3 de junho de 2026

União pode assumir risco cambial do trem-bala

Do Valor Econômico

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União deve bancar o risco cambial do projeto trem-bala

Por Daniel Rittner | De Brasília

O governo federal poderá assumir o risco cambial para os investimentos na construção do trem de alta velocidade Rio-São Paulo-Campinas. A ideia em estudo é criar uma “blindagem” no financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que será oferecido ao vencedor da licitação contra as variações do real até a entrada em operação do trem-bala.

Nas próximas semanas, os técnicos vão acertar os últimos detalhes do edital da primeira fase do leilão, a ser publicado em dezembro. A partir de conversas com grupos interessados no fornecimento da tecnologia e no arrendamento da infraestrutura ferroviária, que serão objetos do leilão, o governo identificou a necessidade de definir três questões: o risco cambial, a garantia de demanda mínima e a forma de compensar o futuro concessionário por atrasos na obra por motivos alheios à sua vontade.

O BNDES já foi autorizado a conceder empréstimo de até R$ 20 bilhões ao concessionário. Como todos os montantes relacionados ao empreendimento foram estipulados em 2008, a previsão é que o financiamento deve ficar perto de R$ 25 bilhões em valores atualizados, estimam fontes ligadas ao Palácio do Planalto.

Todo o orçamento, na realidade, será atualizado pela inflação do período. Com isso, o valor total do projeto subirá de R$ 34,6 bilhões para cerca de R$ 40 bilhões. A tarifa na classe econômica, antes estimada em R$ 200, deverá aumentar para R$ 240 a R$ 250.

Como boa parte dos equipamentos (material rodante e sistemas) será importada, os potenciais investidores fizeram chegar ao governo suas preocupações com o aumento de custos no caso de desvalorização do real. Para os técnicos, é provável que os próprios investidores se encarreguem de encontrar proteção cambial, mas incluindo os custos do hedge nas propostas no leilão. Para minimizar esse repasse, a solução aventada pelo governo é buscar uma forma de proteger os recursos emprestados pelo BNDES contra eventuais variações cambiais.

Outros instrumentos avaliados pelo governo para reduzir o risco para os investidores é dar garantia mínima de demanda e também criar formas de assegurar ao futuro concessionário que ele não terá prejuízos caso haja atrasos no cronograma das etapas seguintes da licitação.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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