4 de junho de 2026

EUA reforçam presença na região da Ásia-Pacífico

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Região da Ásia-Pacífico é prioridade dos EUA, diz Obama

Presidente americano marca posição dos EUA diante da expansão da China e afirma que saída de tropas do Oriente Médio significa reforço da presença americana na Ásia

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE

Barack Obama discursa diante de militares australianos e da primeira-ministra Julian Gillard na base de Darwin, no norte do país (Foto: Scott Barbour / AP)

Um dia depois de anunciar a expansão da presença militar americana na Austrália, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a destacar a importância que a região da Ásia-Pacífico tem para a política externa dos Estados Unidos. Em discurso diante de tropas australianas e da primeira-ministra do país, Julian Gillard, Obama afirmou que, ao mesmo tempo em que os EUA começam a reduzir sua presença no Oriente Médio, no Iraque e no Afeganistão, particularmente, a Ásia se torna cada vez mais uma região de “alta prioridade”.

“Enquanto chegamos ao fim das guerras atuais, eu direcionei minha equipe de segurança nacional para fazer de nossa presença e missões na Ásia-Pacífico uma alta prioridade”, afirmou Obama. “Como resultado, reduções nos gastos com defesa dos EUA não vão – eu repito, não vão – se dar à expensa da Ásia-Pacífico”, afirmou. “Os EUA são uma potência pacífica, e estamos aqui para ficar”, disse. As declarações de Obama servem para marcar a presença dos Estados Unidos em uma região na qual a China exerce uma influência cada vez maior, o que indica uma disputa acirrada entre as duas potências. Ciente das tensões que o tema provoca, Obama abordou as relações com o governo chinês e afirmou que seu governo vai “buscar mais oportunidades de cooperação com Pequim”, incluindo diálogos bilaterais entre as Forças Armadas dos dois países, como forma de evitar “erros de cálculo”. 

Para os EUA, a expansão da China, especialmente na Ásia, é um claro desafio a sua hegemonia mundial. Os EUA observam com atenção a crescente tensão no mar do Sul da China, uma área que considera estratégica para seus interesses, já que por suas rotas passam cerca de US$ 1,2 trilhão anuais em mercadorias entrando ou saindo dos EUA. A China se mostrou gradualmente mais agressiva em suas reivindicações territoriais na região, onde disputa a soberania com Brunei, Malásia, Filipinas, Índia e Taiwan, alguns dos maiores aliados americanos na região.

Em recente artigo, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmara que o foco da política externa americana no século XXI é a região do Pacífico, e não o Oriente Médio, e disse que tanto EUA quanto China têm muito mais a ganhar da cooperação do que do conflito.

Com o reforço da presença americana na Ásia, esses aliados podem se sentir mais encorajados a enfrentar a China nas disputas bilaterais que travam com elas. Na quarta-feira, após o anúncio de que a partir de meados de 2012 um grupo adicional de 200 a 250 soldados da Marinha dos EUA ficará destacado no norte da Austrália, a China reagiu rapidamente. Liu Weimin, porta-voz do Ministério do Exterior da China, afirmou que é preciso discutir se a expansão militar americana na Austrália “está alinhada com os interesses comuns da comunidade internacional”. “Pode não ser exatamente apropriado intensificar e expandir alianças militares e pode não ser do interesse dos países da região”, disse Weimin.
Com o envio de soldados para a Austrália, os EUA deverão ter, até 2016, uma força completa de fuzileiros navais no norte do país, um contingente de cerca de 2,5 mil soldados. Nos dois maiores aliados que têm na região – o Japão e a Coreia do Sul, dois vizinhos muito mais próximos da China que a Austrália – os EUA possuem um contingente de 78 mil soldados. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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