4 de junho de 2026

A especulação imobiliária nas comunidades pacificadas

Da Época

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Aluguel em comunidades pacificadas sobe até 7%

O “efeito UPP” aumentou mais o valor dos aluguéis nas favelas do que em bairros tradicionais da cidade, diz estudo

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL

A bandeira do Brasil é hasteada e sinaliza o sucesso da operação (Foto: Oslaim Brito / Parceiro / Agência O Globo)

A inflação do aluguel chegou às favelas pacificadas do Rio de Janeiro. De acordo com uma pesquisa realizada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o aumento nos preços dos aluguéis em comunidades que receberam unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) está 6,8% acima do de imóveis localizados em bairros tradicionais.

O trabalho da FGV, desenvolvido pelo pesquisador Marcelo Neri, utilizou dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Pnad/IBGE), de 2009, e do Censo das Favelas, feito em 2008 pelo governo do Rio. A pesquisa comprarou estruturas disponíveis nas favelas da Rocinha e do Complexo do Alemão.

“Já se pode falar em um efeito UPP nos aluguéis nas favelas, que subiram quase 7% a mais do que a valorização do resto da cidade, no primeiro ano após a implantação das unidades”, disse Neri. 

Ele constatou que apesar da questão policial estar equacionada nessas áreas, ainda existem muitos problemas a serem resolvidos. Na Rocinha, por exemplo, 36,8% dos moradores não têm endereço para correspondência, o que é uma dificuldade a mais na hora de preencher uma ficha de emprego ou de fazer um carnê de loja. E falta iluminação pública próximo da residência de 54,7% dos entrevistados.

“O trabalho é muito mais forte na Rocinha, pelo fato de ela estar encravada na área mais rica da cidade, em um centro dinâmico em expansão”, diz Neri. Por outro lado, ele afirma que as condições de moradia são piores lá, pois é uma topografia complicada e que gera aglomeração de pessoas, com muitas famílias sob o mesmo teto.

A pesquisa da FGV comparou as comunidades da Rocinha e do Alemão e constatou que na favela da zona sul carioca existe maior possibilidade de emprego, pela proximidade com moradores de classes sociais de alto poder aquisitivo. No entanto, na Rocinha o problema do adensamento urbano é mais grave, obrigando as pessoas a viverem muito próximas umas das outras, às vezes dividindo o espaço com mais de uma família.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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