandre, o Brasil tem a agricultura mais privada do mundo – no sentido, de falta de anteparo público.

***

São inúmeros os riscos da atividade agrícola. O primeiro é a produtividade, a quebra de safra. Não há um sistema adequado de seguro agrícola. Em todos os países foi demorada a implantação do seguro rural.

A cana tem maior resistência aos riscos climáticos porque resiste ao veranico. Além disso, se não foi colhida servirá como adubo para a safra seguinte.

Mas, segundo trabalho da ESALQ (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), é muito alto o risco climático da soja no Rio Grande do Sul.

O segundo risco alto é o da volatilidade de preços, especialmente no setor de fertilizantes. Hoje em dia a indústria importa 63% da matéria prima utilizada. Com o câmbio no nível atual, caminha para importar 80% dos fertilizantes. Os solos brasileiros são pobres, exigem adubação intensiva. Os fertilizantes de fósforo mais usados saíram de 280 dólares para 450 dólares a tonelada em três meses. Metade das jazidas do mundo está em Marrocos. Essa vulnerabilidade terá que ser compensada com mais pesquisas e estímulo à produção interna.

Para incluir na lista Coluna Econômica

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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18 Comentários
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  1. januario

    7 de junho de 2007 1:05 pm

    “Hoje em dia, em áreas de
    “Hoje em dia, em áreas de cana de açúcar já se exporta uma produ;c de 2,7 milhões de toneladas de carne vermelha, mais do que a Austrália produz de carne, mais do que a soma de exportações da Austrália, Argentina e Estados Unidos.”

    O que não quer dizer que não poderíamos produzir muito mais.

    A Austrália é um desertão, e Argentina e Estados Unidos têm um consumo de carne per capita muito maior que o nosso, daí também por esse motivo (afora menor área agricultável e clima ) exportarem menos que o Brasil

  2. januario

    7 de junho de 2007 1:06 pm

    “É esse modelo que permite
    “É esse modelo que permite aos estudiosos brasileiros eliminar a possibilidade de conflito entre alimento e energia”

    Tudo bem, mas qual a produtividade ? Qual a produtividade total considerando a produção agregada de alimentos + energia ?

    O que se tem feito sistematicamente, no Brasil, para o aumento efetivo de produtividade e auto-suficiência do setor agrícola (independência de importação de fertilizantes, p. ex.) ?

    Há uma necessidade premente de uma efetiva comunhão de esforços nesse sentido.

    Quando vejo que aplicamos a “vultosa” quantia de R$ 7 milhões na pesquisa do etanol celulósico no Brasil, por exemplo, fico preocupado. A iniciativa privada não consegue se articular sequer para conseguir financiamentos mais expressivos do Estado nesse sentido, o que dizer então de financiar ela mesma as iniciativas necessárias ?

    Me preocupa essa falta de foco na produtividade e na pesquisa biotecnológica, chegando-se quase ao desinteresse, confiando apenas no que Ele nos deu, tudo lembrando um trecho da canção:

    “Diz que Deus, diz que Deus, diz que Deus dará, o nega…”

  3. Luis Nassif

    7 de junho de 2007 1:06 pm

    Aumento de custos em toda a
    Aumento de custos em toda a cadeia produtiva, com esse aumento desmesurado do conteúdo importado.

  4. Alexandre Porto

    7 de junho de 2007 1:06 pm

    Nassif,
    o Brasil precisa só
    Nassif,
    o Brasil precisa só tyrocar metade da área plantada de soja por cana.

    Para as nossas condições climáticas, plantas com ciclos longos são mais adequadas, pois ajudam a conservar o solo e exigem menos adubação. Isso sem falar é que é uma excelente forrageira e pode produzir energia..

    Isso sem falar no valor agregado da produção de açúcar e etanol. Café, biocombustíveis e carne são as nossas principais vocações. E podemos ser rapidamente imbatíveis.

  5. Raí

    7 de junho de 2007 3:48 pm

    “Pesquisa e estímulo à
    “Pesquisa e estímulo à produção interna”
    Nassif,esta deveria ser a tônica de todo o esfôrço do governo,nesta época de tantas dificuldades geradas pela globalização.Investir nas boas ideias,e criar condições para o surgimento de alternativas,que visem o pleno desenvolvimento com sustentação.Ontem durante as comemorações(comemorações?)do dia do meio ambiente(aliás não comentas nada a respeito?)ví uma reportágem na Globo,sobre um brasileiro que desenvolveu uma revolução,a partir de resíduo organico,para construir tijolos super resistentes,que não precisam ser “assados”no forno,e que custam cêrca de 40% menos que os tijolos tradicionais.Imaginem desenvolver esta tecnologia em alta escala,e melhorar as técnicas,que ainda são rudimentares deste nosso “cientista”o quanto de potencial teríamos neste produto que certamente seria vital para a construçao civil,e a diminuição de seus custos.É em projetos assim,de cunho pessoal e de criação artezanal,que os tígres asiáticos investem seus recursos,e barateiam seus preços,na maioria dos produtos que hoje invadem o mundo ocidental.Que tal mudarmos nosso conceito,e investir em projetos como este?Com a palavra os empresários de visão e de fé.

  6. Luis Nassif

    7 de junho de 2007 3:49 pm

    Será uma das maneiras de
    Será uma das maneiras de avaliar as novas energias, sem dúvida.

  7. Raí

    7 de junho de 2007 3:49 pm

    O gurú disse,numa resposta a
    O gurú disse,numa resposta a um leitor confuso:vá entender o título do The Christian Science Monitor ! Nassif,você que de bôbo.não tem nada,já entendeu,que este artigo,assim como o ponto de vista colocado pelo Alexandre Mendonça de Barros(totalmente apartidário)é aquilo que as pessoas que não sabem apenas criticar,esperam,ser uma nação com jôgo de cintura,para crescer, vencendo as adversidades temporais,e sem perder a tradição agrícola,produzir os alimentos que necessitamos para alimentar o nosso povo,e exportar o excedente,gerando divisas;Produzir oleaginosas e combustíveis “limpos”e a partir deste projeto,suprir as necessidades energéticas dos parceiros;Fixar o homem no campo,desenvolvendo suas regiões,para não degradar a terra,nem expulsa-los de sua terra natal.Ou será que o signatário do blog,não acredita nestas notícias que os grandes e independentes veículos de comunicação do exterior divulgam?

  8. Luis Nassif

    7 de junho de 2007 3:51 pm

    O que critiquei é o fato de
    O que critiquei é o fato de não perceber que o atual momento de altos preços de commodities pode ser para o bem ou para o mal. Para o bem se servir para industrializar e agregar valor e emprego. Para o mal se permitir a “maldição dos recursos naturais”, como diz o Soros.

  9. Carlos Gonçalves

    7 de junho de 2007 4:22 pm

    Teve um comentário de um
    Teve um comentário de um leitor a respeito de sua preocupação com a quantidade de água utilizada pelos rebanhos durante sua vida até virar sanduíche. Se olharmos por uma visão radiestésica, não me preocuparia, pois a água que não for utilizada em nascentes, rios e córregos irá caminhar para o mar e aí será incorporada pelo oceano. O mais preocupante, ao meu ver, é a ação dagradante do gado em áreas que deveriam ser de preservação ambiental permanente, como matas ciliares, reservas, grotas, etc. já que estes se alimentam de mudas de árvores e não permitem a regeneração destas diminuindo desta forma a infiltração de água pluvial e as consequências da mesma, como por exemplo o assoreamento dos rios, nascentes, etc. Porém a água pode ser utilizada por estes animais, de uma forma rascível na sua captação. O grande problema é o manejo mal feito pelo homem. Sempre teremos água potável e em abundância, desde que cumpramos algumas regras para não destruir os caminhos naturais dela, que são ações muito simples. Existe um livro de um agrônomo que trabalhou no IAC de Campinas muito bom sobre o assunto, chamado A VIDA BROTA DAS ÁGUAS SUBTERRâNEAS – UMA VISTA RADIESTÉSICA – Dr. Imre Lajos Gridi-Papp. Muito bom.

  10. Alan Souza

    7 de junho de 2007 4:22 pm

    1) Gostaria que alguem
    1) Gostaria que alguem fornecesse dados de quanto fosforo está contido nos esgotos das cidades, resultado do consumo desenfreado de sabões em pó e coca-cola. Isso sem dizer no fosforo presente nos alimentos consumidos.

    2) outro ponto que volto a bater, é que tanto energia quantos alimentos são resultantes de energia solar. Falar em solo fraco ou em desertos, quando existe hidroponia que pode ser feita até mesmo no sub-solo, é ficar com o olho no passado.

    TECNOLOGIA, gente. Reciclagem. É nisso que temos que ir atrás.

  11. Vinicius

    7 de junho de 2007 8:08 pm

    Nassif.
    Primeira coisa. Em
    Nassif.
    Primeira coisa. Em media uma planta precisa de 1 litro de água por segundo por cada hectare como necessidade de água para produzir. Desde que o mundo é mundo. Nada assustador. Por ano nas áreas agricolas do Brasil chove 1500 mm por cada hectare de terras. Isso quer dizer em cada 10.000 m² de terras dá para cobrir 1,5 metros com água de chuva a cada ano.
    Um boi bebe 50 a 80 litros por dia nao tem nada de mais.
    Destaque-se que na irrigaçao está o grosso de consumo de água do mundo. Irriga-se desde que o homem descobriu a agricultura.
    Nada castatrofico.

  12. Douglas

    7 de junho de 2007 9:46 pm

    respondido por: Luis Nassif
    O
    respondido por: Luis Nassif
    O que critiquei é o fato de não perceber que o atual momento de altos preços de commodities pode ser para o bem ou para o mal. Para o bem se servir para industrializar e agregar valor e emprego. Para o mal se permitir a \”maldição dos recursos naturais\”, como diz o Soros.

    Nós padecemos de outra maldição, Nassif. O problema é que o Brasil não é a abundância de recursos naturais, mas a falta de recursos humanos.

    O povo brasileiro não está a altura do país que temos, por isso o Brasil não vai pra frente, mesmo com todos os recursos naturais e conjuntura externa a favor.

  13. Hélcio Lunes

    8 de junho de 2007 2:32 am

    Luis Nassif
    Ao contrário do
    Luis Nassif
    Ao contrário do que você pensa e prega, o Estado só atrapalha!
    A agricultura brasileira é tão desenvolvida exatamente porque tem pouco Estado envolvido!
    Estado só aparece nas operações Navalha, Sanguessuga, Vampiro! Para isso serve o Estado que você addddora!

  14. Vinicius

    8 de junho de 2007 1:24 pm

    Nassif.
    Tenho convicçao que a
    Nassif.
    Tenho convicçao que a manutençao do preço do dolar elevado no final do governo FHC conjugado com o aumento no preço das comodities resultou na descoberta que somos o país mais competitivo do mundo em agropecuaria, incluindo aí energia e exploraçao florestal.
    Não temos solos ferteis. Temos sol, terras planas, precipitaçao e gente para produzir.
    Foi preciso entrarmos no seculo vinte e um pra descobrirmos que o Brasil rural é de primeiro mundo.
    Temos tecnologia propria, pouco importamos. Nossas maiores vulnerabilidades estao nas reservas de potassio que nao atendem a demanda e nosso fosforo, extraido no triangulo mineiro que é de baixo teor e com alto custo para solubilizaçao.
    Produzimos sementes sem pagar royaltes, em café e cana somos o país que praticamente detem toda a tecnologia de produçãoa moderna, o nelore nos colocou em anos luz a frente na produçao de carne em paises tropicais, a produçao de milho e soja nos colocou imbativeis nos custos de produçao de suinos e aves. O sol nos permite produzir madeira em um terço do tempo que nos paises temperados. A incorporaçao de areas de cerrado a produçao foi gol de placa . Tivemos quase uma área da Europa para plantar a partir dos anos 70. Para baixarmos ainda mais o cussto e nos tornarmos mais competitivos ainda temos custos de transporte, estocagem, portos e burocracia que sao entraves permanentes e dependem de açao de governo. Sempre ineficiente.
    Infelizmente nao conseguiremos integrar o mundo de gente que depende de uma agricultura de subsistencia no nordeste do país em quase toda a sua extensao – exceto a regiao sudeste e oeste da Bahia. O restate tem uma conjugaçao perversa de clima e solos que nao permite uma agricultura com custos e produçao compativeis com o sul e o sudeste. Resultado no NE: baixo grau de mecanizaçao, tecnologia e produtividade por area cultivada. Um mundao de gente marginalizada e onde hoje esta o maior contigente de pessoas ligadas a terra nos estados da Bahia e de Pernambuco. A nossa agricultura de irrigaçao no Nordeste do país, paga o custos de projetos mal elaborados, de elevados custo operacional e o que vemos sao perimetros irrigados concluidos e áreas nao incorporadas pela inviabilidade economica de exploraçao, exceto em algumas atividades – poucas – como papaya , uva e melao. Outro gargalo. Infelizmente sempre ligado ao ineficiente aparato publico.

  15. Vladimir

    8 de junho de 2007 1:26 pm

    Nassifão,

    vc já está
    Nassifão,

    vc já está comprando dolares ?

    Saudações tricolores…

  16. rique

    8 de junho de 2007 2:59 pm

    Vem aí, o álcool de
    Vem aí, o álcool de mandioca.Tubérculo, menos agressivo ao solo,do que a cana.Sugere expansão e diversificação das fronteiras agrícolas.Junta-se assim, ao dendê cólza,mamona, etc.

  17. Sergei Vieira

    8 de junho de 2007 2:59 pm

    Enquanto isso baderneiros do
    Enquanto isso baderneiros do MST e afins, ficam posando de guerrilheiros e destruindo mudas que representam uma “ameaça imperialista ao Brasil.

  18. Odracir Silva

    8 de junho de 2007 8:56 pm

    Eu sempre alertei sobre o
    Eu sempre alertei sobre o fato dos insumos serem um fator limitante. A alta fertilizacao nas culturas, como nas de soja, vai ser um fator limitante… Se vc analisar bem as reacoes quimicas q sao necessarias para todo o processo fotosintetico, vai perceber q haa certo elementos quimicos “estrategicos”, como p.e., o fosforo.

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