4 de junho de 2026

Músico protesta contra piada racista em show em São Paulo

Da Folha.com

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Show com piada racista termina em confusão na zona sul de SP

FILIPE OLIVEIRA
RAPHAEL SASSAKI
AMON BORGES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Acabou em confusão a primeira edição do “Proibidão”, show de stand-up no qual comediantes fazem piadas preconceituosas contra negros, gays, deficientes e mulheres.

Um músico da banda que fazia as vinhetas entre uma apresentação e outra se sentiu ofendido por uma piada racista contada pelo humorista Felipe Hamachi.

Negro, o tecladista chamou a Polícia Militar. Após muita conversa, a confusão foi resolvida ali mesmo, sem a necessidade de registrar um boletim de ocorrência.

CARTA ANTIOFENSA

O show aconteceu na noite de anteontem, no Kitsch Club, zona sul paulistana.

Já na entrada, as pessoas tinham de assinar um termo de compromisso, confirmando que não ficariam ofendidas com nada que fosse dito.

A plateia era formada por pessoas de várias idades. Havia negros e mulheres. Entre os comediantes estavam Danilo Gentili, Fábio Rabin e Luiz França. Alexandre Frota era o apresentador.

A confusão ocorreu no momento em que o humorista Hamachi disse que não se pega Aids em relações sexuais com macacos e, em seguida, dirigiu olhares para o tecladista insinuando que mantinha uma relação com ele.

O músico, que não havia assinado o compromisso de “não ofensa” que é imposto ao público, abandonou o palco e chamou a polícia, que foi ao local. Amigos, companheiros da banda e funcionários tentaram acalmá-lo.

À Folha Alexandre Frota disse não ter percebido o ocorrido, pois não estava no palco no momento. Ele disse acreditar que o público se divertiu com a noite e até aplaudiu de pé. “Ninguém agrediu ninguém na rua ou dentro de um bar. É feito no palco.”

O sócio majoritário do Kitsch Club, Marcelo Szykman, disse que não esperava tal reação. Segundo ele, a função da comédia é “provocar reflexão e quebrar mitos e tabus”.

Em sua página do Facebook, Hamachi disse: “A única pessoa com quem brinquei no show era a única que não estava avisada do que aconteceria ali e isso causou mal-estar, que foi resolvido depois de muita conversa e de eu pedir desculpas para a pessoa”.

A Folha não localizou o músico, que é conhecido como Rapha “Dantop”.


Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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