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Política: O DEM Por Um Fio

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ACM Neto, um dos principais líderes do partido, pode estar de saída para o PMDB. Segundo informações da imprensa capitalista, ele mudaria de sigla no início de 2012

1 de novembro de 2011

 

Em entrevista dada em julho ao portal Último Segundo, o líder do DEM na Câmara dos Deputados, ACM Neto, afirmou que “O PMDB, com os ministérios que possui , pode ser uma porta de entrada no governo federal”. Na época, ele se referia a uma possível aliança entre o DEM e o PMDB nas eleições municipais de 2012, no entanto, a afirmação pode ter um novo significado com alguns acontecimentos recentes.

Foi noticiado pela imprensa capitalista que o DEM, após perder boa parte de seus quadros para o recém-fundado PSD, pode sofrer mais uma baixa considerável. O próprio ACM Neto estaria de saída da legenda no início do ano de 2012.  Seu destino seria o PMDB, principal partido de sustentação do governo Dilma, e as conversas entre as partes, mediadas pelo deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), estão adiantadas.

Pela sua importância no DEM e pelo fato de sua saída representar praticamente o fim deste partido no estado da Bahia, o principal da região Nordeste e, até pouco tempo atrás, tradicional reduto da direita e da família Magalhães, o acontecimento tem grande importância. 

Trata-se de mais um passo decisivo da dissolução do DEM, o que significa um enfraquecimento do regime político.

O DEM, e-PFL, remanescente da Arena, é o verdadeiro partido da burguesia. O seu enfraquecimento revela uma debilidade da própria burguesia em aplicar seus planos contra os trabalhadores e que necessita de um partido de esquerda para colocar esses planos em prática.

Nesse sentido, mesmo atravessando uma crise terminal, o DEM serve como um contrapeso importante às moderadas iniciativas do governo do PT. Sendo muitas vezes usado pelo próprio PT para justificar sua política de capitulação ao imperialismo e à ala mais reacionária da política nacional. É por meio do bloco DEM-PSDB que a burguesia reafirma sua política e mantém sua identidade. Com o fim do DEM, o PSDB fica extremamente isolado na oposição de direita ao governo do PT, ao lado apenas de tantos outros cadáveres políticos.

Recentemente, tivemos o caso da política do governo Dilma Rousseff de aumentar o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros produzidos fora do Mercosul. Uma política “nacionalista” extremamente moderada que buscava proteger setores da indústria automobilística que produzem carros no Brasil e evitar uma queda ainda maior no PIB brasileiro e o crescimento da taxa de desemprego, fatores que aumentariam a crise e a tendência de luta da classe operária.

Diante desta iniciativa, o DEM conseguiu suspender esta política entrando com um recurso no Superior Tribunal Federal (STF) e, o governo do PT por sua vez, aceitou passivamente este tipo de procedimento que contraria a própria Constituição Nacional, uma vez que a política econômica deve ser determinada pelo Executivo e não pelo Judiciário.

Outro exemplo aconteceu quando o governo Lula decidiu não aceitar o pedido de extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti feito pelo primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi. O DEM foi o mais decidido dos partidos da oposição burguesa a lutar contra a decisão, sendo um dos principais instrumentos do imperialismo italiano neste caso. Mesmo após a decisão a favor do asilo político, tomada tanto pelo Executivo como pelo Judiciário, o DEM, sob as ordens dos fascistas italianos, continua fazendo campanha e dando suporte às novas investidas a favor da extradição. Nos últimos dias, o governo brasileiro deu sinais de que pode capitular vergonhosamente diante das investidas, pois mesmo com a decisão já tomada, aceitou participar de um comitê em conjunto com o governo italiano que pretende usar este espaço para pressionar o Brasil a rever o caso.

Neste sentido, a falência do DEM enfraquece este mecanismo da burguesia que não busca conter apenas o governo do PT e suas medidas ultra moderadas, mas principalmente tem como objetivo não deixar o governo ficar sob influência direta das massas. O que no caso do PT, que está na presidência e aplica a política da direita e do imperialismo, provocaria uma grande crise interna, pois o partido dirige direta ou indiretamente as principais organizações do movimento de massas como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra).

A dissolução do DEM, no entanto, não é algo isolado e uma crise que se restringe a este partido. A crise do DEM, o principal herdeiro da Arena, é parte da crise do regime político que vem se arrastando desde a ditadura, quando os militares foram obrigados a se enfrentar com a mobilização revolucionária da classe operária no final dos anos 1970 e início dos anos 1980. A “democracia” erguida através de um pacto para preservar os interesses da direita que apoiou os governos militares foi uma alternativa para preservar estas organizações políticas que estavam em franca decomposição. Neste sentido, a crise do DEM mostra que por mais que o conflito com as massas possa ter sido retardado não pode ser evitado, pois o repúdio da população à direita é a verdadeira razão da crise.  

A queda do DEM é apenas o início da queda de todo o regime político, o que desmente que o Brasil estaria imune à crise capitalista. A diferença entre o País e outros que atravessam grandes mobilizações como Grécia, Espanha, Portugal etc. está principalmente no fato que a situação de desagregação econômica por enquanto é menor e o regime político está ruindo a partir de uma “crise por cima”. No entanto, esta crise interna da burguesia tende a levar os trabalhadores a se mobilizarem, ainda mais com o agravamento da crise capitalista internacional e a falência inevitável da economia nacional.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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