Da Agência Estado
Definição de corte no Orçamento de 2012 fica para fevereiro, diz Barbosa
Secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ainda que o PIB pode crescer entre 4% e 5% neste ano, acima do previsto antes pelo próprio ministério
Texto atualizado às 20:42
SÃO PAULO – O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que o valor total dos cortes de despesas do Orçamento de 2012 serão definidos pelo Poder Executivo até o começo do próximo mês. “O valor está sendo discutido entre os ministérios. O ministro (da Fazenda, Guido) Mantega e a ministra Miriam Belchior (do Planejamento) estavam de férias e retornam a Brasília na semana que vem e a discussão deve começar formalmente”, disse.
“As áreas técnicas (dos ministérios) já fizeram projeções de cenários para apresentar aos ministros que aí vão avaliar e levar à presidente. Mas essa é uma decisão para ser tomada até o final do mês ou inicio de fevereiro”, destacou Barbosa. Ele ressaltou que o Congresso mandou o projeto de lei do Orçamento 2012 para o governo na primeira semana de janeiro e há um prazo legal para sancionar a lei.
Ele não quis comentar sobre o montante do corte de despesas. Em 2011, o contingenciamento atingiu R$ 50 bilhões. Vários analistas, como o economista-chefe da LCA, Braulio Borges, avaliam que para que o governo consiga atingir novamente o superávit primário neste ano a redução dos gastos do Orçamento precisará ficar ao redor de R$ 60 bilhões.
PIB
Barbosa afirmou ainda que é possível que o PIB no Brasil cresça de 4% a 5% neste ano, marca que será superior à expansão estimada pelo seu ministério de 3,2% do País em 2011. “Já foram adotadas medidas de estímulo (da economia) que estarão entrando gradualmente em operação ao longo deste ano, como por exemplo o aumento do salário mínimo (para R$ 622,00), a desoneração do Super Simples, e também do micro empreendedor individual, a desoneração da folha de pagamento”, disse.
“Há também os impactos defasados da redução dos juros registradas no segundo semestre do ano passado e mais recentemente algum relaxamento das medidas macroprudenciais”, destacou Barbosa. “As medidas, no seu todo, entram em efeito gradualmente e promovem uma recuperação do crescimento que nós achamos que ficará (em 2012) de 4% a 5%”, disse. Ele fez os comentários depois de proferir palestra no III Laporde, que está sendo realizado nesta semana na EESP-FGV.
Inflação
Ao mentar sobe a inflação, Barbosa afirmou que neste ano o IPCA deve ficar num patamar menor do que os 6,5% de 2011. “Nós achamos que a inflação fica abaixo de 5%, como tem sido indicado nos relatórios de inflação do Banco Central”, destacou. No Relatório Trimestral de Inflação de dezembro, o cenário de referência apontou que o IPCA deve fechar 2012 em 4,7%.
“Não deve se repetir neste ano, pelo menos com a mesma intensidade do ano passado, por exemplo, o aumento de preços de etanol. Tem um aumento, mas não será na mesma magnitude que ocorreu em 2011”, disse. “Os preços das commodities se estabilizaram e algumas delas até caíram. Então, algumas coisas que pressionaram a inflação para cima no ano passado não tendem a se repetir neste ano. Mas, há sempre novos fatores. Temos que avaliar qual vai ser o impacto líquido disso”, comentou.
Demanda
O secretário acredita que o impacto de uma alta da demanda agregada na inflação no Brasil é bem menor do que a influência da inflação passada, que gera inércia, e de choques de oferta. “Isso é uma coisa que todos os economistas no Brasil sabem, mas não são todos que dizem: a demanda agregada tem um impacto pequeno sobre a inflação”, disse.
“Não é que a demanda não importa. A demanda importa, mas há também outros fatores importantes explicando a inflação. A demanda agregada afeta mais os serviços, que respondiam por 25% da inflação, e agora será menor”, disse, referindo-se a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009 que balizará o cálculo do IPCA.
De acordo com Barbosa, no Brasil ocorreu “um choque dos preços de commodities”, entre o final de 2010 e meados de 2011, registrado pelo IC-BR, apurado pelo Banco Central, e as passagens aéreas avançaram 51% no ano passado. Barbosa destacou que o PIB nacional desacelerou de 7,5% em 2010 para uma marca bem menor no ano passado, que segundo o ministério da Fazenda deve ter atingido 3,2%, e mesmo assim a inflação variou de 5,9% para 6,5% no período.
“Há outros fatores explicando a inflação do que a variação da demanda agregada”, disse, ao fazer uma apresentação no III Laporde, que está sendo realizado nesta semana na EESP-FGV.
Os comentários de Barbosa podem ser interpretados como uma crítica a economistas que são contrários a ações adotadas pelo governo para estimular o nível de atividade, especialmente neste momento. Esses especialistas, muitos deles ortodoxos, temem que ações fiscais e monetárias pelo Poder Executivo trarão mais inflação no curto prazo, sendo que no ano passado o IPCA atingiu o teto da meta de 6,5%.
Na ótica do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no entanto, a crise internacional é tão grave que provoca efeitos desinflacionários no mundo, que deverão manter relativamente estáveis os preços de commodities em 2012.
Segundo ele, medidas como o aumento do salário mínimo, desoneração da folha de pagamento de alguns setores produtivos, e queda dos juros das operações financeiras para consumidores e empresas deverão ajudar a fazer com que o PIB cresça neste ano entre 4% e 5%.
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