4 de junho de 2026

Ameaça à liberdade de expressão nas democracias maduras

Por Paulo F.

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Do Diário dfe Notícias de Lisboa

Relatório RSFLiberdade de informação em risco também nas democracias

por DN.pt com agênciasHoje

A Síria é um dos países onde a falta de liberdade de informação está diretamente relacionada com a situação política do paísA Síria é um dos países onde a falta de liberdade de informação está diretamente relacionada com a situação política do país Fotografia © Reuters

As ditaduras (Coreia do Norte, Síria, Irão) ocupam obviamente os últimos lugares da lista elaborada pelos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) sobre o estado da liberdade de imprensa em 2011.

Mas, para além destes países, onde são conhecidos os casos de censura e de limitação à liberdade da imprensa, 2011 não foi um ano bom para a atividade jornalística. O relatório da RSF sublinha que as democracias históricas – como a França, Itália, Reino Unido, Espanha ou Estados Unidos “deveriam dar o exemplo”, mas isso não está a acontecer. Estes países estão muito longe dos lugares cimeiros da lista elaborada pela RSF. “Em alguns países europeus sentimos uma degradação da situação, com perseguições nas redações, jornalistas acusados e pesados processos judiciais”, explicou à AFP Jean-François Julliard, secretário geral da RSF. “Temos a sensação que existe nestes países uma tentação de controlar a informação, que se nota mais em 2011 do que havia há dez anos.”

Nos Estados Unidos, 25 jornalistas foram submetidos em 2011 a prisões e agressões policiais enquanto faziam a cobertura dos movimentos contestatários. Os EUA estão na 47ª posição da lista (em 2010 estavam em 20º lugar).

A Hungria desceu do 23º lugar para o 40º. O Reino Unido está na 28ª posição e a França na 38ª.

São poucos os países onde a situação é considerada boa: Noruega, Finlândia, Estónia, Holanda, Áustria, Islândia, Luxemburgo, Suíça, Cabo Verde e Canadá ocupam as dez primeiras posições desta lista – são os países onde os jornalistas têm a liberdade devida para trabalhar e informar o público.

De salientar a entrada de um país africano para este top-10: no ano passado Cabo Verde estava na 26º posição. Aqui, existe uma “verdadeira tolerância das autoridades em relação aos jornalistas. A imprensa é plurar e acreditamos que os títulos têm toda a liberdade”, explicou à AFP Ambroise Pierre, responsável pelo gabinete dos assuntos africanos da RSF.

Pelo contrário, Eritreia, Turquemenistão e Coreia do Norte constituem o “trio infernal” onde não existe “nenhuma liberdade pública”. Um pouco à semelhança do que acontece na Síria, Irão, China, Barein, Vietname, Iémen e Sudão que completam o top-10 no fundo da tabela.

“A equação é simples: a ausência ou a supressão das liberdades públicas afetam automaticamente a imprensa. As ditaduras receiam e proibem a informação, sobretudo quando as pode fragilisar”.

“A repressão foi o mote do ano passado. Nunca a liberdade de informação esteve tão associado à democracia, nunca o trabalho dos jornalistas foi tão lesado pelos inimigos das liberdades”, escreve a associção, na décima edição do relatório que desta vez avaliou o estado da liberdade de imprensa em 179 países.2011 foi, de acordo com este documento, o ano em que foram relatados mais casos de censura e de atentados à integridade física dos jornalistas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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