Por Rafael Patto
Comentário do post “Secretário da Cultura de Portugal critica Acordo Ortográfico“
Toda língua natural dispõe de versatilidade. O português não é nem melhor nem pior do que qualquer outra língua que se fala pelo mundo.
O fato é que as línguas têm de servir a uma dada comunidade linguística para que ela apreenda, represente, e construa realidades (físicas, psicológicas, etc.).
Línguas de esquimós, por exemplo, contam com mais de uma dezena de vocábulos para se referir àquilo que em português só conhecemos como “gelo”. Existe um vocábulo específico para falar da água que está virando gelo; um outro para falar do gelo que está derretendo e virando água e assim por diante.
Do mesmo modo, populações de regiões desérticas dispõem de inúmeros vocábulos para se referirem à sua realidade geoclimática. E isso se passa no geral. Grupos profissionais, por exemplo, têm seu vocabulário muito mais recheado daquilo que faz parte de seu horizonte no dia-a-dia. Se formos aferir a recorrência de determinados vocábulos na fala espontânea de um médico, um advogado e um professor de educação física, por exemplo, vamos ver como existe uma diferença enorme.
Por exemplo, há palavras que são mais empregadas por aqueles que moram no litoral, ou pelos que moram no cerrado mineiro, ou em favelas em grandes cidades, etc. etc.
E os neologismos vão se criando para que a própria língua acompanhe as demandas de recursos expressivos da comunidade de seus falantes.
Isso é absolutamente natural e verificável em qualquer língua.
E se formos viajando muito nessa maionese, vamos nos forçar a mencionar que as nossas escolhas vocabulares são muito influenciadas pela situação comuncativa de que estamos participando em dado momento. Não falamos da mesma forma sempre, independentemente do lugar e do interlocutor.
O registro linguístico que emprego ao falar com minha mãe é diferente daquele que emprego com o meu chefe, ou com meus amigos numa mesa de bar. Assim como, não falo do mesmo modo quando estou num estádio de futebol ou numa reunião de traballho…
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