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Santa Intolerância

 

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terça-feira, 15 de novembro de 2011 | 19:05 | 0 Comentários

Santa Intolerância

 

Quando a revolução começará? O mundo parece entrar em colapso e ainda somos questionados como usamos o nosso sexo. Por que ainda guardamos nossos canhões de balas arco-íris e não detonamos a guerra? Somos mais fortes juntos. Onde está a mobilização meteórica da parada gay? Por que nos sentimos ao mesmo tempo poderosos e subjugados?
Temos a violência mais forte nas mãos tal qual aquela de Gandhi? Sim, podemos ter, podemos usá-la, aliás, com temos feito, usando a palavra, o esclarecimento. Temos uma arma mais forte que a bomba atômica: a internet e sua isenção e alcance. A usamos mas talvez nem tenhamos noção ainda de seus desdobros. Aguardamos a obra que não contempla os contemporâneos, como disse Eagleton. Mas vamos esperar o saldo positivo da história daqui a 5,10,50 anos?

A caça as bruxas foi aberta. A temporada parece ser demoniacamente crucial para nosso movimento. Como continuar contra argumentos criados por uma eterna geração deles? Eles que têm o poder! Como deve ser a consistência de nosso escudo protetor?

O conhecimento canônico da Igreja que nada tem de indulgente e misericordiosa não muda há séculos. Páginas inteiras são reveladas com reflexões antigas e anacrônicas. Basta pensar a condição da mulher, e não vou citar versículos para parecer pedagógico. As bruxas que foram não passaram de perseguição gratuita e misógina, como se o poder da mulher, a grande vagina incompreendida engolisse o conhecimento do homem, só feito, produzido e perpetuado pelo Homem (gênero masculino, branco , eurocêntrico). E as outras categorias deveriam ser silenciadas, queimadas.
Hoje está sendo acesa as precárias e obsoletas cinzas de fogueiras medievais. Queimam por que existem aqueles que as alimentam.
Não há política a se perseguir neste Estado? O que entretém os deputados naquela casa? Por que assuntos estruturais não são debatidos, enquanto eles se protegem em sua bolha de privilégios? Eles não sabem de nossa bomba de arco-íris? Não sabem? Então, deixemos-lho saber. Mas ainda antes da declaração da guerra definitiva, temos a lei, os operadores do Direito, o voto, a mídia, a internet, o esclarecimento desvinculado dos valores bíblicos, o próprio sentido bíblico da convivência mútua pacífica, a Igreja Inclusiva – se formos trocar balas. Temos ainda nós mesmos. Temos o STF como corte como protetora da Constituição Federal. Ela está a favor de todos nós! Temos os Sérgios Cabrais da vida, que em referência homônima ao nosso descobridor, abriu as fronteiras de um novo Brasil. Ele abriu as portas para as grandes expedições em naus que flamulam as bandeiras dos arco-íris, e não em pura manifestação egoísta de nossa causa, eis que o arco-íris representa paz. A paz é atributo genérico a qualquer povo.
Lutemos pela paz, então, que é benéfica. Mas precisamos da guerra para alcançá-la? Hoje tenho convicção que sim, já que o inimigo, ou melhor, a bancada evangélica, mune-se de todo despautério secular para nos atacar. Precisamos da violência pacífica de Gandhi para nos proteger, mas não devemos recuar como o discurso, nem com as meias-conquistas. Devemos continuar a nos entender e entender nosso real propósito. 
Se não acho importante o casamento gay, devo, pelo menos, tentar entender que as conquistas estão apenas começando e que não devemos nos demover do continuar.
É difícil aglutinar os desejos de uma comunidade que ainda aprende a se identificar como tal. Somos muitos, misturados, mas nas pequenas conquistas vencemos as batalhas entrementes. Não vale a pena questionar, agora, as equiparações legais. Somos livres para o casamento ou não. Respeitar o direito do outro é garantir nosso próprio desejo.
Resta-nos saber o que queremos: ser sempre jovens ou garantir uma longeva juventude mental em que pese o tempo? Portanto, devemos continuar no front. Temos o Willis ao nosso favor, temos a lei, temos nós mesmos. Usemos nossas armas a exaustão.Decretemos a reação à caça as bruxas, mas cientes de que os verdadeiros demônios são eles.

Roberto Muniz Dias
Mestrando em Literatura pela UnB (Universidade de Brasília)

 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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