4 de junho de 2026

O ano amargo para a música erudita brasileira

Do Portal Luis Nassif
Página de Ali Hassan Ayache

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ESTÃO DEFENESTRANDO NOSSOS TALENTOS

O ano de 2012 tem sido amargo para os amantes da lírica. Não faltam motivos para ficar amargurado. Quem gosta de ópera e música clássica está na fossa.

Primeiro foi a saída da maestrina Ligia Amadio da Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo. Os “gênios” que dirigem a orquestra inventaram a fórmula mágica de um maestro para cada concerto, será a OSUSP multimaestro. Nem o Mandrake faria melhor. Ligia Amadio fez um grande trabalho com a OSUSP e ganhou a não renovação de seu contrato.

Ontem descubro mais uma desagradável surpresa, Roberto Duarte não é mais diretor artístico do Theatro São Pedro/SP. Roberto Duarte construiu , do nada , uma orquestra de ópera que fez belas apresentações. O maestro cometeu o pecado de esbarrar na burocracia estatal e em uma comissão que manda em tudo.

As encrencas não param por aí, o Theatro Municipal de São Paulo não anuncia sua programação para o ano de 2012. As apresentações são anunciadas mês a mês, saem aos poucos, como titica de cabra . A transformação do teatro em uma instituição gera dúvidas e incertezas em todos. Vão inventar um nome bonito para a gestão do teatro e pouco mudará.

O Theatro Municipal de São Paulo fez estardalhaço ano passado, após uma longa reforma mostrou uma sólida programação. Esperávamos o mesmo para 2012, infelizmente a realidade é outra, até agora só sabemos da existência da ópera La Traviata de Verdi. Especulações existem aos montes, mas de oficial nada.

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro anunciou uma programação magra, modesta e apática. Até os mais aguerridos defensores do teatro carioca reclamaram. A Cidade de Música construída e não concluída na capital fluminense está virando um elefante branco.

Theatro Municipal de São Paulo

O tempo passa e não para , mas certas verdades da administração pública dos teatros brasileiros continuam as mesmas. Reina a bagunça e o interesse pessoal . Os profissionais da área (músicos, coristas, diretores, coreografos, bailarinos e todos que trabalham no ramo) não têm nenhuma segurança de trabalho. Dependem de quem está no comando, contratos expiram e fica um vazio, a incerteza e o caos. Poucas são as casas que tem um planejamento a longo prazo, tudo depende da convêniencia de quem está no poder. Nos últimos anos vi belos projetos naufragarem por ser idéia de administração anterior ou do partido rival.

Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Estão defenestrando nossos talentos, fazendo de tudo para atrapalhar. As pessoas que fazem isso, por mais estranho ou prosaico que possa parecer, sequer sabem o que é uma ópera, nunca ouviram a nona de Beethoven na íntegra, nem imaginam a diferença entre um balé clássico e romântico. Estão por interesses políticos , em busca de cargos e ascensão na carreira. A música e a arte é o último dos seus interesses.

Ali Hassan Ayache

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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