4 de junho de 2026

A antecipação do paraíso nos ritos da Igreja Ortodoxa

Na Igreja Orthodoxa, as missas solenes são chamadas de “Divina Liturgia”. O objetivo é transferir mentalmente e emocionalmente a comunidade dos fiéis para um ambiente celestial, antecipando o paraíso. Os oficios são pouco participativos, com relação à missa católica e os ofícios protestantes, embora que a comunidade aqui e acolá responda às invocações dos sacerdotes.

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Onde existir uma catedral ortodoxa russa (São Paulo? Assisti em Paris, Berlim e Tóquio), vale a pena assistir a um a cerimônia dessas, que são abertas ao público, pois nelas você é teletransportado para a “Rússia Profunda”. Parece que você entrou no filme Dr. Jivago…

As cerimônias, longas, são assistidas em pé (cadeiras existem só para os velhos e PNE). Em contrapartida, o povo fiel fica o tempo todo se deslocando no interior da igreja. Muitos nem prestam atenção ao ofício e sim ficam acendendo velas e rezando na frente de ícones.

A cerimônia é celebrada atrás de um biombo, onde só podem entrar os sacerdotes.

A missa é inteiramente cantada, e dependendo a qualidade do coro e do incenso ininterruptamente espalhado no ar, você entra num “barato transcendental”…

….

   No tocante à liturgia pascal, a Páscoa é mais importante na cultura ortodoxa do que o Natal. A principal missa não é no domingo, e sim na noite de sábado para domingo. Os vídeos transmitem o ato principal da Igreja Ortodoxa russa, que é o Ofício Pascoal Patriarcal, celebrado pelo próprio chefe da Igreja, o Patriarca de Moscou.

Dada a pouca separação entre a Igreja e o Estado russo, trata-se até de um ato de Estado, onde o presidente e o primeiro-ministro fazem obrigatoriamente parte (coitadinho deles, cada um egurando em pé uma velinha por três longas horas)!

Quanto à catedral: ela fora construída pelo Czar depois da derrota de Napoleão, ao lado do Kreml. Para agradecer  Deus pela vitória (Deus sempre é uma parte invocada nos conflitos bélicos…)  a catedral passou a se chamar Cristo Salvador.

Ela foi dinamitada pelos bolcheviques, e a URSS construiu em seu lugar uma piscina pública. Depois do fim da URSS, foi reconstruida e re-sacralizada no ano 2000.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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