4 de junho de 2026

Mulheres já empreendem tanto quanto investidores homens

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A melhor notícia do Dia Internacional da Mulher, no Brasil, é que as empreendedoras já competem em pé de igualdade com os pequenos e microempresários. No País, o número de mulheres que empreendem é quase o mesmo que o de homens. Segundo o relatório de 2010 do Global Entrepeneurship Monitor (GEM), entre os 21,1 milhões de empreendedores brasileiros 10,7 milhões pertencem ao sexo masculino e 10,4 milhões ao feminino, o que dá uma proporção de 50,7% para 49,3%. O estudo foi realizado em parceria entre a London Business School, o Babson College e, no Brasil, pelo Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP).

Em 2002, os homens eram 57,6% e as mulheres 42,4% do total. “A performance e os resultados obtidos por ambos os gêneros são os mesmos. As mulheres empreendedoras não se veem diferente dos homens, não se discriminam”, diz a diretora de cultura empreendedora da Endeavor, Karen Kanaan.

A afirmativa de Karen se baseia em um estudo conduzido pela Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (Unctad, iniciativa ligada à ONU) em seis países. Aqui, a pesquisa foi feita pelo Instituto Empreender Endeavor Brasil e os dados globais divulgados este ano. O objetivo era comparar empreendedores de várias partes do mundo.

Uma das conclusões que se pode tirar da pesquisa é que as empresárias brasileiras, na hora de inovar, preferem melhorar processos do que criar, de fato, um produto ou serviço novo. Consequentemente, suas inovações são menos visíveis, o que faz com que elas tenham mais dificuldade para obter financiamento privado e público. Segundo o Endeavor, 38,5% dos homens entrevistados obtiveram algum tipo de financiamento governamental para suas inovações, enquanto somente 19,2% das mulheres conquistaram tal apoio. “A mulher tem uma forma sutil de inovar, mas nem por isso melhor ou pior que o homem”, afirma Karen.

Segundo a executiva, a diferença entre os sexos também está presente na motivação para abrir uma empresa. “As mulheres geralmente optam por um segmento pelo qual sejam apaixonadas. Por exemplo, uma área em que já tiveram experiência e de que gostaram muito. Os homens focam mais nas oportunidades de mercado, mesmo que não tenham afinidade com o setor”, explica. “A paixão por um determinado nicho é o que costuma mover as empreendedoras”, salienta.

Outro ponto do estudo foi a análise da aversão ao risco. A conclusão é que as mulheres costumam assumir menos riscos do que os homens. Novamente, a pesquisa não fez julgamento de valor – ou seja, não avaliou se isso é bom ou ruim. “Na maior parte dos casos, elas têm uma postura mais segura para empreender”, comenta Karen.

Outro dado é que a retenção de talentos é maior em empresas comandadas por mulheres. Enquanto 57,7% dos brasileiros declararam ter dificuldades na área de recursos humanos ou no processo produtivo, apenas 34,6% das mulheres disseram a mesma coisa.

O grande desafio para as empreendedoras brasileiras, aponta o estudo, é a formação da sua rede de contatos. Na comparação com americanas, jordanianas, suecas, ugandenses e suíças – no índice de empresárias que são membros de associações de comércio – elas ficaram em último lugar nesse quesito.

“As mulheres fazem menos networking que os homens. Consequentemente, têm menos acesso a informações e deixam de trocar experiências com outros empreendedores – itens fundamentais para o sucesso das empresas”, afirma Karen. 

(a matéria segue no endereço original com o “case” Kapeh (empresa de cosméticos de Vanessa Vilela)

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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