4 de junho de 2026

Vícios públicos e privados convivendo na fartura

A gente tem de entender que esse é um problema de política de segurança, e que nunca se separa da política geral, da administração pública, da figura dos que têm mandatos populares e das autoridades do Judiciário, mas recai sobretudo nos que planejam e decidem a vida pública, o Executivo e o Legislativo. Os políticos, esses que têm nome, partido, propaganda, mandato…

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O problema original sempre está 100% com eles. Nunca 99, nem 90%; se for pra mudar, é pra 110%. São sempre os seus planos, as suas decisões, as suas gestões, a vontade política que se distancia dos interesses da população. Tudo originou-se, complicou-se e desviou-se na esferera política, e na ingenuidade ou na omissão dos cidadãos, também em pirâmide descendente: os que têm mais recursos e melhor posição social têm consequentemente muito mais responsabilidade pelo que ocorre nas ruas e nas periferias brasileiras. Mas todos os cidadãos, claro, têm sua responsabilidade.

O problema está no vereador, no prefeito, nos deputados, no governador, nos secretários, nos dirigentes de partido, em grau maior, depois sim está no Judiciário, nos empresários, na própria Polícia (maus policiais, ou que foram cooptados e corrompidos pelo sistema), e, por último, na omissão e na indiferença da própria cidadania, em vários pontos e momentos da vida política.

O caso de São José dos Campos é emblemático, por causa do nome do proprietário envolvido no caso. Se a gente for puxar todos os fios de todas as meadas dessa história, o que se observará? Um acumulado de vícios públicos e privados convivendo mutuamente na fartura. E, para a grande maioria da população, em nome da corrupção e dos desvios, a “fartura”: farta tudo, coisas essenciais.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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