http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/cia/2011/12/20/dilma-nao-fala-nao-ouve-e-nao-ve-gays.html
20/12/2011 – 11:23:32
Dilma não fala, não ouve e não vê gays
A ABGLT (enfim) resolveu mostrar uma postura mais crítica em relação ao governo Dilma. A entidade demorou para reagir, mas o fez nesta última conferência LGBT. A presidente tem uma postura bastante covarde em relação aos direitos LGBT: ela não fala, não vê e não ouve os gays. Prova disso foi que Dilma não compareceu na Conferência LGBT (como fez Lula), nunca citou gays em seus discursos (deveria ter feito na Onu); enterrou o kit anti-homofbia do MEC sem nem mesmo ouvir o movimento, entre outras tantas ignoradas. Tudo por conta de sua aproximação com os setores mais conservadores. E isso vem desde de sua campanha.
Estranho seria se a ABGLT, entidade mais representativa do movimento gay brasileiro, continuasse apoiando a presidente, como vinha fazendo de olhos fechados neste primeiro ano de seu governo. Essa postura pouco crítica da entidade e de seu presidente Toni Reis acabou aprofudando ainda mais a distância entre o movimento e a comunidade gay, relação essa que sempre foi fria e que nos últimos anos, desde que a ABGLT fincou a bandeira partidária-petista em sua linha de frente, estava mumificada. Mas a ABGLT resolveu criticar o governo Dilma. Em entrevista ao programa CBN MixBrasil do último domingo, seu presidente, Toni Reis, disse que o governo Dilma não tem comprometimento com a causa LGBT e usou como exemplo um bom argumento: o governo do Estado do Rio de Janeiro destinou 17 milhões de reais ao enfrentamento da homofobia e à implantação de políticas públicas LGBT no estado no último ano. Já o governo Dilma destinou 400 mil reais para o país todo. Isso significa que as Paradas, festivais e campanhas minguaram a ponto de secar.
**
Por outro lado, o governo vai manter a ministra Maria do Rosário á frente da Secretaria de Direitos Humanos. E ainda vai ampliar os poderes da pasta coordenada por ela. A Ministra tem batalhado pelos direitos gays desde quando era deputada. E essa bandeira ela carrega com firmeza a frente de seu ministério. Ela incluiu logo nos primeiros meses de seu cargo os LGBT no Disque 100 (serviço de denúncias contra violações de direitos humanos), e nunca negou que é defensora desta minoria. O governo também conta com a senadora Marta Suplicy, a voz mais ativa no Congresso na defesa dos direitos LGBT.
Tenho a impressão que exite um acordo entre Dilma, Maria do Rosário e Marta para que elas levem a questão LGBT nas costas e permitam que a presidente faça seus acordos conservadores a vontade. É uma tática que funcionará por pouco tempo: vai chegar um momento em que nem os mais fanáticos petistas vão engolir essa queda assumida de Dilma pelos ultraconservadores.
**
E que a ABGLT tome esse primeiro ano de governo Dilma como lição: a entidade defende uma causa, os direitos civis LGBT, não um governo, nem muito menos um partido. Se continuar de olhos vendados para um governo que nada faz pelos gays e muito faz pelos conservadores, vai perder representativade e legitimidade. Todos perdem. É hora dos ativistas guardarem suas bandeiras petistas dentro do armário.
Escrito por Marcelo Cia às 11:23:32
Deixe um comentário