4 de junho de 2026

A parteira que conviveu com Angela Gehrke

Por Bettina Koyro

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Comentário ao post “A lógica do parto humanizado”

Nassif, que bom saber da Monte Azul e da Casa de Parto!

Também sou “parteira” alemã. Conheci Angela Gehrke em 1984 quando fui voluntária na Associação Comunitária Monte Azul. Tinha 19 anos e curiosa, pedi a Angela que pudesse um dia acompanhar um parto no ambulatório. Foi a coisa mais marcante na minha vida. Num ambiente simples, sem estress, o pai da criança ao lado da parturiente, nasceu o bebê da maneira mais tranquila que podemos imaginar – nada de gritos, sangue…Angela foi uma pessoa abençoada, transmitindo segurança e paz a todos que estavam no quarto.

Ao retornar para Alemanha, em 1985 resolvi fazer o curso de enfermagem obstétrica em Berlin e não me arrependi. Depois de formada, trabalhei alguns anos em Berlin, realizando partos a domicílio e conheci o trabalho das parteiras na única Casa de Parto da cidade, hoje tem 9 Casas de Parto em Berlin e muitas outras no resto da Alemanha.

1993 comecei um trabalho financiado por uma ONG num minúsculo povoado na região Visconde de Mauá em Minas Gerais, longe de qualquer tipo de atendimento médico, onde fiz pré-natal, acompanhei puerperas e realizei mais do que cem partos naturais em 10 anos. A minha estatística é igual de Angela.:1% de cesárea e nenhum caso de morte materna ou neonatal! Aprendi muito com as parteiras locais, pois quando acabam os recursos da medicina convencional tem que apelar para recursos naturais e sabedoria dos “antigos”.

Em 2003 me mudei com a família para Juiz de Fora-MG onde trabalhei durante 2 anos na Casa de Parto da UFJF – experiência incrível! A casa tinha três quartos aconchegantes, todas com banheiras para realização de parto na água! Infelizmente tal iniciativa causou a ira dos médicos da cidade e em 2008 a casa foi fechada por motivos até hoje não explicados a população de Juiz de Fora.

Defendo o parto normal, pela saúde da mãe e da criança e por ser uma experiência única na vida de nos mulheres e de nossos companheiros também. Nada compara se com o momento em que finalmente estamos com aquele pequeno serzinho nos braços a qual fomos capazes de dar à luz com as próprias forças. Tive dois partos normais e um deles em casa – para quem se prepara bem, sabendo relaxar e se movimentar durante as contrações, não existe dor insuportável!Existem riscos na gravidéz e no parto, bem sei disso, mas com um bom pré-natal (humanizado) podemos descobrir e encaminhar a gestante para atenção especializada e um parto de alto risco que não necessáriamente precisa ser uma cesárea.

O que vejo no Brasil é um alto número de cesáreas desnecessárias e a não aceitação de que  o processo do parto é algo misterioso que precisa do respeito e acompanhamento carinhoso dos profissionais de saúde e da família envolvida.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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