Por José Vitor Bomtempo, do Blog Infopetro
A revista Technology Review, editada pelo MIT, divulgou no final do ano passado um interessante balanço das inovações em energia em 2011. O relato resume os sucessos e fracassos; as surpresas e decepções do ano nos diversos segmentos da área de energia. Em biocombustíveis, foram destacados dois pontos: o início da produção da Amyris e o surgimento de um grupo de empresas que anunciam processos inovadores para a obtenção de açúcares a baixo preço a partir de materiais lignocelulósicos. Esta corrida pelo açúcar, vista hoje como uma passagem crítica para o futuro da bioindústria, foi destacada no nosso artigo anterior.
Mas como poderíamos sintetizar o ano de 2011 dentro da perspectiva do futuro dos biocombustíveis e da bioindústria? O ponto de partida do primeiro artigo desta série, publicado em 29 de março de 2010, foi bem enfático: “a indústria de biocombustíveis do futuro será bem diferente da que conhecemos hoje”. A indústria estaria em transformação e se afastando da lógica inicial centrada nos chamados biocombustíveis de primeira geração: etanol e biodiesel. Ao longo dos dois últimos anos tentamos acompanhar esse processo de transformação. Ao revermos a evolução da agenda em torno dos biocombustíveis, parece-nos que o último ano marcou o que poderia ser o “ano 1 da era pós-etanol”.
Assistimos nos últimos meses a discussões sobre a crise a produção de etanol no Brasil. De certa forma esta crise teria mais a ver com questões conjunturais (reflexos da crise financeira internacional de 2008, quebra de safras, fim de um ciclo de investimentos) do que propriamente com a dinâmica tecnológica e de inovação dos biocombustíveis. Mas, por coincidência ou não, o ano de 2011 marcou aparentemente os primeiros passos da era pós-etanol da bioindústria.
Não se quer dizer que o etanol deixará de ser o bioproduto de maior volume nas próximas décadas. Existem sem dúvida espaços a serem ocupados. Experiências interessantes como as dos ônibus e carros na Suécia ilustram o potencial do etanol. Certamente o papel do etanol anidro como aditivo da gasolina pode ser mantido enquanto houver consumo de gasolina. Mas o futuro da bioindústria parece estar se afastando do etanol como produto final. Isso não quer dizer que se caminhe para o desaparecimento da indústria mas para uma diversificação tecnológica cada vez mais clara. Essa diversificação é muito mais ampla e transformadora do que o etanol de segunda geração, convencionalmente visto como a tecnologia do futuro da indústria. O texto continua no Blog Infopetro.
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