4 de junho de 2026

A resistência ao ensino à distância

Por Fábio Lúcio 

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Comentário do post “Cresce educação a distância no Brasil

As críticas à educação a distância são míopes. Por que um curso a distância deveria ser, a priori, considerado ruim? Não se trata do mesmo conteúdo e do mesmo professor? E, ainda, da mesmíssima avaliação presencial? Talvez não se queira ver as vantagens, então vejamos:

1) Não há diferença na parte avaliativa, que é presencial como em qualquer outro curso de graduação, pós ou técnico.

2) Não há mais o estatuto da falta escolar, pois ela pode ser assistida de vários lugares e se o aluno perdeu a aula ao vivo, resgata a mesma aula depois no sistema da instituição de ensino.

3) O aluno não gasta tempo no trânsito, gasolina, estacionamento.

4) O aluno escolhe o lugar onde quer estudar (casa, escritório etc).

5) O aluno tem a escola, não precisa esperar que venham construir uma de tijolo na cidade dele (não pensem que isso não faza diferença num país de dimensões continentais).

6) O aluno tem um atendimento personalizado, ainda que por e-mail ou telefone . O professor já não responde mais dúvidas para a classe toda, e sim para cada aluno.

7) O aluno que perdeu o bonde quando deveria ter estudado na idade adequada e agora pode adaptar o estudo à família ou ao trabalho.

8) Há alguma outra maneira de um operário de uma plataforma da Petrobrás, lá no Atlântico, estudar? Ou um brasileiro que trabalha no Japão?

9) A interação social se mantém cada vez mais forte com o professor e os colegas de “classe”. As redes sociais estão aí a provar isso. E os encontros presenciais são praticamente tomados pelo estímulo ao “networking”.

10) Há excelentes instituições, no Brasil e no Exterior, promovendo isso. Sem contar as brasileiras, temos MIT  , Michigan e Johns Hopkins (EUA), Nottingham e Open (Reino Unido), Lyon (França) e por aí vai. Por que deixar de cursá-los só porque promovem cursos a distância?

É claro que há as desvantagens também. Quem não tiver disciplina, deixa a matéria virar um elefante branco. Quanto às escolas ruins, não acho ser uma característica da EAD, também há as presenciais ruins. É uma questão de escolher a certa.

Cabe perguntar: por que a resistência? A dos professores é justificada por um natural acomodamento às estruturas em vigor (aliás, pesquisa recente da Associação Brasileira de Educação a Distância indicou que os prefessores resistem mais do que os alunos à EAD).

Por tudo isso, as críticas, as radicais e as nem tanto, não me parecem muito sensatas.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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