4 de junho de 2026

Antonio Adolfo ensina nos EUA como se toca o baião

Do Portal Luís Nassif

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Do Blog de Nicolau Frederico de Souza

Chora Baião”, novo CD do compositor, pianista e arranjador Antonio Adolfo, vem fazendo sucesso nos EUA desde seu lançamento, em setembro de 2011. No último dia do ano o álbum ganhou prêmios em seis categorias por voto popular no importante site The Latin Jazz Corner: Álbum do ano, Melhor álbum brasileiro, Melhor pianista (Antonio Adolfo), Melhor baixista (Jorge Helder) e Melhor capa (arte de Felipe Taborda e Lygia Santiago com ilustração de Bruno Liberati).

Esse prêmio é importante, não só para os que estão concorrendo, mas principalmente para a música que vem da América Latina”, comenta Antonio Adolfo. “O Grammy retirou a categoria Latin Jazz do seu rol de premiações. O Latin Jazz Award vem, de certa forma, tentar suprir esse vácuo“, explica.

No álbum, que no Brasil tem distribuição pelo selo Saladesom, Antonio Adolfo interpreta composições próprias e faz releituras para músicas de Chico Buarque e Guinga.

Este disco apresenta uma idéia que ja vinha desenvolvendo há muito tempo: a de reunir a genialidade dos músicos Guinga e Chico Buarque. Através da observação dos estilos desses geniais compositores, pesquisei o repertório dos mesmos através de songbooks e gravações. Muita elaboração, que culminou com a inclusão de tres músicas minhas, duas inéditas, e que vieram compor o repertório.“, explica Antônio Adolfo.

Quem é Antonio Adolfo

Filho de uma violinista da Orquestra do Teatro Municipal do Rio, carioca de Santa Teresa, aquariano da classe de 47, o pianista Adolfo aos 16 anos já pertencia ao fechado clube da bossa-nova que se reunia no Beco das Garrafas, à frente de grupos como o “Samba a Cinco” e o “Trio 3-D”.

No último, Antônio Adolfo participou da peça musical “Pobre Menina Rica“, de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, e começou a acompanhar os demais músicos e artistas de alto nível musical daquela época. Mas a partir de 1967, em dupla com o letrista Tibério Gaspar, Adolfo, o compositor, transformou-se num dos detonadores da ala da toada moderna, que produziu sucessos como “Sá Marina” e “Juliana“.

Ao mesmo tempo, pilotando o grupo Brazuca, deu um toque de modernidade eletrônica no pop da época (“Teletema“, “Ana Cristina“) até desaguar na polêmica canção “BR-3“, interpretada por Tony Tornado e que causou polêmica e sacudiu as estruturas dos festivais da época.

Integrante da banda que acompanhou Elis Regina em duas excursões à Europa, um estágio com a erudita Nadia Boulanger, em Paris (além dos aperfeiçoamentos com os brasileiros Guerra Peixe e Esther Scliar), Antonio Adolfo estava pronto para mais um grande salto.

Em 77, num ato de coragem e pioneirismo, lançava o disco “Feito em casa” em seu próprio selo Artezanal. Era o pontapé inicial de uma tendência libertária, a do disco independente, que motivaria o aparecimento de artistas divergentes das leis do mercado tradicional.

Desde 1985, Adolfo vem se dedicando a sua escola de música, o Centro Musical Antonio Adolfo, além de participar em eventos internacionais como músico e educador, sem deixar de lado sua carreira como intérprete. Recebeu dois Prêmios Sharp por seus trabalhos “Antonio Adolfo e Chiquinha com jazz“, respectivamente.

Como autor de material didático, lançou no Brasil sete livros pela editora Lumiar, além de um video-aula e dois livros sobre música brasileira no exterior. Durante oito anos foi o representante do IAJE (International Association For jazz Education) para a América Latina.

Recentemente Antonio Adolfo voltou a se apresentar com mais frequencia em shows, seja em formato piano solo ou em grupo. De uma de suas apresentacoes com a filha Carol Saboya, em uma Universidade dos Estados Unidos nasceu o trabalho em CD, lancado no Brasil e no Exterior: “Antonio Adolfo & Carol Saboya Ao vivo/Live”. E, mais recentemente, “Lá e Cá/Here and There“.

Conheça a obra e a vida deste grande músico, compositor e professor brasileiro, acessando o seu site oficial aqui

E que tal ouvir o próprio Antônio Adolfo falar sobre as composições de Guinga gravadas em seu CD “Chora baião“, neste vídeo abaixo do YouTube.

Com informações e imagens fornecidas por Beto Feitosa e YouTube.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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