Do Wall Street Journal
Empresas faturam alto analisando dados eletrônicos para a polícia
Por JENNIFER VALENTINO-DEVRIES
A polícia e os serviços de inteligência têm usado cada vez mais informações da internet e arquivos eletrônicos para solucionar crimes e avaliar possíveis ameaças, o que está alimentando uma série de novos negócios para empresas que podem ajudá-los a organizar os dados.
Verint Systems Inc.
Tela de computador executando o software de análise de vídeos da Verint Systems, que monitora várias telas ao mesmo tempo em busca de formatos, cores, comportamentos e outros detalhes que indiquem atividade suspeita.
De grandes empresas com contratos para a defesa nacional a pequenas firmas iniciantes e especializadas, as empresas estão faturando com a forte demanda por softwares e outras tecnologias que podem organizar e analisar montanhas de dados governamentais e do setor privado para localizar criminosos ou encontrar indícios de atividade terrorista.
A polícia, por exemplo, pode usar um programa de análise de vídeo para identificar um pacote suspeito numa estação de trem lotada e relacioná-lo à placa de um carro próximo, para assim encontrar um suspeito.
O mercado governamental para programas analíticos nos Estados Unidos é de US$ 1,1 bilhão por ano, disse Dan Vesset, vice-presidente de pesquisa analítica de negócios da IDC. Ele disse que o mercado deve crescer a um ritmo anual de cerca de 10% nos próximos cinco anos.
Empresas interessadas em participar dessa expansão estão comprando firmas menores fundadas recentemente para atender a esse segmento. “Acho que essa é uma área em que ocorrerá um volume acelerado [de fusões e aquisições]”, disse Vesset.
A International Business Machines Corp. completou em outubro a aquisição da firma de análise de dados i2, que afirma ajudar agências governamentais a solucionar ameaças à segurança, usando “bancos de dados de criminosos, sites de rede social e biométrica”. A Oracle Corp. informou mês passado que vai comprar a Endeca Technologies Inc., uma firma de capital fechado que oferece serviços parecidos de consultoria para empresas e governos. Não foi divulgado o valor do acordo.
O interesse nessas novas ferramentas de dados está aumentando, em parte porque agora há muito mais informação disponível para a justiça, já que as pessoas usam telefones celulares e sites de mídia social para compartilhar informações pessoais e cada vez mais arquivos públicos têm sido armazenados eletronicamente.
“Tem a ver com discernir o significado e informações de milhões – bilhões até – de dados”, disse a secretária do Departamento de Segurança Nacional dos EUA, Janet Napolitano, num discurso este ano. “E quando se trata de nossa segurança, esse é um dos desafios científicos e tecnológicos mais urgentes para a nação.”
Boa parte da informação sendo usada atualmente pelas agências de inteligência e a polícia está em formatos difíceis de analisar, como vídeo, áudio, texto e fotos de sites de rede social.
Até poucos anos atrás, a polícia e outras autoridades analisariam vídeos de uma área “só quando houvesse um desastre”, disse Elan Moriah, presidente de soluções de inteligência em vídeo da Verint Systems Inc.
Ao mesmo tempo, grandes fornecedores do governo também estão impulsionando suas filiais de análise de dados, criando ainda mais demanda por programadores e outros que possam desenvolver esse tipo de software.
“O negócio está expandindo”, disse Richard Wilhelm, vice-presidente executive da consultoria Booz Allen Hamilton Inc. “Nosso problema não é conseguir trabalho. É conseguir os analistas qualificados para isso.”
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