Por Luciano Losekann(*) e Thiago Periard do Amaral(**), do Blog Infopetro
A associação entre a riqueza mineral de um país e o baixo dinamismo de sua economia foi observada por vários autores, dando origem à tese da maldição dos recursos naturais. Muitas vezes, essa relaçao é verificada em países ricos em petróleo. Autores internacionalmente reconhecidos, como Moisés Naím (2011) e Daniel Yergin (2011), citam a emergência e consolidação de alguns países em situações classificadas por ambos como Petro-Estados.
O Petro-Estado é a situação crítica onde a abundância de recursos petrolíferos é canalizada para o atendimento de demandas econômicas de grupos específicos dentro de um Estado, gerando assim um situação em que os benefícios trazidos pela renda do petróleo são gozados de forma privada em detrimento do desenvolvimento social da nação produtora.
No estudo aqui apresentado, é testada de forma simplificada a validade da hipótese de menor crescimento econômico de países com abudância de petróleo, utilizando dados recentes.
2 – A tese da maldição dos recursos naturais (MRN)
Desde os anos 50, a abundância em recursos naturais tem sido vista como insuficiente, até como um entrave, para promover o desenvolvimento econômico. Autores cepalinos como Prebish (1950) e Singer (1950) já discorreram sobre a armadilha em que os grandes produtores de produtos primários se encontram ao se especializarem na produção destes bens básicos deixando de lado as oportunidades e os ganhos de escala e escopo presentes no processo industrializante.
Seguindo a linha de raciocínio aberta por Prebish, muitos autores debateram essa relação e, em meados da década de 90, foi lançado um estudo bastante influente que apresentou evidencias empíricas para esta tese. O estudo feito por Sachs e Werner (1995) buscou verificar o impacto das exportações de recursos naturais no crescimento econômico através de uma análise cross-country que identificou a relação negativa entre a concentração da pauta de exportações e o crescimento econômico (figura 1). Os autores utilizaram como referência a situação das reservas em 1970 e o crescimento econômico observado nos vinte anos posteriores.(…) o texto continua no Blog Infopetro
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