Como fizemos aqui no mês passado, com o final de outubro podemos, outra vez, comparar o preço das commodities e a variação cambial para conferir aquela tese da imprensa conservadora de que o Banco Central estava errado em baixar os juros, a partir de setembro, e os efeitos da valorização cambial provocaria inflação no Brasil.
Pode haver pequenas variações até o fechamento do mercado, duas horas depois deste texto estar sendo escrito, mas com os números deste momento não se tem nada disso que previam os catastrofistas.
O índice CRB Reuters de commodities caiu de 341,4 no dia 1º de setembro para 318,5 hoje. Uma baixa, portanto, 6,7%. Já o dólar passou de R$1,617 naquele mesmo dia para R$ 1,696 agora há pouco, ou uma alta de 4,89%.
Portanto, na média, as commodities caíram mais do que subiu o real. Não a ponto de pressionarem para baixo a inflação interna. Mas também, certamente, sem pressionarem os preços no Brasil.
Claro que isso terá impacto em nossa pauta comercial, mas os primeiros dados não autorizam, pelo contrário, qualquer desastre.
O que está segurando a economia brasileira não é isso, mas a contenção forte que se vem fazendo nos gastos públicos. O relatório divulgado hoje pelo Ministério da fazenda mostra que a relação entre despesas e receitas tem sido cada vez mais econnômica. Todo o setor público brasileiro, segundo os dados divulgados também hoje pelo Banco Central, indicam que se conseguiu um superávit primário acumulado desde janeiro de R$ 104,6 bilhões, ou 3,5% do Produto Interno Bruto. Muito maior, portanto do que os R$ 76,9 bilhões (2,87% do PIB) acumulados entre janeiro e setembro de 2010.
Um dinheirão que vai pelo ralo diante do que é pago em juros, que somaram R$ 177,5 bilhões (ou 5,93% do PIB), contra R$ R$ 141,2 bilhões (5,27% do PIB) do mesmo período do ano passado. Em 12 meses, os juros nominais alcançaram a estratosférica quantia de R$ 231 bilhões.
Este é o garrote que sufoca a economia brasileira. E é esse o nó que o mercado financeiro não quer nem folgar, o que dirá cortar.
Por: Fernando Brito
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