Uma das mais alardeadas matérias de O Globo. O PROBLEMA É QUE O MACACO NÃO OLHA O PRÓPRIO RABO.
De O Globo
Locanty doa a PMDB e recebe da Polícia Federal
PF deve começar a ouvir nesta quarta 17 pessoas ligadas às quatro empresas denunciadas por corrupção em reportagem
LUIZ ERNESTO MAGALHÃES
MARCELO DIAS
GERSON CAMAROTTI
ROBERTO MALTCHIK
LETICIA LINS
Renata Cavas, representante da Rufolo, oferece propina na moeda que o gestor quiser receber: ela sugere real, dólar, euro e até ieneREPRODUÇÃO TV GLOBO
BRASILIA, RECIFE e RIO – A Locanty Comércio e Serviços Ltda – uma das empresas denunciadas por oferecer propinas para ganhar licitações na área da saúde – doou mais de R$ 1,4 milhão para quatro campanhas eleitorais de 2010. Entre elas, três foram para políticos do Rio: o PMDB (R$ 1,3 milhão) e os deputados estaduais Alcebíades Sabino (PSC) e Bebeto (PDT), que receberam R$ 50 mil cada. O candidato à presidência José Serra (PSDB) também recebeu contribuição de R$ 50 mil. Apesar de o site Transparência Brasil informar que a doação ao PMDB foi para a campanha de reeleição de Sérgio Cabral, a assessoria do governador informou que esses recursos foram doados ao partido, a quem cabe explicar o destino do repasse.
No estado, a Locanty já recebeu mais de R$ 7 milhões em 2012 das secretarias de Segurança, Casa Civil, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente, Transportes, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça. As empresas Locanty, Toesa, Rufolo e Bella Vista ofereceram propina a um repórter do “Fantástico” que se passava por gestor no Hospital da UFRJ.
Outra curiosidade sobre a Locanty é que ela também presta serviços para a Superintendência da Polícia Federal do Rio, responsável por investigar a denúncia. Os contratos ultrapassaram o valor de R$ 1,2 milhão em dois anos. Desse total, R$ 629.200 em 2010 e R$ 590 mil em 2009. Os valores se referem à contratação de mão de obra para serviços de copa e cozinha e à limpeza interna e externa. Este ano, a empresa já recebeu quase R$ 150 mil pela prestação de serviços à PF do Rio. As informações foram obtidas pelo GLOBO numa consulta a notas de empenho no Portal da Transparência mantido pelo governo federal.
A empresa recebeu dos cofres federais R$ 39,4 milhões em 2011, sendo R$ 33,1 milhões apenas para a contratação de mão de obra. Foi fornecedora, por exemplo, dos V Jogos Mundiais Militares, que reuniu atletas de 120 países no Rio. O maior cliente entre repartições federais em 2011 foi o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi): R$ 9 milhões.
Propina: Dilma defende punição exemplar
A forte reação do governo, com a abertura de investigação em relação às denúncias, foi uma determinação da presidente Dilma Rousseff. Segundo um auxiliar do Palácio do Planalto, a intenção é mostrar que há preocupação do governo com o tema e que o episódio será utilizado como um caso exemplar, com ações concretas para tentar conter a prática de oferecer propinas para fraudar licitações.
Entre as providências estão a abertura de inquéritos pela Polícia Federal, que deve começar a ouvir nesta quarta-feira 17 pessoas ligadas às quatro empresas denunciadas por corrupção. Além disso, o Ministério da Saúde determinou ontem a suspensão de um contrato com a Bella Vista, que fornece refeições para o Hospital do Andaraí, no Rio. Ela recebe R$ 1 milhão por mês para servir duas mil refeições diárias. Na reportagem do “Fantástico”, um representante da Bella Vista diz que é possível acrescentar, como propina, R$ 1 em cada refeição contratada. O advogado da Bella Vista disse que o contrato firmado com o Andaraí foi feito dentro da lei e que a comida continuará sendo fornecida ao hospital até que tudo seja esclarecido.
Senadores e deputados colhem assinaturas para CPI
Ontem a oposição, na Câmara e no Senado, começou a recolher assinaturas para a abertura de uma CPI mista com o objetivo de investigar o esquema de fraude em licitações da área de saúde. Para ser instalada, a CPI precisará do apoio de 171 deputados e 27 senadores. O governo é contra a CPI, pois argumenta que não existe fato determinado e que a União, administrativamente, já vem tomando medidas para coibir as fraudes contra o SUS. O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), assegurou que a CPI pode ficar restrita ao Senado, caso o Palácio do Planalto use a maioria na Câmara para impedir o recolhimento do número mínimo de assinaturas.
Enquanto se discute a criação, ou não, de uma CPI da Saúde, um outro projeto, que promete punir as empresas envolvidas em esquemas de corrupção, deve ser votado, até a segunda quinzena de abril, pela Câmara dos Deputados. Apresentado pelo governo em 2010, ele está pronto para votação numa comissão especial. Uma vez aprovado, irá para o Senado. Segundo o relator da proposta, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a principal inovação é responsabilizar as empresas na esfera administrativa e cível, quando um funcionário ou representante, ainda que sem vínculo empregatício, participe de negociata para trocar propina por contratos públicos:
— O projeto define as penas de multa, perda de contrato e declaração de inidoneidade por cinco anos. Empresas que auxiliem as investigações poderão ter as penas abrandadas.
O secretário-executivo da Controladoria Geral da União, Luis Navarro, disse ao GLOBO que o projeto é fundamental para coibir a corrupção nas relações entre poder público e iniciativa privada:
— Não importa se é o presidente da empresa ou um empregado que pratica o suborno, a empresa será responsabilizada. É um passo decisivo no combate à corrupção.
Advogados disseram na terça-feira que as empresas envolvidas no esquema de corrupção denunciado pelo “Fantástico” podem não ser punidos criminalmente. Apenas os funcionários que apareceram na reportagem oferecendo propina é que podem responder por corrupção ativa, fraude em licitação e formação de cartel nos inquéritos da PF .
— A pessoa jurídica não responde criminalmente, só em casos contra o meio ambiente. Mas se for comprovado que os funcionários eram instruídos a pagar propina pelos donos, se houver algum documento neste sentido, os empregadores também podem responder — disse a advogada Márcia Lins.
Mais órgãos públicos anunciaram ontem a suspensão de negócios com as quatro envolvidas no escândalo. A Câmara de Vereadores do Rio afirmou que o contrato com a Locanty, que presta serviços de limpeza, vence no fim do mês e não será renovado. Já a prefeitura do Rio e o governo estadual do Rio estudam a melhor forma de cancelar os contratos sem prejudicar os serviços oferecidos.
Estado estuda convocar o segundo lugar de licitações
A Procuradoria Geral do Município do Rio disse que vai analisar somente os contratos com a prefeitura que estiverem em andamento, sem verificar os de anos anteriores.
O Estado anunciou que Secretaria da Casa Civil está estudando, com o auxilio da Procuradoria Geral do Estado (PGE), a melhor forma de não prejudicar os serviços e uma das opções é convocar a empresa que ficou em segundo lugar para assumir o contrato.
Do Portal R7
Empresa denunciada pela Globo presta serviços para a emissora
A Toesa, empresa de atendimento médico pré-hospitalar que foi denunciada pelo Fantástico por fazer parte do esquema de fraudes em licitações na área da saúde no Rio, trabalha para a Globo.
Mesmo depois da denúncia, neste domingo (18), ambulâncias e funcionários da Toesa continuaram circulando pelo Projac.
Curiosamente, as ambulâncias estavam descaracterizadas, sem o logotipo, mas os funcionários trabalhavam devidamente uniformizados.
A Globo diz, por meio de sua assessoria: “A Toesa presta, sim, serviços de ambulância e primeiros-socorros no Projac. Todos os veículos levam o logotipo da empresa e os funcionários andam uniformizados”.
Já governo e a prefeitura do Rio de Janeiro, após a denúncia, cancelaram contratos com a Toesa e as outras empresas denunciadas pela Globo.
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